quinta-feira, 29 de agosto de 2019

“AMAZÓNIA, INSÓNIA DO MUNDO”


Conta-se que no hinduísmo, em especial o nepalês, acredita-se que a melhor pessoa do mundo, possui algo de mau, ao mesmo tempo a pior pessoa do mundo possui algo de bom. A batalha interior que cada um trava para derrotar o mal é imensa.

Com isto quero dizer que a líder ou coordenadora do Bloco de Esquerda, por vezes consegue encontrar o seu lado bom ou então o seu lado mau, dependendo da ocasião.

Veja-se o que ela disse: “Amazónia a arder. Uma tragédia que tem responsáveis.”, e ela tem toda a razão, pois, se a Amazónia é Património Mundial da Humanidade, a responsabilidade é de todos nós.

Contudo, noutro cenário, a mesma coordenadora rezava para que chovesse, sem que apontasse qualquer responsável. Tal como defende o hinduísmo, todos temos algo de bom e de mau no nosso íntimo.

Mas vamos ao cerne da questão: a Amazónia está a arder e isso preocupa-nos a todos, todos somos responsáveis, todos, sem exceção, todos os que compram livros, todos os que comem carne, todos os que comem soja, todos nós temos uma quota-parte de responsabilidade no problema do eventual desaparecimento da Amazónia.

Mas será que só a Amazónia nos deve preocupar? Os nossos hábitos têm que mudar, os fornecedores têm que procurar ir ao encontro de algo mais sustentável para o Mundo.

Recordo-me das excelentes campanhas que tivemos na Madeira, algo que devia ser recuperado, a geração do fim dos anos 80 e início dos 90 lembra-se, com certeza, do “João Verdinho”. Diria que foi das campanhas mais bem conseguidas, de sempre, de uma entidade governamental em Portugal.

Quem não se recorda do videoclip em que aparecia o João Verdinho e cantava uma música, em que, durante a mesma, passava por um local em que havia eletrodomésticos e lixo abandonado e dizia: “Mas o que se passa aqui?”, ele ficava preocupado e depois apelava ao reduzir, reutilizar e reciclar… Algo que parece que voltou a estar esquecido da nossa população.

O Mundo necessita de novos “Joões Verdinhos” em que se volte a tratar do meio ambiente, mas devemos começar a tratar melhor a nossa Laurissilva, que, neste momento, está meia despida, semi-nua, mas também o nosso parque natural, que perdeu o seu mar verde, devido aos incêndios, mas também às nossas ribeiras e ribeiros. Agora urge recuperar, necessitamos voltar a mostrar as nossas paisagens, a integração cosmopolita com o meio ambiente, e criar incentivos para que a Região Autónoma da Madeira, mas também o Mundo seja mais sustentável do ponto de vista ambiental.

A Amazónia arde, como ardeu Pedrogão, como ardeu o Pinhal de Leiria, como ardeu a Califórnia, como há dias ardia Canárias… Ninguém tomará essas terras, por não serem fundamentais ao Mundo, mas querem a Amazónia?! Todos pela grande floresta tropical, para que não seja a “Amazónia insónia do Mundo”, como diz um refrão de um poema cantando pelo grande cantor brasileiro Roberto Carlos.

Publicado no JM-Madeira

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