quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

5.659 CANDIDATOS PARA 5 GERAÇÕES!


A semana foi notícia no JM-Madeira que há vários candidatos com licenciaturas e até com mestrado para serem assistentes operacionais. A verdade é que para 130 vagas existe 5659 candidatos. Uma situação preocupante…

Um dia imaginei esta entrevista, qualquer semelhança com a realidade, é pura e simples coincidência:

– Caro candidato, qual a razão que se candidata a este lugar de assistente operacional? – questiona o entrevistador, baixando os óculos até à ponta do nariz.

– Bem – o candidato enquanto coça o nariz responde - eu na universidade sempre gostei de apoiar tudo e todos… – conclui o licenciado em tachos e política pública.

– Apoiar, mas como? – com surpresa pergunta o entrevistador com o bigode farfalhudo.

– Sabem… – o candidato José Maria ajeita os ombros e esfrega as mãos argumentando – e com muita confiança – Eu na universidade fui presidente da associação de estudantes, levava as caloiras aos bares, às festas e a todo o lado. Sempre gostei de apoiar… reparem só, tive a melhor nota de sempre na cadeira de Cacique avançado, penso que sou mais que competente para satisfazer e apoiar sejam alunos, sejam professores e finalmente os pais!

– Mas… Para desempenhar estas funções não necessita de ter licenciatura, só precisava a escolaridade mínima obrigatória e o ordenado não é assim muito aliciante, não acha que tem competência para voos mais altos? Quem sabe… um cargo de dirigente político qualquer? – novamente o primeiro entrevistador, o dos óculos, aconselha em forma de interrogativa o candidato.

O candidato coça o pescoço e começa a pensar, olhando para o vazio ao fundo da sala, onde estava um quadro de ardosia já quase branco de tanto giz colocado lá.

Nisto, o terceiro entrevistador que não tinha tirado os olhos das folhas e do currículo do candidato múrmura para os outros entrevistadores:

– Este é o sobrinho do secretário de estado dos políticos perdidos e reclusos, já sabem como é…

– Ora… Caro José Maria, penso que podemos dar por concluída a sua entrevista, pode sair. – Conclui o entrevistador de bigodes.

Cumprimenta todos os entrevistadores e sai calmamente todo pimpão a sacudir as calças e fecha a porta.

– Este é aquele que temos que colocar em 2º lugar para entrar no concurso, para quando houver uma qualquer mobilidade e passar para técnico superior e está resolvida a sua situação, foi um pedido especial e temos que aceder, já sabem como é.

Tudo isto é pura ficção! Atenção é mesmo pura ficção.

O que é preocupante, é que os dados da OCDE de junho de 2018 mostram que são precisos cinco gerações para se sair da pobreza em Portugal. Nesse mesmo relatório ficou demonstrado que a mobilidade social não depende unicamente da educação, mas “está fortemente ligado à sua origem socioeconómica ou do nível de capital dos pais”. Esta é a demonstração clara que Portugal continua na cauda da Europa, mas também no Mundo, dificilmente um dia chegaremos ao sonho americano, aquele sonho em que aqueles que estudam, trabalham e esforçam conseguem atingir altos objetivos, mas essencialmente os seus sonhos.

Post Scriptum: Aconselho a leitura desse relatório da OCDE.

sábado, 29 de dezembro de 2018

Quando o Natal não chega


Os contos de Natal costumam ser povoados de crianças, avós, o Pai Natal e outras criaturas fantásticas e são ainda tocados pela magia desta quadra. E como todos os contos tradicionais costumam começar assim…

Era uma vez, uma menina chamada Amal Hussain*, uma menina de sete anos, que sonhava ser grande, que sonhava em deter as guerras, que sonhava, enfim, viver num mundo a que todos as crianças devem aceder. O que ela sonhava, sem o saber, era com o Natal, pois sonhava com a paz, o direito à infância e ao lar onde houvesse esse calor humano que traz a família, sonhava com o direito a ser menina e brincar com esse Menino que no-lo o trouxe, o Menino que o profeta da sua terra incluiu no livro Sagrado da religião que o seu nome, Amal Hussain, indicia. Sonhava então com um amanhã em que os meninos festejassem um Natal com esse nome ou outro, nessa data ou noutra, enfim, com uma nova Jerusalém em que todas as religiões se irmanassem numa Festa universal, ecuménica, sem os “ismos” religiosos que possam dividir, mas com o Amor que almeja unir.

Os raros brinquedos que teve foram só para acariciar com medo, com desespero, com um grito de súplica de amor em momentos de bombas… Ela não sabia, mas aguardava… Uma esperança… Esta não é uma história imaginada de Natal, é uma história real, uma história de uma menina chamada Amal que significa esperança e que nunca teve oportunidade de ter esperança na sua vida, muito menos alimentos. Amal Hussain foi uma menina que morreu num campo de refugiados no Iémen, numa crise provocada por embustes, como são todas as guerras.
Pronto… se calhar é melhor outro conto de Natal…

Era uma vez, na terra por onde Jesus passeou e evangelizou, uma menina de 12 anos. Rahaf Yousef nasceu na Síria, vive na Jordânia e hoje, quando escrevo, ontem, no momento da leitura, casou-se. Isto para uma mulher poderia e seria o dia mais feliz da sua vida, para Rahaf foi um dia em que ia vestida como uma princesa, mas não sabia o que lhe ia acontecer. Um homem mau, sem escrúpulos comprou-a e aproveitou-se da família que passa necessidades, pois é uma família refugiada, mas só a quer usar, pois ele, como fundamentalista, não sabe o que significa casar, simplesmente fingir e aí violentar a Rahaf, até porque casou a fingir. O desejo de Rahaf era brincar no parque infantil, e essa oportunidade está perdida. Ela queria crescer, queria poder regressar ao seu país sem guerra, queria viver como todas as meninas da sua idade…

Era uma vez, um senhor com 82 anos, o Sr. Manuel Nascimento, trabalhou ao longo da sua vida toda, conseguiu, humildemente, construir a sua casa para a sua família. Um dia, alguém, maldosamente, provocou um incêndio na floresta e o incêndio num outubro qualquer incendiou tudo, até a sua casa. Os governantes dessa terra, quiseram todos aparecer nas fotos, acotovelavam-se para ver quem tirava a melhor selfie, seja a limpar, seja a plantar, seja a reconfortar as vítimas dessa tragédia. A sua casa podia ser a casa do Pai Natal e o mesmo ficar sem a fábrica de brinquedos para continuar todos os Natais, todos os anos… Um desses governantes prometeu que, em dois meses, a sua casa estaria pronta, ainda a tempo do Natal. O Sr. Manuel, em lágrimas, acreditou, mas a sua esperança foi corrompida, porque corruptos que tudo secaram se aproveitaram das vítimas para enriquecerem a si e aos seus amigalhaços. Manuel, a quem tudo foi prometido, nada teve e faleceu sem ver a casa da sua vida passando mais de um ano e alguns meses. Mas deixou um último desejo ao seu filho: “Vai lá à câmara apertar com eles para te darem o que é teu. Eu já estou velho, já não me importo, mas tu, trata da tua vida.”

Estes são símbolos do Mundo, um Mundo em que o Natal não passa de uma quimera, pura e simplesmente não existe. Podia escrever outros contos baseadas em tantas crises, desde Somália, Venezuela, Níger, Mianmar e etc… Um Mundo tão pequeno e ao mesmo tempo tão desigual.

Sou um sonhador, gosto de imaginar a utopia, portanto quero que todas as pessoas consigam ter o Natal que é sinónimo de uma quadra feliz e de esperança perene nessa de chegar a ela. E que um dia, seja capaz de volver um Mundo numa eterna sinfonia de harmonia.

Com este conto multifacetado, ilustro que, enquanto todos nós temos oportunidade de estar junto das nossas famílias nesta bela quadra de Natal, gostava que, pelo menos durante estes segundos que lê este artigo, reflitam na criança Amal, na menina Rahaf e no senhor Manuel, seres a quem roubaram o Natal a que tinha direito.

*Amal Hussain foi capa da New York Times para descrever o horror vivido no Iémen.

Publicado no dia 25 de dezembro de 2018 no JM-Madeira

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

DA ESPUMA OU DA ESCUMA: TUDO MAUS RAPAZES: VENHA A FESTA!

A semana passada foi fértil em assuntos variados na política regional e quiçá nacional de que destaco a discussão do orçamento regional. Confesso que procurei acompanhar as medidas principais de que destaco a redução de impostos, tais como IRS, IRC, mas também o apoio às famílias, nomeadamente à educação.

António Costa abalou para o Afeganistão quando soube que, na Madeira, o seu antigo mandatário para as eleições internas andou a fazer ostentações, qual exibicionista de gabardine, que, na região batem qualquer concorrente. A atitude do mandatário pode ser repreensível, até porque estava num espaço da junta de freguesia. Contudo, também quem divulgou tais imagens violou um princípio sagrado da nossa democracia, já que revelou pouco respeito pelo espaço da mesma coletividade e da individualidade. Agora, porém, o deputado deveria ter a coragem, já que tem provas, de indicar quem foi que o entrelaçou. Para ele, para o seu partido o melhor é denunciar já, pois quanto mais próximo das eleições for, pior será.

Quanto ao deputado que indicou que “assume as suas responsabilidades”, esqueceu-se foi desses princípios quando a polícia o mandou parar, afora isso, esteve convenientemente. Mas como se diz: “faz o que eu digo e não faças o que eu faço.” Não devia ter suspenso o mandato, mas sim renunciado.

Perante tudo isto, da espuma – ou da escuma – dos dias pouco restou: a política, na sua substância, que era o orçamento, passou a secundário e agora com a Festa tudo se dissolverá como tudo o que caracteriza uma sociedade mediática. Já ninguém quer saber de nada da política e estará presente na noite do mercado, numa função do porco, na Placa Central, numa missa do parto… E nisto tudo é Natal. Mas, atenção… tenham cuidado, porque, se a polícia mandar parar, parem, e, antes de tudo, espero que não tenham consumido álcool, caso tenham consumido não conduzam, existem táxis disponíveis para irmos a casa ou, como se diz: “pode ir no carro do Armando, um bocadinho a pé, um bocadinho andando…”

Neste meu artigo, aproveito para desejar um Feliz e Santo Natal a todos os leitores do JM-Madeira, mas também pedir que os políticos, no próximo ano, portem-se bem e com elevação, pois teremos 3 atos eleitorais e espero que não valha tudo. Nós, madeirenses, merecemos alguma elevação.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Descentralização do empreendedorismo


Quando se fala em empreendedorismo em Portugal, a grande maioria dos empreendedores estrangeiro só sabe que existe Lisboa. Lisboa é a capital do país e centra todo o investimento do Estado na sua promoção, em diversas áreas, até no empreendedorismo, veja-se o exemplo do Web Summit. De acordo com os números do relatório provisório do Scaleup Portugal 2018, aqui destaca-se que os principais investidores são estrangeiros e que 73% do investimento veio do exterior. Mas o que há de maior destaque nisto tudo? É que o investimento não estatal se descentralizou e pela primeira vez o Porto é a região com mais fundos investidos e com maior receita ultrapassando Lisboa. Apesar, de Lisboa ter tido mais investidores estrangeiros, o certo é que o Porto conseguiu atrair os investidores nacionais. A Madeira não aparece na lista de empresas, sendo que a segunda cidade é Lisboa e seguida de Coimbra. Aguarda-se o relatório definitivo para verificarmos a posição em que está a nossa região. Mais destaques que são possíveis concluir neste relatório preliminar é que a lista das maiores 25 scale ups as áreas mais atrativas são: a Internet das Coisas, a Saúde, o software empresarial, o marketing e as tecnológicas financeiras. Outro dado importante é que estas 25 maiores scale ups, nos últimos cinco anos, geraram 850 postos de trabalho.

Era importante termos os dados da nossa região e verificarmos se é necessário fazermos mais investimento e atrairmos mais investidores para o empreendedorismo da nossa terra.

Uma coisa é certa, a ascensão do Porto como cidade que captou maior investimento em Portugal pode ser algo que venha a mudar o paradigma de Portugal no que toca a investimento público no crescimento do empreendedorismo e assim indo contra o centralismo cada vez mais vigente em Portugal.

Já agora com no próximo ano deveria ser dado um maior destaque na Madeira, pois pode ser um excelente laboratório, um excelente laboratório, uma excelente incubadora em grande escala e aqui estar o próximo unicórnio.

Aproveito este artigo para desejar um Santo Natal e um Próspero Ano Novo de 2019!


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

OS SUSPEITOS E OS PATRIOTAS


Se no Iluminismo eram os franceses que transformavam a Europa, agora só podemos ser nós a transformar e a “enviar” as nossas formas de pensamento para França, resto da Europa e quiçá para o Mundo.

Ora veja-se: os franceses, aqueles dos coletes amarelos, querem o seguinte:

- Acabar com os sem-abrigo;

- Pagamento mais fatiado do imposto sobre o rendimento;

- Mais estacionamento gratuito no centro da cidade;

- Que os grandes paguem muito e os pequenos pouco;

- Proteger a indústria francesa, proibindo as deslocalizações;

- Sistema de segurança social igual para todos;

- Fim do aumento do imposto sobre os combustíveis;

- Nenhuma pensão abaixo dos 1200 euros e aumento do salário mínimo para 1300 euros;

- Os salários de todos os franceses, bem como as pensões e subsídios, indexados à inflação;

- Fim do trabalho desvinculado;

- Limitar mais o número de contratos a termo nas grandes empresas;

- Fim da política de austeridade, interromper o pagamento da dívida considerada ilegítima sem fazer cobranças aos mais pobres e arrecadar 80 mil milhões de euros perdidos devido à evasão fiscal;

- Resolução das causas que geram migrações forçadas;

- Política de integração real com curso de francês, de história da França e de educação cívica;

- Rendas mais baratas, sobretudo para estudantes e trabalhadores precários;

- Mais meios para o sistema judicial, polícia e exército;

- Todo o dinheiro gasto nas portagens deve ser investido na manutenção e desenvolvimento das estradas;

- Nacionalização do gás e da eletricidade e a respetiva redução dos preços;

- Incluir o referendo na Constituição e consulta mais frequente do povo a nível nacional e regional;

- Voltar ao mandato presidencial de 7 anos;

- Idade da reforma a partir dos 60 anos para todos e dos 55 anos para trabalhadores de trabalho físico;

- Fim do imposto retido na fonte.

- Fim dos subsídios vitalícios dos Presidentes.

Estas são as ideias do Povo Francês que se reuniu nas ruas, tudo porque o Governo aumentou o imposto sobre os combustíveis e assim esta revolta fez o Povo criar um autêntico programa de governo.

Então o que é que os portugueses têm para ensinar ou oferecer aos franceses? É fácil, ora vejamos:

- Aceitar baixar ordenados para ficarmos ao nível ou abaixo da China;

- Reduzir os direitos dos trabalhadores para ficarmos ao nível da Indonésia;

- Aumentar a idade da reforma para níveis de qualquer país da América do Sul;

- Combustíveis com tantos impostos que nem dará para sair de casa;

- Subsídios vitalícios não só para o Presidente, mas para todos os políticos com uma lista bem escondida;

- Acesso à justiça só para ricos em que podem “engonhar” e com “engenharia jurídica” serem presos quando tiverem mais de 150 anos, quer dizer, nunca;

- Portagens com valores elevados, mas, quando for necessário existir manutenção nas estradas e nas pontes que se cobrem mais impostos;

Estas são algumas das ideias que os portugueses podem transmitir aos franceses e estes aplicar, pois são as melhores. Ah… Falta uma boa:

- quando cair uma estrada, árvores ou qualquer outro tipo de catástrofe e envolva responsabilidade civil do Estado e necessidade de meios da proteção da civil a resposta do Estado só pode ser: “o que é que temos a ver com isso? Não sabíamos de nada…” – A amnésia resulta sempre e muito bem.

Finalmente, outra boa lição que os portugueses podem dar, quando não estão inteiramente satisfeitos: basta irem ao Facebook a um grupo qualquer seja de política, seja de ocorrências e escrever “coisas” contra os políticos, esperar que uns tímidos cidadãos o apoiem e a grande maioria dos concidadãos gozem com ele e outros o chamem fascista ou comuna e aguardar… Ah… os portugueses mais revoltadinhos podem sempre ligar para programas de televisão ou rádio e até escrever para qualquer coisa num periódico a reclamar. E pronto… Aí só resta aguardar serenamente, pois tudo irá ficar como sempre esteve e o Governo fará sempre o que lhe der na real gana.

Até que um dia, surjam não cravos, mas sim os coletes amarelos!

Publicado no JM-Madeira - Siga Freitas

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O ANTÓNIO NÃO GOSTA DE TOURADAS, QUEM ESTAVA LÁ ERA O COSTA

O António Costa é mais que um artista, como classificou o antigo Presidente da República. Eu até podia dizer algo mais, se fosse psiquiatra, pois diria que ele é bipolar, ou pendular, para falar uma linguagem da ferrovia mais ao gosto dos socialistas.

Ora vejamos:

António Costa é:

Em Portugal contra a austeridade, na União Europeia a favor do rigor orçamental;

Quando está com o Bloco é contra Bruxelas; mas para as televisões é a favor da União Europeia;

Era a favor das eleições e dos vencedores quando defrontou António José Seguro, já contra Passos Coelho é a favor de qualquer tipo de esquema para ver cumprido o seu desejo de ser PM;

Ao Pereira diz que lhe vai resolver a vida, mas ao César e ao Paulo garante: “não se preocupem, ele não vai para lado nenhum.”

Aos madeirenses diz que vai dar 50% do valor do Hospital, manda a ministra dizer que vai resolver o Ferry e etc…, mas aos restantes portugueses diz que isso é problema dos madeirenses.

É contra as touradas, mas a favor da arte taurina;

No Interior é contra o centralismo, mas reafectou milhares de euros para uma política que revela o maior centralismo de sempre.

Também é contra o Bloco e o PCP no Governo, mas a favor da Geringonça;

É contra a especulação imobiliária, mas foi capaz de comprar uma casa a um casal de velhotes que alegadamente era para os filhos, para meses depois vender a um valor de um especulador imobiliário.

Amigo de Sócrates, mas só em dias em que não se fala que ele esteja envolvido em casos de alegada corrupção;

No Porto é favor do Infarmed no Porto, disse-o por 5 vezes, já aos trabalhadores diz que nada vai mudar.

Para os benfiquistas, ele tem que ir ver o clube querido, mesmo que o mesmo esteja envolvido em casos de corrupção e mais não sei quantos casos, até um recente ataque “terrorista” num hotel em Lisboa contra adeptos holandeses, mas diz que os dirigentes nada têm a ver com o clube. Já quanto ao Sporting os ataques à academia têm tudo a ver com dirigentes e etc…

António Costa é o primeiro ministro de todos, ao mesmo tempo não passa de um mero presidente da câmara municipal de Lisboa. Por sua vez é secretário geral do PS e infelizmente ao mesmo tempo que é um cidadão, mas nada disto é contraditório, com exceção de que enquanto presidente de câmara gosta de ver a tourada, mas enquanto cidadão e primeiro-ministro não, já enquanto cidadão é amigo de Sócrates, e como secretário geral do PS nunca ouviu falar desse senhor. São tantas as contradições que, no meio disto tudo, não há qualquer dúvida de que o primeiro-ministro está contra o António Costa e António Costa esteja contra o secretário geral.

O que nos resta é que para o ano, ele será tudo isto e ao mesmo tempo líder da oposição, pois, apesar das certezas absolutas da sua vitória, há uma certeza que ele será governo ao mesmo tempo que é a sua própria oposição.


domingo, 11 de novembro de 2018

E se o seu eletrodoméstico votasse?

As redes sociais com a Web 3.0 adquiriram uma dimensão que ninguém podia imaginar, ao ponto de influenciar e até decidir futuro das organizações e dos países, nomeadamente incutir o comportamento das massas.

A verdade é que cada vez mais as eleições no Mundo poderão ser decididas nas redes sociais e não nas ruas. Seja o exemplo dos Estados Unidos da América, seja do Brasil. Na Europa o mesmo fenómeno já começa a chegar, apesar da comunicação social tradicional tentar remar contra essa nova maré.

No Brasil, Jair Messias Bolsonaro, numa campanha quase sem dinheiro, utilizando unicamente 15 segundos da televisão, através das redes sociais (Facebook, Twitter e Whatsapps) conseguiu uma votação de 60 milhões de brasileiros. É incrível, goste-se ou não do seu estilo, a realidade é que ele é o novo Presidente do Brasil. O Presidente do Brasil da era digital. Soube utilizar as redes sociais, as massas, o medo, mas também teve coragem de enfrentar o “politicamente correto” para combater e conseguir vencer. A sua vitória é essencialmente, não só contra as políticas e a corrupção do PT, mas também contra a comunicação social tradicional que sempre tenta impor um candidato a vencer.

Não sei responder se o Brasil ficará melhor ou pior, mas as redes sociais vieram para ficar, impor limites à sua capacidade de comunicação é um fascismo e será um retrocesso na evolução humana. Podem questionar e as “fakes news” lançadas? “Fakes news” existiram de ambos os lados, é preciso é alertar e regular melhor toda a questão das “fakes news”, desde quem fabrica como quem as partilha. Mas primeiro, é necessário alertar e consciencializar as pessoas que existem “fakes news”.

Se, alegadamente, em tempos o Major Valentim Loureiro oferecia eletrodomésticos, hoje a simples oferta de eletrodomésticos pode constituir não só a aquisição de um bem, porque com a “Internet das Coisas”, estes mesmos equipamentos podem informar e dar dados concretos do utilizador a alguém e aí poder transformar esses dados em algo útil para uma campanha, seja essa publicitária, seja para fins mais obscuros.

Por isso, redes sociais sim, mas com muito cuidado!

Publicado na Revista Madeira Digital - Novembro

TANCOS: ASSALTO FALHADO, RECUPERAÇÃO ENCENADA?

Todos nós, já percebemos que o assalto a instalações s militares foi um ato falhado de diversas pessoas. Só falta é esclarecer tudo, como exige o nosso PR.

O óbvio para qualquer estadista é que foi colocada em causa a segurança do nosso país, pois o roubo de armas numa instalação onde elas deviam estar sob vigilância é grave em qualquer país do mundo com um Estado digno desse nome. Já toda a gente responsável e ou com o sentido do caricato percebeu os contornos rocambolesco de toda esta história é ridícula digna de uma revista à antiga portuguesa. Raul Solnado, com todo o respeito pela sua memória, não conseguiu melhor na sua rábula da Guerra de 14.

Ninguém sabe o número de armas roubado, aliás, ninguém está em condições de saber se houve mesmo roubo, por isso também não sabe se houve mesmo reposição, e ninguém sabe se as repostas menos, mais ou iguais às desviadas porque ninguém está em condições de afiançar que houve desvio. Na mesma linha, ninguém consegue perceber se o material suposta ou eventualmente desviado era moderno, obsoleto ou assim, sabe-se lá, há de se ver, ou não! Mas a verdade é que um dos alegados ladrões ligou para as autoridades a indicar, de uma cabine telefónica, com o seu telemóvel à espera de ser detetado, como quem diz, isto é uma pantomina. Finalmente, as armas estavam na casa da avó deste ladrão, uma portuguesa à antiga, de cabelo na venta que, certamente, impunha mais respeito aos eventuais traficantes do que a própria instalação militar e a sua guarda. Haverá melhor argumento para esta comédia?

Agora vamos aos políticos: o Ministro da Defesa, entretanto demitido, afirmou que nada sabia, todavia já se sabe que estava a mentir. Parece algo natural nos políticos, a mentira e a verdade não são faces da mesma moeda, são é a mesma face a da moeda e depende da luz que reflete.

Começou-se a dizer algo mais grave - o própria Primeiro-Ministro também sabe, este sabe-a toda, e eis que o Chefe do Governo se agarra-se aos “pantalones”, isto é um circo!, do Presidente da República. Ambos dizem a pura das verdades: “não sabiam de nada”.

Entretanto, os políticos já vêm a terreno dizer: “não se pode fazer política com os militares…” Isto só pode querer dizer alguma coisa. As nossas Forças Militares merecem todo o respeito, pois são o primeiro pilar País e também da nossa democracia.

A verdade é que os políticos há muito que não fazem política com os militares, mas sim brincam com eles, recordo-me de um telegrama do embaixador americano Thomas Stephenson de 5 de Março de 2009 em que afirma: “as vontades e ações do Ministério da Defesa parecem ser guiadas pela pressão dos seus pares e pelo desejo de ter brinquedos caros. O ministério compra armamento por uma questão de orgulho, não importa se é útil ou não. Os exemplos mais óbvios são os seus dois submarinos (atualmente em estado de inanição) e 39 caças de combate (apenas 12 em condições de voar)”

Tudo isto parece grave. Mas claro que está tudo bem. Afinal de contas, Portugal está, alegadamente, a sair da crise. E é tão rico que tem petróleo e não quer explorar! O máximo! Os políticos brincam com os militares, com os portugueses… E claro… Se alguém for contra a corrupção, ou logo acusado de ser a Joana Marques Vidal ou o Carlos Alexandre, ou, quiçá, um possível Bolsonaro. Na verdade é um populista e um fascista. Se bem que eu acho que não é fascista defender a segurança do país.

Se por acaso, o Presidente da República e o Primeiro-ministro estiverem a mentir em relação ao caso de Tancos, só tem uma escapatória: demissão e eleições!!! Se isto ainda é uma Democracia!