terça-feira, 7 de agosto de 2018

Conto das mil e uma iguarias


Este mês decidi falar de um homem que é muito conhecido no Brasil, cujo nome é António Alberto Saraiva. Para a maioria dos portugueses, é um perfeito desconhecido, contudo, é um português (Velosa, em Celorico da Beira) que emigrou com os pais para o Brasil na década de 50, com menos de um ano.

Mas agora pergunta-me o leitor: que fez de relevante este homem? Se falar no grupo Habib’s também é algo que para a maioria de nós é desconhecida, mas é só o maior grupo/rede de fast food de comida árabe do Mundo inteiro.

A história dele, que é contada por vários sites brasileiros, inclusive na Wikipédia, resume-se a uma família portuguesa que emigra e vai para o Brasil procurar uma vida melhor. Deseja ser médico, mas quando consegue entrar o pai é assassinado no seu negócio, que tinha adquirido cerca de 19 dias antes. Ele então, como filho mais velho, tem que abandonar os estudos e tomar conta da padaria, negócio que muitos portugueses abriram e são donos no Brasil. Já António Alberto Saraiva consegue valorizar a padaria, que passou por momentos difíceis, pois os fornecedores estavam constantemente a enganá-lo.

Após a valorização, vende a mesma padaria e volta para o curso de medicina, todavia entende que precisa de continuar na área do comércio, enquanto estudava. Teve tanto sucesso, que houve até um negócio conseguiu vender antes de inaugurar.

A verdade é que um dia houve um antigo cozinheiro árabe, Paulo Abud, com cerca de 70 anos, que pediu emprego e que, como morava no prédio da frente do novo restaurante de Saraiva, não necessitava de pagar subsídio de transporte. Saraiva aceitou dar-lhe emprego, mas também queria saber o que o Paulo Abud podia ensinar-lhe e este disse que podia ensinar a fazer comida árabe.

Eis que surge o Habib’s, que em português significa querido, e eis a maior cadeia de restaurantes de comida rápida árabe.

As diversas experiências que teve e a resiliência que conseguiu ganhar ao longo da vida deram capacidade para a criação deste negócio, que não é só esta cadeia de restaurantes, mas tudo o que está à volta da Habib’s.

Qualquer pessoa pode ter um franchising, por isso atualmente são mais 420 restaurantes espalhados pelo Brasil e México, sendo que conta com mais de 22 mil trabalhadores. Apesar de ter estado previsto a sua vinda Portugal, em 2004, até hoje ainda não aterrou na sua terra natal.

O apoio que é dado aos franqueados é um departamento UTIH (Unidade de Terapia Intensiva do Habib’s) que é uma espécie de unidade de cuidados intensivos que faz com que o restaurante recupere e consiga prosperar com enorme sucesso.

Este homem, que atualmente tem muitas posições que chocam os brasileiros, é sem dúvida um exemplo de um emigrante português de enorme sucesso lá fora.

Tenha um tempinho e procure mais sobre este homem de sucesso. Esta interculturalidade entre dois parceiros definem bem estas duas culturas, a árabe e a portuguesa, que sempre foram cosmopolitas. Não será um conto das mil e uma noites mas mil dias e noites com iguarias diferentes em cada dia e cada noite.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

AS ÁRVORES MORREM DE PÉ


Desta vez não vou escrever o meu artigo em estilo de ironia ou humor, mesmo que, quando isso acontece, humor ou ironia, não os deixe de escrever com toda a seriedade que todo o assunto deve ter por respeito pelo leitor.

Eu cresci na zona do Largo do Miranda, contudo, tirei a instrução primária numa pequena escola no centro Funchal que estava dividida em duas partes. A primeira, era na rua da Conceição, onde eu tinha as aulas, e a outra era na rua do Bom Jesus. Ali foi praticamente o meu recreio.

Recordo-me, sempre que por lá passo, de todas as aventuras e toda a evolução que a rua sofreu ao longo dos anos. Recordo-me quando tinha a Nova Esperança e o meu pai todas as manhãs me comprava um bolo mil folhas para o meu lanche com um Nesquik. Confesso que ainda é dos meus bolos favoritos. E o bazar, inicialmente também da Mundo da Esperança, que na cave tinha brinquedos. Ainda hoje procuro a ambulância da Playmobil que tanto desejava.

Voltando à escola, que era a Escola da Sé, recordo-me de todas as manhãs serem feitas composições no quadro de ardósia. O mestre-escola era o Senhor Professor Firmino, um homem cheio de valores e com uma enorme capacidade de ensino. Tive mesmo muita sorte por ter o melhor professor do mundo na primária. Essa escola era no início da rua da Conceição, tinha um pequeno recreio, estava ao lado do parque de estacionamento que ligava ao centro comercial do Bom Jesus, onde havia a papelaria e livraria Anny Johnny. Mas voltemos à escola. Esta escola era propriedade da Câmara Municipal do Funchal e tinha diversas várias lacunas, mas uma escola é mais que um edifício eram os professores, os contínuos, na altura chamavam-se assim, que lá colaboravam.

Pode parecer estranho, mas, nas minhas memórias, lembro-me perfeitamente do Sr. Secretário Regional da Educação, Dr. Francisco Santos, ir lá à escola, confesso que não ouvi tudo o que foi pedido para a escola, mas nunca me esqueço de se pedir uma coisa muito simples, uma simples barreira, um varandim para proteger a porta e proteger os pequenos estudantes da 1.ª classe ou até a 4.ª classe. Pelo menos esse pedido foi satisfeito.

Hoje a escola já não existe, a câmara vendeu o prédio, não sei quando, nem a razão, não quis recuperar. Está a ser recuperado para um qualquer empreendimento. Crítico, porque, com tanta falta de locais para serviços e até de apoio aos idosos, crianças e associações, vendem-se estes espaços emblemáticos que marcaram uma geração infantil de funchalenses. E depois arrenda-se espaços para ter esses mesmos serviços. Atenção, não sei que executivo fez a venda. Voltando à rua do Bom Jesus, essa sempre foi uma rua fundamental e que frequentei diariamente, bem como a João de Deus, pois, quando vinha de casa, saltava do autocarro no Campo da Barca e ia para a escola e posteriormente para a Escola Francisco Franco, onde estudei desde o 7º até ao 12º ano. Olhando para estas duas ruas… Só posso reter na minha memória o que aquelas árvores simbolizavam, no Natal o colorido que as lâmpadas lhes davam, quais frutos natalícios, que continham um encanto mágico, atrevo-me mesmo a dizer que as suas luzes e o enquadramento era o mais belo da cidade. A sombra que davam naqueles dias de calor no verão, bem como a proteção que davam das gotas mais fortes da chuva. Também me desagradava, é certo, aquela cola que deixavam as flores que caíam no tratuário e deixavam a sola dos sapatos pegajosas, mas, nessa altura, os cantoneiros e serviços camarários, em certa altura do dia, varriam as ruas que pareciam tapetes de flores em de dias procissão.

Estas árvores, que tenho quase a certeza poderem ter simbolizado o Clube Barbusano, o clube da Francisco Franco, pois eram essas as árvores que formavam alas nas áleas ao longo da Francisco Franco.

Há quem diga que as árvores morrem de pé, estas são assassinadas, sem dó e sem qualquer piedade, talvez com um sentimento de culpa de falta de conservação de outros locais que nada tiveram a ver. Recordo que, recentemente, na Papua Ocidental, na Indonésia, os aldeões mataram quase 300 crocodilos para vingar a morte de um vizinho que havia sido morto por um qualquer crocodilo. Vivemos ao nível de uma Papua Ocidental, com estes vingadores!

Mas há algo mais que me choca? É que a Quercus tem um projeto: “Vamos plantar um milhão de árvores por município para salvar o clima”, mas, cá na Madeira, na sua capital parece que essa nobre associação está emigrada ou sequestrada, pois nem um único comunicado a condenar. Recordo-me da importância fundamental das árvores num meio urbano. A morte de qualquer árvore que não coloque em causa as vidas e bens deve ser consideram um crime de lesa-natureza e esse crime imputado a quem o decreta! Será que a Quercus poderia dedicar um minuto verde a este assunto da destruição destas bonitas e imponentes árvores? Apesar de virem novas e jovens 18 árvores, nenhuma delas irá substituir as que lá existem, pelo menos nos próximos 30 anos.

Espero que todos os madeirenses guardem nas suas memórias aquela rua colorida com todas aquelas gambiaras coloridas a iluminar os nossos corações no Natal. E na próxima quadra natalícia, o espírito da época será imbuído deste triste crime ecológico.

Post Scriptum: Espero que a suspensão do julgamento das árvores da Rua João de Deus (na foto) acabe e liberte as árvores para continuarem a viver, livres e saudáveis.

Publicado no JM-Madeira - Siga Freitas

quinta-feira, 19 de julho de 2018

SOU ABSOLUTAMENTE A FAVOR DE QUEM FOR CONTRA E VICE-VERSA!


Finalmente, caros leitores, vou abrir o meu íntimo e revelar o que me vai na alma: - Serei candidato a presidente do Governo Regional da Madeira em 2119! Tã, tã, tã!

Eu sei que pode parecer chocante este meu desejo. Eu sei que ainda faltam 101 anos, mas temos que pensar no futuro.

Por esse motivo, achei por bem começar a fazer o meu programa de governo, bem como a traçar as ideias para o futuro. Para isso, basta olhar para o ar de felicidade dos leitores. Só por isso, já mereceu entrar na política.

Vamos às grandes áreas do meu programa:

Grandes obras, sou contra. Quer dizer, sou a favor. Mas se calhar é melhor ser contra.

Na saúde, tenho estado a refletir, aqui no meu quintal e penso como é que será que as estrelas estão no céu?

Já em relação ao gado nas serras, devemos todos unir em cordão, como aquele que fizemos quando o Governo de AJJ disse que ia fazer a lindíssima praça do povo, e nós éramos contra, e fazer com que todos estejam em sintonia com o universo e seres do além.

Na educação, as nossas crianças são o melhor que temos e vou criar uma bolsa no valor da propina, quer dizer no valor da propina desde que seja para aquilo que dê. Se calhar dará para uma bica num semestre. Já não é mau. O que conta é a intenção, não a execução, era para os governos do AJJ, ainda não tinha pensado e já tinha feito, uma precipitação, uma leviandade!

Em relação ao Governo da República, vou dar um murro na mesa e depois a culpa só pode ser do governo dessa altura que não passa de bloqueio, eles não dão o NIB para transferir o dinheiro.

​Aos partidos, sou contra, sou independente e ao mesmo tempo dependente. É uma questão pertinente que irei analisar com a máxima atenção.

Já as festas sou a favor, desde que não haja música, nem fogo de estalo, muito menos de artifício, pelo menos de tudo acontecer já lá diz o nosso povo, com a sua sabedoria, casa roubada, trancas à porta, agora cortamos todas as árvores ainda antes de crescerem. Aquelas bandeirinhas com a cruz de Cristo, confesso que já me fazem confusão. É algo a rever. Já a boneca de massa é uma coisa linda, não sei bem porque temos isso. Aquilo nem serve para comer. Mas vamos fazer todas as festas, se calhar transformamos a festa em várias barracas pela ilha toda, com vários concertos, tipo assim uma coisa ao fim do dia, estão a ver… tipo sunset, em que as pessoas têm toda a disponibilidade e possibilidade. Ficará lindo, mesmo que não haja viva alma para assistir.

​Vou reinaugurar estradas com novos nomes, piscinas e quem sabe se não pinto qualquer coisa com as cores do partido que represento? Isto ficará lindo. Já estou a pensar na Rua 30 de fevereiro, o dia que mudou por completo a política na região, o dia em que começaram a existir propostas sérias!

Vou trabalhar pelas pessoas.

Farei um trabalho singular ao nível de tudo e mais qualquer coisa.

​Irei visitar todas as comunidades madeirenses, até a mais remota, numas ilhas paradísicas na Nova Zelândia. Eu soube que passou por lá uma vez um madeirense, que fez algo de relevante pela Madeira. Se possível irei tentar visitar duas ou três vezes.

​Todos aqueles que votarem contra qualquer coisa que tenha merecido a unanimidade de todos, de mim não esperem qualquer sinal de mobilidade, eu não concordo nem discordo e nem sequer sei de nada.

Afinal, nas grandes obras sou a favor.

Finalmente, eu sei que sou candidato a presidente do Governo em 2119, mas para ano em 2120 acho que serei candidato a Primeiro-Ministro, penso que se enquadra mais comigo. Tem tudo a ver comigo. Mas agora pensem em 2119, pois irei dar o meu melhor.

Caros leitores, guardem este artigo para bem do futuro. Pois, só estas propostas são viáveis. Ah… E como irei concretizar tudo isto? Tem de haver dinheiro! Não pergunte como irei conseguir o dinheiro! Tem de haver. E se não houver dinheiro a culpa é de quem não nos apoia!

Vote em mim!

Post-Scriptum: Quase que me esquecia da proposta mais importante: finalmente irei concretizar, 100 anos depois, arroz de lapas a património imaterial da humidade e afins.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Crie o seu próprio Unicórnio!


No dia-a-dia dos empreendedores, Unicórnios são empresas que ganham rapidamente uma avaliação de mil milhões de dólares ou mais. Esta designação vem de um artigo de um capitalista de risco, Aileen Lee, em novembro de 2013.

Enquanto antes, todos diriam que existia um elefante na sala, este mesmo foi substituído por um unicórnio, pois estas startups conseguem chegar aos mil milhões de dólares. Por exemplo, o tempo que antes de 1998 demorava a atingir uma avaliação desta dimensão era de 20 anos, enquanto o Google, foi uma das primeiras a conseguir baixar dos 10 anos, enquanto o Facebook foram 5 anos, até que, atualmente, temos empresas como Snapchat e Oculus Rift que demoraram 1 ano.

Todos procuram, sejam investidores, sejam como os próprios empreendedores tentam saber como encontrar e como ser unicórnio. A verdade é que estas startups não estão à mão de semear. Contudo as empresas aprenderam a escalar, e o nome correto é de Organizações Exponenciais. Mas o que faz destas empresas unicórnios?

Por exemplo, numa área tradicional sem tecnologia, foi verificado que uma empresa como a Johnson & Johnson demora cerca de 300 dias para ir de uma ideia a um novo produto para a prateleira de qualquer supermercado, enquanto uma empresa Quirky (considerada organização exponencial) demora cerca de 29 dias. Mas será só lançar produtos e produtos?

Estas empresas são um os novos atrativos, mas, olhando para o mapa-múndi verificamos que 52% destas empresas estão na Califórnia. Em Portugal, também temos algumas, uma das mais conhecidas é a Yupido. Esta empresa levantou suspeitas por aumentar o seu capital em 28 mil milhões em novembro de 2017. Isto levantou muitas suspeitas e, até hoje, não se percebe a razão, até porque não houve lançamento de nada, mas dizem ter um produto/software que irá revolucionar o mundo.

Existe vários modelos de negócio para estas startups serem Unicórnios, mas não é factual, pois há quem diga que é necessário existirem nos fundadores 4 pessoas: um visionário, um especialista UX (experiência no utilizador), um guru em engenharia e um especialista em negócios/finanças. Existem, de facto, múltiplos fatores para criar uma destas empresas.

Logo, amigos, mãos à obra e toca a criar o próximo Unicórnio!

quinta-feira, 5 de julho de 2018

A AUTONOMIA É O PODER DE CONSTRUIR O FUTURO


Este mês iniciou-se com o Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses, um dia verdadeiramente importante e que é celebrado por todos os madeirenses, vivam ou não na nossa Região.

Mas que valores ainda nos trazem a Autonomia? Há quem diga que temos autonomia e não sabemos usar. Que autonomia é essa?

O sentem e vivem os madeirenses sobre da Autonomia? Uma Autonomia que possibilita termos um Governo e uma Assembleia. Mas a Autonomia, que é de dos madeirenses, não é apenas isso. Como viver e como sentir a autonomia?

Vamos a uma metáfora, daquelas que, muitas vezes, utilizo. Melhor, uma parábola.

Somos todos uma família, e existe um pai autoritário, nós, não passamos de seus filhos. Decidimos sair de casa e fazer uma casa ao lado da dos nossos pais, pois já temos alguns anos e capacidades para desenvolver mais e melhor as nossas capacidades e, além do mais, queremos constituir família.

Na construção dessa casa, ele permite ter duas portas, mas só uma está disponível para utilizar. Uma daquelas só podemos usar no Verão, pois alega que no Inverno faz chuva. Já no resto dos meses podemos usar a outra porta, mas, atenção, há dias em que ele solta um cão que nos odeia e não nos deixa entrar em casa, acabamos, muitas vezes, por ter de ir para a casa da sogra dormir.

Finalmente, dizemos vamos: trabalhar e ganhar algum dinheiro para melhorar a casa e ter mais portas, mais janelas e, quem sabe, ter algum luxo. Mas o pai diz que parte desse dinheiro é para pagar a casa que construímos ao lado, pois diz que já deu o terreno e o terreno valia muito dinheiro, tudo mentira, pois aquele terreno era de agricultura e quem plantava era o filho, logo era do seu suor.

No meio disto tudo, os filhos que vivem lá em casa têm todos os luxos, piscina, pois vivem na casa do pai, ginásio e podem sair e entrar de casa pagando uma mera portagem, mas sem qualquer tipo de inconveniente.

Já o filho que decidiu ser autónomo vê-se cada vez mais apertado, sem dinheiro, muitas vezes sem conseguir entrar ou sair de casa, perante as regras e leis ditatoriais do pai. Até que a esposa, as mulheres nestes casos têm sempre uma postura inaudita e de furacão, daí os furacões terem sempre um nome feminino, a mulher diz: temos de tomar uma atitude, vamos criar as nossas leis e ele terá que ceder, pois a verdade é que o terreno aqui estava desvalorizado, e nós valorizamo-lo. Trouxemos beleza com o nosso jardim e, mais certo que isso tudo, dilatamos o nome da família cada vez mais longe. Temos financiado o empréstimo para ele pagar a casa dele, mas ele não nos ajuda quando estamos doentes, não nos deixa financiar e, quando vamos à casa dele, temos que levar tudo. Basta!

A Autonomia é isto! Era termos a capacidade de sermos mais e conseguirmos atingir mais sucesso. Portugal faz parte deste sucesso, o pai, que não queremos que seja um pais. Queremos que vejam que somos uma região como é a região de Lisboa e Vale do Tejo ou o Algarve. É isso que se procura.

A Autonomia precisa de ser renovada, mas, acima de tudo, novamente conquistada. E as conquistas nunca se fizeram com amizades, beijos e abraços. Já aqueles que são mandatários e anti-autonomia, com promessas de sereia, não merecem ser parte desta Autonomia. Atenção aos falsos profetas que alegam sempre: “para que querem mais Autonomia, se têm Autonomia e não a usam?” A questão essencial não é essa. A Autonomia só existirá quando pudermos ser nós a traçar o caminho que nos permita construir o nosso futuro.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

DEIXEM-SE DE GRAXA!

Primeira nota: Esta semana pensei em falar de um assunto verdadeiramente importante, penso que mais importante que o desemprego, mais importante que a corrupção, que os altos impostos que somos obrigados a pagar, que a pouca vergonha que se passa no desporto nacional, mais importante que a crise de refugiados, mais importante que a guerra na Síria, mais importante que o encontro entre o Trump e o Kim. Logo, acima disto tudo, só podia ser o busto do Cristiano Ronaldo no aeroporto.

Por entre um titubear momentâneo, lá consegui equilibrar-me e magnanimamente pensar: só podem estar a gozar comigo!

É claro que não há publicidade boa ou publicidade má, a verdade é que com o antigo busto, toda a imprensa mundial brincou e isso fez com que o nome da Madeira fosse falado. Mas, sejamos honestos, o busto poderia ser um pouco melhor. Tal como a estátua à beira do museu, que deveria ser à dimensão dele, devia ser proporcional e etc… Tirando os meus artigos, que, muitas vezes, são inócuos para os que não se interessam pelos assuntos que abordo. Penso que o debate não vale. É uma opção, neste caso do próprio, e é a imagem dele que está em causa, e não a minha ou a de todos os que preferem A ou B. Na minha humilde opinião, preferia o primeiro, mas sinceramente tanto faz. É o melhor do Mundo, e o que interessa é que Portugal ganhe hoje, desta vez com uma boa exibição e com o nosso Cristiano, novamente com uma bela prestação para chegarmos à final, e claro, porque nos é permitido sonhar, ganharmos o Mundial.

Segunda nota: A semana passada, estava a chegar ao meu local de trabalho e fui abordado por um senhor que não conheço. E disse-me: “você é o jornalista?” e eu simpaticamente respondi: “não.” Confesso que não entendi onde o senhor queria chegar, mas ele lá continuou.

Antes todos “lambiam os sapatos ao anterior governo, agora é a estes, mas vão ver…” (não me recordo se foram bem estas as palavras, mas a ideia era esta). Como só mais tarde apercebi-me de que ele achava que por eu escrever estas palavras era jornalista, atenção, não sou, nem tenciono ser. Ele, entretanto, seguiu o seu trajeto e eu fiquei a pensar. Como é óbvio as palavras não foram dirigidas para mim, todavia, numa e muito remota hipótese, caso fossem, eu acho que ninguém precisa lamber os sapatos ao anterior governo, muito menos eu, eu reconheço e agradeço tudo o que fez pela Região Autónoma da Madeira. Quanto à ameaça velada, pensei: será que aqueles que vêm aí a mando do continente são aqueles que expulsaram não sei quantos para manterem-se no poder na Câmara e tiveram guerras e mais guerras? Esses que precisam de palcos para brilhar e que outros os vão lá lamber para serem alguém? Mas já agora, por falar em lamber, não há nada como recordar na RTP-Madeira as palavras de certo presidente: “enquanto presidente de Câmara nunca teria aprovado”. Para minutos depois dizer: “Ainda bem que deixou a Calheta e veio para a cidade, porque aquilo que nós precisamos é de investimento.” Cá está uma grande lambidela ao sabor do vento. Com tanta lambidela, ainda acaba lambuzado!! Em bom madeirense, deixem-se de graxa!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

AI SE PODEMOS!


Pablo Iglesias, líder do partido da esquerda radical espanhola, uma espécie de Bloco de Esquerda espanhol, e sua esposa, que, por acaso, é uma espécie de líder parlamentar lá do partido comparam uma vivenda no valor superior aos 600 mil euros.

Mas o que teria isso de especial? Nada… Se em 2012 Pablito não tivesse exigido a demissão do ministro da Economia da altura com a seguinte publicação: “Entregarias a política económica do país a quem gasta 600 mil euros num apartamento de luxo?” Eis que em 2018, Pablo Iglesias responde ele próprio à questão: “depende de quem vai viver lá em casa.”

A verdade é que o Pablo e a Irene fizeram uma chantagem aos militantes ou apoiantes do Podemos, submeteram-se a uma votação para ver se deviam ou não se demitir. A ética? O código de ética? José María González, presidente da Câmara de Cádiz e militante do Podemos disse: “O código de ética do Podemos não é uma formalidade. É um compromisso em viver como as pessoas de trabalho para que as possamos representar.” E ele tem toda a razão. Eu, neste momento, tenho um forte desejo de ser militante do Podemos, pois acredito que o Podemos poderá realizar um dos meus sonhos e facilitar-me no acesso a uma humilde mansão de 600 mil euros.

Cá em Portugal, a Mariana, a criadora dos impostos para ricos ou pseudo-ricos, nada comenta, mas se o Pablo tivesse uma casita tipo Podemos cá em Portugal, coisa que ele não arrisca, abalançava-se a ter de pagar mais uns euritos, ou será que teria alguma isenção por ser da mesma família política? Claro que não, em nome da transparência que o Podemos pratica, não sei é se divulgou no seu site a mansão com fotos e tudo, a tomarem banhos languidamente, ele e “su mujer”!. Agora dir-me-á o leitor: mas a extrema-esquerda cria exceções para eles e depois ainda se finge de apoiante dos bons costumes da Esquerda?

Esta esquerda caviar tanto em Portugal como em Espanha quer cobrar aos outros, mas não querem pagar nada. Veja-se a lei do financiamento partidário que eles faziam à socapa. Mas tudo de forma legal. Tudo de forma ética. Tudo de forma 100% correta e até gamar aos pobres ou àqueles que por mérito e esforço do trabalho conquistaram uma vida condigna.

Estes partidos que tanto apregoam uma pureza ética, na verdade não passam de meros hipócritas que fazem-se passar pelo povo e são aqueles que mais prejudicam o mesmo povo em seu próprio benefício. “Si, se puede”, oh se pode!

Post Scriptum: Gostei de ver os anti-autonomistas na passada segunda-feira a espumarem-se pela boca de raiva por verem o Homem que mais lutou pela Autonomia a receber a mais alta condecoração da Região Autónoma da Madeira. Mas esta condecoração não é suficiente, é preciso mais! Quanto aos anti-autonomistas que andam com azia, penso que Kompensan ou outra pastilhinha para azia resolve-lhes o problema.

Publicado no JM-Madeira - Siga Freitas