quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O MEU FILHO DESPERTA A CRIANÇA QUE HÁ EM MIM!


Nos últimos quase 4 anos, a minha vida social mudou drasticamente. O que quero com isto dizer é que agora a minha vida social rege-se pelo meu maravilhoso filho.

As festas a que normalmente vou são festas de aniversário de crianças, que acabam no máximo às 18 horas ou às 13 horas. Ultimamente tento deixá-lo lá e ir dar uma volta, mas é necessário ir lá buscar… confesso que é muito divertido.

Já em casa, a diversão, ultimamente, resume-se ao Luccas Neto, ao Brancoala, no Youtube, vemos vídeos sem parar, dos mesmos. Confesso que a nova casa do Brancoala no Estados Unidos é fantástica, eu sei… eu sei… não sabem do que estou falar… Mas é possível que brevemente descubram.

Além de ter que ler histórias, não para dormir, porque não é esse o hobby favorito, é necessário brincar com as Nerf’s. Vou explicar, a nossa casa transforma-se num espaço de combate, em que eu sou sempre o mau, muitas vezes, nem posso ter Nerf, em que tem de haver um som de fundo, normalmente o Luccas ou o Brancoala, igualmente a brincar com uma Nerf, e temos que tentar acertar com as “balas” de esponja. Ah… é verdade… A Nerf é uma espécie de arma que possui umas munições de esponja que saem com alguma pressão.

É claro que este é um dos momentos mais altos do meu dia… Brincar com as Nerf’s.

É verdade, também em relação à atividade física, resume-se à natação a que o levo, quando tenho disponibilidade. É verdade, quando se fala em autonomia é aqui que espero que ele encontre, pois também desejo atirar-me à água para poder praticar, acredito que nunca farei um Porto Santo até à Madeira, mas já ficaria contente fazer um Ponta Gorda até à prancha.

Outro grande momento na vida social é, sem dúvida, quando me sento a ir apoiar o Marítimo no nosso estádio e ver algum jogo de futebol, já o tentei levar, confesso, mas ele fica preocupado quando os jogadores caem e diz: “eles fizeram um doidoi grande!” e quer sair ao intervalo.

É verdade, recentemente, fomos ao cinema, fomos assistir ao Rei Leão. Foi a primeira vez dele, e a minha primeira vez no cinema, nos últimos 4 anos… Ele a meio já estava algo cansado, até que, finalmente, apareceu o Timon e o Pumba, aí tornou-se tudo mais divertido e no fim chorava revoltado, pois o filme tinha acabado e queria mais. Quem é que o entende?

E praia? É verdade, a praia, é tudo muito fantástico! Com exceção da entrada na água, pois a mesma está fria. E que tal a água estar mais quente, só para agradar-lhe? Boa?

Ah é verdade… E aquelas aplicações que colocam máscaras e fazem efeitos na nossa imagem? Essa é, sem dúvida, uma diversão sem paralelo, pois há numa dessas miscelâneas de apps em que eu fico com a cara dele e ele com a minha… É uma comédia!

Uma coisa é certa, estes e outros tantos momentos que eu, ele e a minha esposa temos e estamos juntos são dos melhores investidos, o investimento não é essencialmente nele, mas é fundamentalmente em mim, na aprendizagem, na alegria que levo em mim. Ele era algo que faltava em mim e eu não sabia que faltava… Ah também, é claro, brincar com as Nerf’s. Ah é verdade: o meu filho desperta a criança que há em mim! E cuida-a bem.

Post Scriptum: Aguardo ansiosamente que ele possa começar a jogar Playstation.

Publicado nesta quinzena JM-Madeira

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

“AMAZÓNIA, INSÓNIA DO MUNDO”


Conta-se que no hinduísmo, em especial o nepalês, acredita-se que a melhor pessoa do mundo, possui algo de mau, ao mesmo tempo a pior pessoa do mundo possui algo de bom. A batalha interior que cada um trava para derrotar o mal é imensa.

Com isto quero dizer que a líder ou coordenadora do Bloco de Esquerda, por vezes consegue encontrar o seu lado bom ou então o seu lado mau, dependendo da ocasião.

Veja-se o que ela disse: “Amazónia a arder. Uma tragédia que tem responsáveis.”, e ela tem toda a razão, pois, se a Amazónia é Património Mundial da Humanidade, a responsabilidade é de todos nós.

Contudo, noutro cenário, a mesma coordenadora rezava para que chovesse, sem que apontasse qualquer responsável. Tal como defende o hinduísmo, todos temos algo de bom e de mau no nosso íntimo.

Mas vamos ao cerne da questão: a Amazónia está a arder e isso preocupa-nos a todos, todos somos responsáveis, todos, sem exceção, todos os que compram livros, todos os que comem carne, todos os que comem soja, todos nós temos uma quota-parte de responsabilidade no problema do eventual desaparecimento da Amazónia.

Mas será que só a Amazónia nos deve preocupar? Os nossos hábitos têm que mudar, os fornecedores têm que procurar ir ao encontro de algo mais sustentável para o Mundo.

Recordo-me das excelentes campanhas que tivemos na Madeira, algo que devia ser recuperado, a geração do fim dos anos 80 e início dos 90 lembra-se, com certeza, do “João Verdinho”. Diria que foi das campanhas mais bem conseguidas, de sempre, de uma entidade governamental em Portugal.

Quem não se recorda do videoclip em que aparecia o João Verdinho e cantava uma música, em que, durante a mesma, passava por um local em que havia eletrodomésticos e lixo abandonado e dizia: “Mas o que se passa aqui?”, ele ficava preocupado e depois apelava ao reduzir, reutilizar e reciclar… Algo que parece que voltou a estar esquecido da nossa população.

O Mundo necessita de novos “Joões Verdinhos” em que se volte a tratar do meio ambiente, mas devemos começar a tratar melhor a nossa Laurissilva, que, neste momento, está meia despida, semi-nua, mas também o nosso parque natural, que perdeu o seu mar verde, devido aos incêndios, mas também às nossas ribeiras e ribeiros. Agora urge recuperar, necessitamos voltar a mostrar as nossas paisagens, a integração cosmopolita com o meio ambiente, e criar incentivos para que a Região Autónoma da Madeira, mas também o Mundo seja mais sustentável do ponto de vista ambiental.

A Amazónia arde, como ardeu Pedrogão, como ardeu o Pinhal de Leiria, como ardeu a Califórnia, como há dias ardia Canárias… Ninguém tomará essas terras, por não serem fundamentais ao Mundo, mas querem a Amazónia?! Todos pela grande floresta tropical, para que não seja a “Amazónia insónia do Mundo”, como diz um refrão de um poema cantando pelo grande cantor brasileiro Roberto Carlos.

Publicado no JM-Madeira

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

“CELEBRATE LOW BIRTH RATES!”


Recentemente, a agência The Great Decrease, que alerta para as consequências do crescimento da população, defendendo que esse crescimento é responsável pelas alterações climáticas, a perda da biodiversidade e a escassez de recursos, colocou um cartaz em Portugal que dizia: “Celebrate low birth rates!”, que quer dizer: “Celebre a baixa natalidade”.

É uma má notícia para Portugal! De acordo com a Pordata, em 1960 a taxa bruta de natalidade era de 24,1 e passou, o ano passado, para 8,4 nascimentos por 1000 habitantes. Tal, irá provocar um decréscimo de portugueses, que, desde o fim dos anos 70 rondou, os 10 milhões habitantes. Já os dados do Instituto Nacional de Estatística, desde 2007, tem mais mortes que nascimentos (exceção de 2008), no ano de 2017 existiram mais 23 432 mortes que nascimentos.

É algo alarmante! É preocupante!

Na passada semana, o JM publicava que o “Saldo migratório cresceu quase 8 vezes entre 2017 e 2018, mas o mesmo não foi suficiente para compensar (…) o decréscimo populacional.” O que é preocupante, pois, caso não tivesse existido esta entrada de pessoas, o saldo seria mais negativo.

A falta de sustentabilidade da população, além do natural, implica a diminuição da população, e faz diminuir o número de jovens, o que, associado ao aumento da esperança de vida, provoca o envelhecimento da população, logo cria-se novos desafios a toda a sociedade, a nível da sustentabilidade financeira dos sistemas de segurança social.

Quais os principais motivos de os portugueses não quererem ter filhos? A Fundação Francisco Manuel dos Santos verificou que as barreiras económicas e laborais são as principais, e só após essas é que aparecem as motivações pessoais.

Também algo que é muito abordado é que as exigências da sociedade atual são um impedimento a aumentar a natalidade. Vou falar-vos do meu exemplo, só fui para a creche, com 5 anos, isto é, pré-primária. Já o meu filho está desde os 11 meses. Uma diferença notória. Esta exigência coloca um custo acrescido às famílias que procuram constituir família. A minha avó foi a pessoa que cuidou de mim, algo de que o meu filho beneficia com a frequência que a vida atual beneficia. Aqui está mais uma diferença.

Quando se fala em apoio à natalidade, não se está a falar de apoios diretos, pois não pode ser só: “tem a criança que o Estado dá-te apoio!” É preciso: estabilidade laboral, um código de trabalho que faça as empresas investir, mas também criem postos de trabalho estáveis. Este argumento seria fácil rebater, pois países com pouca estabilidade laboral, ou até em guerra têm maior taxa de natalidade. Mas é óbvio que são sociedades que não podem ser comparáveis, já que há diferenças culturais, sociais e económicas. No entanto, existem fatores essencialmente de índole pessoal que não devem ser escamoteados: há casais que têm diferentes visões, por exemplo, viajar, gozar a vida a dois, estabelecer uma carreira e só depois pensar em filhos. Não existem apoios suficientes, nem durante tempo suficiente para que tenham filhos, já outros não querem tomar uma decisão que os prendam eternamente.

Se, por um lado, temos um país que envelhece, por outro, é fundamental existir um pacto social para que se lancem os apoios diretos e indiretos para a natalidade.

O início deste artigo é para a esquerda usar o argumento para não aceita qualquer tipo de pacto. Para existir um controlo de natalidade, esse deverá ser mundial, sem nunca os países perderem a sua sustentabilidade e nunca comprometendo o seu futuro.

Artigo publicado no JM-Madeira

quarta-feira, 31 de julho de 2019

FILHO DE “PAPAI” VAI PARA EMBAIXADOR!


“Pretendo beneficiar meu filho sim!”, estas palavras causaram indignação no Brasil e em Portugal, por uma esquerda que está sempre pronta a atacar tudo o que não seja da sua área política. Isto é, os bons costumes só interessam àqueles que não são da sua área política. Se em algum país de esquerda ou algo assim semelhante se viola os direitos do Homem não interessa, fizeram bem, se fazem atentados contra a população não interessa, são de esquerda e são bons rapazes.

Claro que seria escândalo, Jair Bolsonaro colocar um filho como ministro ou sei lá, a esposa como ministra, quem sabe até indicar como candidato a alguma coisa. Tudo isto seria um escândalo de dimensão Mundial e a esquerda viria toda contestar. Também seria um escândalo, obrigar um deputado a renunciar ao mandato, porque havia uma mana na cúpula do partido que a queria ter próxima de si no Parlamento. Ai… Se fosse o Trump… O que não diria a esquerda.

Tenho a certeza que argumentaria: o filho de um professor, pode ser professor, o filho de um médico, pode ser médico, um filho de um canalizador pode ser canalizador, por que carga de água, é que o filho de um político não pode ser político?

E teria toda a razão, um filho de político pode ser político, desde o momento em que “político” seja profissão, que eu saiba ninguém é político por profissão, normalmente são juristas, advogados, engenheiros, pedreiros, ferreiros, mineiros e todas as outras profissões, agora, a profissão de político foi a primeira vez que ouvi dizer… Mas claro que pode ser! Desde que sejam de esquerda!

Ainda bem, que este tipo de coisas de beneficiar os filhos e colocar em lugares apetecíveis, até eu gostaria de ser embaixador nos Estados Unidos ou nas Nações Unidas, é algo que só se vê em países como o Brasil e até nos Estados Unidos América, em que o Trump colocou filha e genro em diversos locais.

Cá na nossa terra, nenhum político atrever-se-ia a fazer, até porque cá é só com mérito e muito trabalho, trabalho no duro e que duro é o trabalho.

Como diria o candidato à Ordem dos Arquitetos e que foi deputado na República pelo Partido Socialista da Madeira: “Mais um filho do papá. Não há paciência.” De certeza que se referia ao Eduardo Bolsonaro filho de papai.

Siga Freitas - JM-Madeira

domingo, 28 de julho de 2019

UNIR PARA INGLÊS VER

Partido Socialista assume o erro em não ter colocado a Liliana como candidata e agora convida Carlos Pereira para ser o seu candidato às eleições legislativas nacionais.

Este não é um sapo que o candidato a Presidente do Governo Regional pelo PS-Madeira está a engolir, é um verdadeiro elefante. Nota: no meio disto tudo, ninguém sabe quem é o líder do PS-Madeira.

No meio disto tudo há prós e contras:

Prós – aparente união, candidato válido, que trabalhou nos últimos meses, já conhece os passos perdidos da Assembleia da República e outras; Contra – Caso o PS-Madeira perca as eleições regionais, ele irá pedir a cabeça ao líder, mas o problema, caso ele não tenha melhor resultado na semana seguinte, também ele perde a cabeça e fica fora de uma putativa corrida à liderança do PS. Sendo candidato à AR, não será colocado em secretário regional;

Já agora, o Carlos Pereira pode ter algo para sorrir, pois continuará como deputado na AR, mas a felicidade é mais para os outsiders, porque, caso os resultados sejam maus, serão nas duas eleições e os candidatos à liderança do PS-Madeira serão esses outsiders. Logo, Carlos Pereira terá que fazer uma campanha junto do candidato e também aqui ele próprio engolir umas solas de sapatos.

No meio de tudo isto, o PS-Madeira entra em jogo em setembro com todas as suas fichas, com vontade de vencer as duas eleições e demonstra isso de forma clara. Desta vez, ao contrário destes 40 anos, apresenta o candidato com francas possibilidades de ganhar.

A grande vantagem no meio de tudo isto é que nestas eleições só existem dois partidos com possibilidade de ganhar, todos os outros já disseram com quem farão ou não coligação, por esse motivo está demonstrado que votar nos outros partidos é o mesmo que votar num destes dois partidos. Logo, há que criar uma estabilidade governativa, pois é disso que a Região Autónoma da Madeira precisa, e para quê votar nos pequenos partidos? Aqui só temos duas opções ou o PSD ganha ou o PS ganha.

Todos os votos contam e todos os votos são úteis, não podemos querer que aquele partido faça um acordo com partido A ou B, para criar instabilidade e dificuldades governativas, consequentemente dificuldades na vida de todos nós, com impedimos para criar forças de bloqueio às ações governativas. Este cenário aplica-se tanto a uma putativa vitória do PS como do PSD.

Concluindo, só existem duas opções, ninguém vai votar no partido Z ou Y para que os candidatos do Partido Socialista ou o PSD ganhem, vota logo nesses candidatos, ou não?

Publicado no JM-Madeira - Siga Freitas

domingo, 7 de julho de 2019

Copiar criando o seu próprio modelo


No mês passado tive oportunidade de ir à Hong Kong e por sua vez à China, este país, que é a fábrica do Mundo, começou por fazer o que os outros países desenvolviam e assim só reproduziam para essas marcas os seus produtos já desenvolvidos.

Hoje a China continua a fazer o mesmo que fazia, contudo começou por copiar essa tecnologia e posteriormente melhorou e cresceu e evoluiu, hoje faz algo melhor do que as grandes marcas faziam. Não é por acaso a ascensão da Huawei, já com produtos melhores e mais desenvolvidos que uma Apple.

Noutro dia, lia uma entrevista a um treinador português que dizia que os treinadores portugueses eram os melhores do Mundo, porque tinham a capacidade de copiar e ir beber as ideias de outros e assim criavam o seu próprio modelo e evoluiu. O treinador não era o que melhor copiava, mas o que copiava e aperfeiçoava ao seu próprio modelo de jogo. Nos negócios e empreendedorismo é o mesmo. E temos outros exemplos, bem mais próximos do Mundo Ocidental, sendo que um dos mais conhecidos é o próprio Mcdonalds ou até o Burguer King. Se no primeiro, foi a criação de modelo de negócio com base no negócio de alguém, quase um usurpação do mesmo, aconselho a ver o filme The founder, já o segundo foi a cópia do primeiro McDonalds, mas que conseguiu aperfeiçoar e melhorar.

Na tecnologia, também aconteceu o mesmo, desde a Microsoft, até ao Facebook, passando por tantos negócios, que ao serem copiados são melhorados.

O empreendedorismo muitas vezes é o “copiar", mas com a introdução de uma inovação, é isso que a China tem feito e com isso acabará por ser líder mundial em tudo, basta quererem, pois são muitos mais, têm recursos e atualmente poder económico para tal. Não chega copiar, mas ajuda a evoluir.

Publicado na Revista Madeira Digital - Julho

600 ANOS DE MADEIRA E 43 DE AUTONOMIA


Como todos sabemos, esta última segunda-feira, celebrou-se o Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses, ou simplesmente o Dia da Madeira. A Madeira continua sempre além-fronteiras, porque, em cada madeirense, está a Madeira.
Confesso que, o discurso do Sr. Deputado Miguel de Sousa, caraterizou - e bem! - o quanto foi necessário termos um herói político para conseguir e consolidar a Autonomia na nossa Região: “a liderança política de Alberto João Jardim foi decisiva não só para a conquista como para a consolidação da Autonomia.” E mais: “Não há feitos históricos sem heróis. A Autonomia tem o seu.”

A verdade é que muito falta cumprir neste percurso para cumprir a Autonomia plena, nomeadamente na questão do Sistema Fiscal, da continuidade territorial, o Ensino Superior, a Investigação Científica, bem como o desenvolvimento das nossas Indústrias e Setor de Serviços, seja o Turismo, seja a Agricultura e outras que, perante a nossa unicidade de insularidade em pleno Atlântico, são inexoráveis.

Nestes dias, temos lido e visto várias manifestações em Hong Kong, uma ilha e região administrativa especial da China. Mas já em 2014, os habitantes da ilha realizaram a Revolução dos Guarda-Chuvas que, resumidamente, era contra a situação de que pessoas próximas de Pequim indicassem três candidatos e de, só após essa indicação, é que seriam votados pelo povo de Hong Kong. Chamou-se Revolução dos Guarda-Chuvas devido aos guarda-chuvas utilizados para protegerem-se do gás lacrimogénio.

A Madeira nunca precisou que existissem candidatos indicados por Lisboa, com exceção de alguns partidos que tiveram essas práticas no início da nossa Autonomia e ao que parece mais recentemente. Verifica-se tal situação, em que cúpulas de partidos com sedes em Lisboa indicam quem deve e não deve ser candidato. Contra todos os princípios fundamentais da Autonomia! Felizmente, os madeirenses terão oportunidade de, sem qualquer revolução, ou melhor, através de uma “revolução tranquila”, continuarem a transformar a Madeira e a negar esses mandatados de Lisboa.

Mas voltemos ao cerne da Nossa Madeira - os desafios da Autonomia de hoje não são os mesmo de 1976, mas há muitos que ainda não os identificaram e continuam apenas com a propaganda de coisas como o Ferry o ano todo, mais uma ou outra coisa material…

1. Precisamos de mudar as mentalidades, com isto quero dizer algo de grandioso, não aceitamos ser um povo servidor - havemos de acentuar a nossa idiossincrasia de povo sonhador, ter a capacidade de encarar o futuro olhos nos olhos.

2. Em questões concretas, precisamos de garantir a continuidade territorial, seja via aérea seja via marítima.

3. Emprego só se constrói com a existência de um novo sistema fiscal, que atraia novas empresas, novas indústrias, novas áreas de economia para a nossa região;

4. No ensino superior e investigação, é necessário conseguir garantir a Autonomia necessária para atrair-se mais investigadores, mas também aumentar a oferta formativa a nível internacional, sem ser apenas uma universidade local e para os locais, mas uma universidade para o Mundo.

4. A questão social, tal como os nossos familiares mais velhos e com algumas enfermidades que necessitam de cuidados e locais adequados, seja em suas casas, seja em residências próximas dos seus familiares. Eles foram e são pilares da criação da nossa terra e da nossa Autonomia, foram eles os grandes obreiros da nossa Madeira.

Consolidamos a Autonomia, contudo falta cumprir a plenitude da nossa Autonomia!

Publicado no JM-Madeira no Siga Freitas

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A VIDA SIMPLES DE JOSÉ BERARDO


Esta última semana ficou marcada pela audição do comendador Joe Berardo, ou José Berardo, um nome mais frugal e português para uma vida tão simples e despojada, à comissão de inquérito da CGD. A minha opinião, até pode ser algo polémica, porque vai contra o status quo estabelecido na opinião pública.

Mas há várias questões que gostaria de colocar e que todos fizéssemos uma profunda reflexão.

Quem conhece a história e/ou biografia de Champalimaud verá algumas semelhanças, nomeadamente no regresso a Portugal após o 25 de abril e com o apoio dos diversos governos e até na venda dos bancos ao capital estrangeiro. A grande diferença? Não foram os portugueses que acabaram a pagar a fatura.

Vamos ao comendador Joe Berardo, algo estranho, o Presidente da República dá a entender que pretende retirar a ordem honorífica atribuída, mas será que ainda espera pela condenação do seu amigo, com quem ia para o Estoril Open, Ricardo Salgado, para retirar a este? Este sim, que colocou em causa a vida de diversas famílias portuguesas.

Voltemos ao comendador Joe Berardo teve uma audição péssima, a verdade é essa. Correu mal, mal preparada, mas foi genuína, foi ele próprio. Primeiro: não devia ter respondido a nada; segundo: caso respondesse já devia ter treinado com o advogado e com os seus assessores o que dizer ou não dizer.

Mas vamos ao cerne da questão: Joe Berardo não é o mau da fita, neste enredo complicado. Ele, como qualquer cidadão, contraiu um empréstimo, algo que há pessoas que fazem para fazer uma viagem, sim é verdade, há pessoas que fazem empréstimos para fazer uma viagem de sonho que pode acabar em pesadelo quando regressarem. É claro que não falámos de milhões, mas também estamos a falar de dimensões diferentes e poder económico diferentes.

Quando se contrai um empréstimo é de facto um termo muito bem aplicado, porque “contrair” é quase como se fosse uma doença venérea. Há uns anos, os bancos e instituições de crédito não queriam saber muito bem das garantias, era crédito fácil... Tinham taxas de esforço de 150% ou até mais, hoje seria impossível, mas a verdade é que tal acontecia e ninguém se preocupou com nada.

Aqui quem é que está mal? A pessoa que sonha em fazer uma viagem? Quem lhe dá essa possibilidade de fazer a viagem, sem se preocupar se essa pessoa lhe pode pagar o empréstimo da viagem? Penso que em primeiro lugar devia ter sido quem lhe emprestou o dinheiro a ser responsabilizado, pois emprestou sem ter qualquer tipo de garantia que ia reaver o dinheiro. E agora? Claro que quem contraiu o empréstimo também deve ser responsabilizado, pois, em vez de ter pensado em ir às Maldivas, devia ter pensado ir ao Porto Santo.

Os factos são estes... A questão aqui, tal como foi dito na comissão, Joe Berardo está a ser o bode expiatório, quando não o merecia, pelo que fez e faz por Portugal e também fez pelos estudantes madeirenses e pela Madeira.

Outro facto interessante, é que alguns dos que autorizaram estes empréstimos ruinosos foram para Bancos Centrais na Europa e em Portugal foram premiados, quando devia ter sido o contrário. Ah... E continuam a exercer a ser irresponsáveis e não se recordam de absolutamente nada... Claro que aqui o único responsável é quem contraiu essa doença, que foi o empréstimo fácil...

O empréstimo concedido ao comendador Joe Berardo fará todos os portugueses pagarem com os seus impostos. E os negócios do BES, do BPN e etc... Em que pessoas perderam as suas vidas, são pagas por quem? Ah... Por todos os portugueses, mas aqueles que perderam as suas casas, não as vão reaver... Dá que pensar!!!

Publicado no JM-Madeira