quarta-feira, 6 de novembro de 2019

A HIPOCRISIA DE UM PAÍS

Portugal esta semana está no centro do Mundo ou melhor, Lisboa. Os políticos portugueses só se interessam por Lisboa. Qualquer outro tipo de evento que tenha alguma escala é roubado para Lisboa ou terá que ser em Lisboa! A razão? Simples para eles. É o único local com as condições para tal, no entanto obriga sempre todos os “contribuintes a contribuir” para a construção de mais qualquer coisinha, como é o exemplo das Jornadas Mundiais da Juventude em 2022.

Acabando com a história do centralismo, que todos já conhecemos existir. Vamos ao Websummit. Portugal volta a acolher o Web Summit, sendo a maior conferência da Europa de tecnologias e que se realiza anualmente desde 2009. Este ano tem a particularidade de “trazer” virtualmente Edward Snowden, que está asilado na Rússia. Edward Snowden denunciou, sacrificando a sua vida pessoal, os vários atentados à liberdade e privacidade que cada um de nós sofre às malhas do Governo Norte Americano, mas também das milhares e empresas web.

Na passada segunda-feira, ele voltou a referir que todos os dados que empresas como a Google, Facebook e etc… recolhem são para benefício delas e para usar em outros tantos dados. Tudo isto é certo, cada um de nós deverá ter a consciência que ao estarmos na web estamos a ser espionados e estamos a partilhar a nossa privacidade, se é que podemos chamar a isso privacidade.

Voltando a Portugal e a Edward Snowden, o que tem em comum? Nada, absolutamente nada, pois este mesmo Portugal que paga para ter a Web Summit e convidados como Edward Snowden a explanar sobre cybersegurança, mas também sendo o maior whistleblower, tem em cativeiro Rui Pinto.

Rui Pinto é um rapaz português que está preso há cerca de 6 meses e qual a razão? Por ter invadido sistemas informáticos e partilhando informações do desconhecimento geral, mas que se revelaram essenciais para várias entidades de países europeus recuperar impostos, que várias personalidades deste mundo continuam a fugir. Em Portugal, quando começou a ser revelado tais esquemas, a justiça conseguiu arranjar maneira de ir à Hungria e prender, sem nunca ter sequer querido recuperar cêntimo de impostos roubados ao Estado Português.

Este whistleblower não é totalmente inocente, mas fez o trabalho que as autoridades portuguesas deviam ter feito. Contudo, até hoje como se sabe todos estes assuntos de fuga aos impostos em nada interessam, até porque os Panama Papers estão esquecidos em uma qualquer gaveta.

Só quero demonstrar a hipocrisia de um país que se veste de gala para receber um whistleblower, mas que se esconde e mantém em cativeiro outro whistleblower.

Publicado no JM-Madeira no Siga Freitas

sábado, 2 de novembro de 2019

QUEM CONTA UM CONTO ACRESCENTA-LHE UM PONTO

Este conto não é meu, é um conto tradicional português e então, como todos os contos, começa assim: Era uma vez… Ou:

Havia um pescador que tinha uma mulher gulosa e má, além de preguiçosa. Não lhe fazia comida e ele, como não fora habituado, numa sociedade antiga e patriarcal, a cozinhar, só comia pão com azeitonas, Já para ela própria, fazia a mulher do pescador preparava bons petiscos e comia-os sozinha. Depois cantava uma canção: “Estende-te, perna,/Descansa corpinho,/Que lá anda no mar/Quem te há-de dar/Pão e vinho./Quando o pescador vier,/Coma azeitonas se houver.”

E assim era, quando o marido chegava a casa, só havia pão e azeitonas, em que ela dizia que já tinha comido. Ora… Lamentava-se todos os dias o pescador da sua pouca sorte. Ora… imaginem alguém que tem tudo e nada divide, nem se importava com quem dava o sustento da sua casa. Ele andava desconfiado que a sua mulher comia às escondidas. Um dia, ao ir para o mar, encontrou uma velhinha que lhe disse:

- Não te apoquentes mais que amanhã já comes melhor. Toma lá estas quatro bonecas e põe uma em cada canto da cozinha, mas que a tua mulher não veja.

Ele assim fez.

No dia seguinte, quando a mulher se preparava para comer os petiscos, ouviu:

- O que vai fazer aquela mulher? – interrogava a primeira boneca…

- Ora… vai comer!... – respondia a segunda boneca.

- Mas o marido não está em casa! – exclamava a terceira boneca.

- Bem se importa ela com o marido. É uma gulosa – sentenciava a quarta boneca.

A mulher, assustada, olhou e não viu ninguém. E volta a olhar para os petiscos e decide comer, mas ouve novamente a mesma conversa. Ficou cheia de medo e fugiu porta fora. Mas voltou a ficar com fome e regressou a casa e ouviu novamente as mesmas vozes. Então aguardou que o marido chegasse.

O pescador ficou admirado com a mudança. No dia seguinte, antes de sair para faina, a mulher diz-lhe:

- Olha, vem cedo que eu tenho cá um bom jantarinho.

Assim foi… Ela nunca mais comeu sem o marido. Tempos depois foi o pescador à procura da velhinha, que era uma fada, entregou-lhe as bonecas e agradeceu-lhe muito o que lhe tinha feito, pois agora já era feliz.

Felizes daqueles que, após avisos das bonecas ou bonecos, percebem que devem estar ao lado dos seus e não ao lado dos outros, pois sem os seus irá faltar a comida em casa. O mérito do trabalho deve ser recompensado, pelas esposas, por muito gulosas que sejam.

Um dia as bonecas podem perceber que não chega falar e aí buscar outra esposa para o velho pescador!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

“APRENDO A CAIR E A PERGUNTAR”*


É um orgulho para qualquer português, em especial os madeirenses, ver Tolentino Mendonça nomeado Cardeal. Eu não o conheço pessoalmente, não me recordo de ter cruzado com ele em qualquer lugar, mas penso que todos nós o admiramos e sentimos que ele é parte de nós, madeirenses. Alguém que nos eleva, alguém que nos carrega nos seus ombros e, quem sabe, não fará um “forcing” por nós, junto de todas as santidades do Céu e da Terra.

Numa das muitas entrevistas da semana passada, houve várias declarações que me tocaram… Ele falou enquanto bibliotecário, em que dizia que passeava entre as estantes de livros, amava os livros como um jardineiro ama as rosas, e, enquanto passeava pelos jardins, amava as flores. As ideias são as dele, as palavras aqui escritas são a minha maneira de as traduzir.

A outra parte que me tocou foi quando respondeu como se sentia em relação ao novo cargo para o qual fora nomeado: “A vida vai-nos dando, pela mão de Deus, os caminhos, mais do que os pesos, porque a vida de um cardeal é pesada, mas a vida de um pai de família também é, a vida de um operário, a vida de um desempregado, a vida de um homem sobre a terra, a vida de um refugiado, a vida de alguém que constrói a sociedade”. Ou seja, na hermenêutica do texto que as suas palavras acabam por cerzir, cada um carrega a sua - Cruz.

Ele comparou a sua nova vida, não à de um homem importante, ou de um banqueiro, ou de um primeiro-ministro, presidente, ou rei, mas à suma importância da vida de cada homem, com o exemplo simples e solene, daqueles, os mais simples, que tocam a vida com as mãos calejadas e com o sentimento do coração esculpem a sua alma.

Estas palavras tornam-nos habitantes da Terra em igualdade cristã plena e todos conseguimos sentir o que sente o Cardeal Tolentino Mendonça. Mais e além disso - ele demonstra e bem o que sente um operário que labora as horas e constrói, com suor e lágrimas, a vida própria para que a vida de todos se dignifique: ainda que haja por salário um valor materialmente insustentável, comporta-se como o mais bem pago da sua empresa, porque executa, na perfeição possível, toda a obra-prima que sai desse labor, porque, ao menos, lhe foi dada a dignidade negada aos desempregados, Refugiados no seu próprio país, privados da pátria plena como todos os expatriados. Disse o Papa Francisco ao Cardeal que traz em si a Madeira em sua indumentária púrpura: “Tu és a poesia” – porque em Tolentino cada palavra se torna uma metáfora da Mensagem.



quarta-feira, 25 de setembro de 2019

SQUARE DEAL*


Ponto prévio, estou a escrever este artigo e neste momento, que se saiba, ainda não houve nenhuma negociação e sobretudo não há ainda acordo entre o PPD/PSD e o CDS/PP. De acordo com uma notícia que li, só vão reunir hoje mesmo, quarta-feira, logo já poderão ter lido este artigo.

No passado domingo, o PPD/PSD voltou a ganhar as eleições, mas, desta feita, sem a almejada maioria absoluta.

A missão e objetivo do PPD/PSD era continuar a lutar pela autonomia e por todos os madeirenses, não obstante terá de realizar um acordo com o CDS/PP. Não é algo com que qualquer militante ou simpatizante do PPD/PSD fique confortável, habituados que estavam a maiorias absolutas. Reconheço, todavia, todas as capacidades e méritos dos seus líderes e respetivos militantes, mesmo os dissidentes do PSD e do CDS.

O “partido gaulês” já disse que a sua missão é fiscalização, se calhar deviam entender qual é a função dos deputados, pois é muito mais do que fiscalizar, pois se era para fiscalizar apenas deviam ter-se candidatado a juízes do Tribunal de Contas ou tentar ir para o Tribunal Constitucional e não para deputados.

Mas vamos ao cerne da questão, se o PPD/PSD necessitar do CDS/PP para governar há que negociar o seguinte:

Uma vice-presidência (talvez incluindo a economia ou algo semelhante) e uma secretaria tipo ambiente, agricultura ou inclusão social, alerto para o facto de que só devem ter, no máximo, duas pastas e nenhuma dessas pastas deverá ter as Casas do Povo, quero dizer se ficarem com a Agricultura, a Inclusão Social deve ficar com as Casas do Povo e vice-versa. Eventualmente poderão aceder a uma outra subscretaria, previsto, mas existente, na lei.

Até aqui estará tudo bem, tudo o resto será em demasia e o PPD/PSD nunca deverá ceder, pois o CDS só tem 5%. A razão é simples: o CDS também precisa do PPD/PSD para não desaparecer do mapa parlamentar. Caso o CDS não aceite estas condições, o PPD/PSD deverá formar Governo com a maioria relativa e o CDS terá de ser coerente com o seu programa ou ideologia ou alinhar com “as esquerdas unidas”, não tão unidas, o PCP já veio demarcar-se, se estas apresentarem uma moção de rejeição ao programa do partido mais votado.

Aqui, o único cenário possível, será irmos novamente para eleições, já que uma coligação entre o PS, CDS e JPP apresenta-se como “contranatura”. Logo, o Presidente da República deverá convocar novamente eleições, caso o Presidente fique com dúvidas, o PSD deverá dar as razões para um ato eleitoral antecipado, para que o Presidente possa decidir livremente a convocação do ato eleitoral.

Existindo eleições, o CDS e o JPP, sem falar da CDU irão desaparecer, pois os votos vão ainda mais bipolarizar-se, aqui o PPD/PSD terá a oportunidade de voltar a garantir a maioria absoluta para governar a Madeira da melhor forma possível.

Como diz o ditado popular: as eleições seguintes começam-se a vencer na noite das eleições anteriores!

Post Scriptum 1: O caderno de encargos quer dizer mesmo o quê? Se for só “ideias” podem dar suporte ao Governo desde a Assembleia ou não?

Post Scriptum 2: *Resumidamente o título refere-se a um programa implementado por Roosevelt que visava proteger os cidadãos da classe média da plutocracia, ao mesmo tempo que salvaguardava as empresas das exigências mais extremas dos sindicatos.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O MEU FILHO DESPERTA A CRIANÇA QUE HÁ EM MIM!


Nos últimos quase 4 anos, a minha vida social mudou drasticamente. O que quero com isto dizer é que agora a minha vida social rege-se pelo meu maravilhoso filho.

As festas a que normalmente vou são festas de aniversário de crianças, que acabam no máximo às 18 horas ou às 13 horas. Ultimamente tento deixá-lo lá e ir dar uma volta, mas é necessário ir lá buscar… confesso que é muito divertido.

Já em casa, a diversão, ultimamente, resume-se ao Luccas Neto, ao Brancoala, no Youtube, vemos vídeos sem parar, dos mesmos. Confesso que a nova casa do Brancoala no Estados Unidos é fantástica, eu sei… eu sei… não sabem do que estou falar… Mas é possível que brevemente descubram.

Além de ter que ler histórias, não para dormir, porque não é esse o hobby favorito, é necessário brincar com as Nerf’s. Vou explicar, a nossa casa transforma-se num espaço de combate, em que eu sou sempre o mau, muitas vezes, nem posso ter Nerf, em que tem de haver um som de fundo, normalmente o Luccas ou o Brancoala, igualmente a brincar com uma Nerf, e temos que tentar acertar com as “balas” de esponja. Ah… é verdade… A Nerf é uma espécie de arma que possui umas munições de esponja que saem com alguma pressão.

É claro que este é um dos momentos mais altos do meu dia… Brincar com as Nerf’s.

É verdade, também em relação à atividade física, resume-se à natação a que o levo, quando tenho disponibilidade. É verdade, quando se fala em autonomia é aqui que espero que ele encontre, pois também desejo atirar-me à água para poder praticar, acredito que nunca farei um Porto Santo até à Madeira, mas já ficaria contente fazer um Ponta Gorda até à prancha.

Outro grande momento na vida social é, sem dúvida, quando me sento a ir apoiar o Marítimo no nosso estádio e ver algum jogo de futebol, já o tentei levar, confesso, mas ele fica preocupado quando os jogadores caem e diz: “eles fizeram um doidoi grande!” e quer sair ao intervalo.

É verdade, recentemente, fomos ao cinema, fomos assistir ao Rei Leão. Foi a primeira vez dele, e a minha primeira vez no cinema, nos últimos 4 anos… Ele a meio já estava algo cansado, até que, finalmente, apareceu o Timon e o Pumba, aí tornou-se tudo mais divertido e no fim chorava revoltado, pois o filme tinha acabado e queria mais. Quem é que o entende?

E praia? É verdade, a praia, é tudo muito fantástico! Com exceção da entrada na água, pois a mesma está fria. E que tal a água estar mais quente, só para agradar-lhe? Boa?

Ah é verdade… E aquelas aplicações que colocam máscaras e fazem efeitos na nossa imagem? Essa é, sem dúvida, uma diversão sem paralelo, pois há numa dessas miscelâneas de apps em que eu fico com a cara dele e ele com a minha… É uma comédia!

Uma coisa é certa, estes e outros tantos momentos que eu, ele e a minha esposa temos e estamos juntos são dos melhores investidos, o investimento não é essencialmente nele, mas é fundamentalmente em mim, na aprendizagem, na alegria que levo em mim. Ele era algo que faltava em mim e eu não sabia que faltava… Ah também, é claro, brincar com as Nerf’s. Ah é verdade: o meu filho desperta a criança que há em mim! E cuida-a bem.

Post Scriptum: Aguardo ansiosamente que ele possa começar a jogar Playstation.

Publicado nesta quinzena JM-Madeira

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

“AMAZÓNIA, INSÓNIA DO MUNDO”


Conta-se que no hinduísmo, em especial o nepalês, acredita-se que a melhor pessoa do mundo, possui algo de mau, ao mesmo tempo a pior pessoa do mundo possui algo de bom. A batalha interior que cada um trava para derrotar o mal é imensa.

Com isto quero dizer que a líder ou coordenadora do Bloco de Esquerda, por vezes consegue encontrar o seu lado bom ou então o seu lado mau, dependendo da ocasião.

Veja-se o que ela disse: “Amazónia a arder. Uma tragédia que tem responsáveis.”, e ela tem toda a razão, pois, se a Amazónia é Património Mundial da Humanidade, a responsabilidade é de todos nós.

Contudo, noutro cenário, a mesma coordenadora rezava para que chovesse, sem que apontasse qualquer responsável. Tal como defende o hinduísmo, todos temos algo de bom e de mau no nosso íntimo.

Mas vamos ao cerne da questão: a Amazónia está a arder e isso preocupa-nos a todos, todos somos responsáveis, todos, sem exceção, todos os que compram livros, todos os que comem carne, todos os que comem soja, todos nós temos uma quota-parte de responsabilidade no problema do eventual desaparecimento da Amazónia.

Mas será que só a Amazónia nos deve preocupar? Os nossos hábitos têm que mudar, os fornecedores têm que procurar ir ao encontro de algo mais sustentável para o Mundo.

Recordo-me das excelentes campanhas que tivemos na Madeira, algo que devia ser recuperado, a geração do fim dos anos 80 e início dos 90 lembra-se, com certeza, do “João Verdinho”. Diria que foi das campanhas mais bem conseguidas, de sempre, de uma entidade governamental em Portugal.

Quem não se recorda do videoclip em que aparecia o João Verdinho e cantava uma música, em que, durante a mesma, passava por um local em que havia eletrodomésticos e lixo abandonado e dizia: “Mas o que se passa aqui?”, ele ficava preocupado e depois apelava ao reduzir, reutilizar e reciclar… Algo que parece que voltou a estar esquecido da nossa população.

O Mundo necessita de novos “Joões Verdinhos” em que se volte a tratar do meio ambiente, mas devemos começar a tratar melhor a nossa Laurissilva, que, neste momento, está meia despida, semi-nua, mas também o nosso parque natural, que perdeu o seu mar verde, devido aos incêndios, mas também às nossas ribeiras e ribeiros. Agora urge recuperar, necessitamos voltar a mostrar as nossas paisagens, a integração cosmopolita com o meio ambiente, e criar incentivos para que a Região Autónoma da Madeira, mas também o Mundo seja mais sustentável do ponto de vista ambiental.

A Amazónia arde, como ardeu Pedrogão, como ardeu o Pinhal de Leiria, como ardeu a Califórnia, como há dias ardia Canárias… Ninguém tomará essas terras, por não serem fundamentais ao Mundo, mas querem a Amazónia?! Todos pela grande floresta tropical, para que não seja a “Amazónia insónia do Mundo”, como diz um refrão de um poema cantando pelo grande cantor brasileiro Roberto Carlos.

Publicado no JM-Madeira

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

“CELEBRATE LOW BIRTH RATES!”


Recentemente, a agência The Great Decrease, que alerta para as consequências do crescimento da população, defendendo que esse crescimento é responsável pelas alterações climáticas, a perda da biodiversidade e a escassez de recursos, colocou um cartaz em Portugal que dizia: “Celebrate low birth rates!”, que quer dizer: “Celebre a baixa natalidade”.

É uma má notícia para Portugal! De acordo com a Pordata, em 1960 a taxa bruta de natalidade era de 24,1 e passou, o ano passado, para 8,4 nascimentos por 1000 habitantes. Tal, irá provocar um decréscimo de portugueses, que, desde o fim dos anos 70 rondou, os 10 milhões habitantes. Já os dados do Instituto Nacional de Estatística, desde 2007, tem mais mortes que nascimentos (exceção de 2008), no ano de 2017 existiram mais 23 432 mortes que nascimentos.

É algo alarmante! É preocupante!

Na passada semana, o JM publicava que o “Saldo migratório cresceu quase 8 vezes entre 2017 e 2018, mas o mesmo não foi suficiente para compensar (…) o decréscimo populacional.” O que é preocupante, pois, caso não tivesse existido esta entrada de pessoas, o saldo seria mais negativo.

A falta de sustentabilidade da população, além do natural, implica a diminuição da população, e faz diminuir o número de jovens, o que, associado ao aumento da esperança de vida, provoca o envelhecimento da população, logo cria-se novos desafios a toda a sociedade, a nível da sustentabilidade financeira dos sistemas de segurança social.

Quais os principais motivos de os portugueses não quererem ter filhos? A Fundação Francisco Manuel dos Santos verificou que as barreiras económicas e laborais são as principais, e só após essas é que aparecem as motivações pessoais.

Também algo que é muito abordado é que as exigências da sociedade atual são um impedimento a aumentar a natalidade. Vou falar-vos do meu exemplo, só fui para a creche, com 5 anos, isto é, pré-primária. Já o meu filho está desde os 11 meses. Uma diferença notória. Esta exigência coloca um custo acrescido às famílias que procuram constituir família. A minha avó foi a pessoa que cuidou de mim, algo de que o meu filho beneficia com a frequência que a vida atual beneficia. Aqui está mais uma diferença.

Quando se fala em apoio à natalidade, não se está a falar de apoios diretos, pois não pode ser só: “tem a criança que o Estado dá-te apoio!” É preciso: estabilidade laboral, um código de trabalho que faça as empresas investir, mas também criem postos de trabalho estáveis. Este argumento seria fácil rebater, pois países com pouca estabilidade laboral, ou até em guerra têm maior taxa de natalidade. Mas é óbvio que são sociedades que não podem ser comparáveis, já que há diferenças culturais, sociais e económicas. No entanto, existem fatores essencialmente de índole pessoal que não devem ser escamoteados: há casais que têm diferentes visões, por exemplo, viajar, gozar a vida a dois, estabelecer uma carreira e só depois pensar em filhos. Não existem apoios suficientes, nem durante tempo suficiente para que tenham filhos, já outros não querem tomar uma decisão que os prendam eternamente.

Se, por um lado, temos um país que envelhece, por outro, é fundamental existir um pacto social para que se lancem os apoios diretos e indiretos para a natalidade.

O início deste artigo é para a esquerda usar o argumento para não aceita qualquer tipo de pacto. Para existir um controlo de natalidade, esse deverá ser mundial, sem nunca os países perderem a sua sustentabilidade e nunca comprometendo o seu futuro.

Artigo publicado no JM-Madeira