sábado, 25 de fevereiro de 2017

SMS para o povo e os donos disto tudo

http://www.dailysmscollection.in/p/english-sms.html

Em sábado de Carnaval, pensei o que poderia escrever num dia tão icónico como este para a nossa terra? E logo após uma sexta-feira travesti, que tantos admiram e outros podem sair do armário. É uma pena no território continental não haver uns dias como estes, imaginem só o que era ver algumas figuras públicas assim vestidas e poderem brincar ao Carnaval só nestes dias.

Como é possível terem desaparecido 10 mil milhões, sem passar nada pelo fisco? Muitos de nós somos capazes de dizer: “mas o que me interessa isso?” Eu também diria o mesmo se fosse os meus rendimentos a não serem tributados em quase 50% pelo Estado mais aqueles impostos indiretos com siglas desde IVA, ISP e etc… É que se esses 10 mil milhões tivessem pago o que era devido, possivelmente o Estado reduzia-nos os impostos de 50% para 49%. Pode parecer pouco, mas era muito. E já agora tentar saber para onde foram os 6 mil milhões metidos no BPN, será que também evaporaram?

Mas voltemos ao Carnaval. Neste Carnaval desejo que se troquem muitos SMS, imaginem o que é participar em brincadeiras como: “não precisas apresentar a declaração de rendimentos e podes ser como o dono disto tudo”, algo assim, como se deve prever, esta mensagem nunca existiu, até porque um ministro e qualquer político, apesar de achar-se o contrário, não passa de um funcionário público precário, porque, na verdade, é um funcionário do Povo, com ideia que manda no Povo, mas que tem um contrato a prazo que depende, consoante a sua qualidade, marketing ou outra coisa qualquer.

Como é óbvio, acho ridículo querermos que exista uma comissão PIDESCA sobre os sms do Ministro com qualquer pessoa, qual é o interesse disso? A CGD já está bem entregue e é isso que interessa, o outro que saiu só parece querer ser um delator, e vemos logo que não teria perfil para gerir com a confidencialidade necessária uma instituição tão fundamental para os portugueses. Mas já que se fala em Carnaval e ninguém leva a mal, e há aquelas matrafonas, e os cabeçudos, que tal a comissão começar por solicitar SMS, mais antigos, tais como do Sócrates para o amigo? Tais como do Portas para o Coelho do irrevogável? Que tal os administradores da PT? Que tal os do BPN? E do BES, como é óbvio? Eram tantos os SMS que gostaria de ler, e esta é a melhor altura para qualquer jornal, amigo de amigo publicar, porque ninguém leva a mal.

Crónica desta semana no Siga Freitas - JM-Madeira

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Principado da Pontinha asilo para Sócrates

https://br.pinterest.com/pin/478226054157195188/

Esta semana, soubemos que o designado Príncipe D. Renato Barros II irá dar asilo ao deputado José Manuel Coelho, até aqui nada de anormal, tudo perfeitamente natural. Um principado que muito tem contribuído para o aumento da natalidade da nossa região, a crer nos censos divulgados pelos sites da especialidade, mas também para dar asilo a uma pessoa que tanto tem divulgado o cargo para que foi eleito. Mas passemos ao meu desejo, como se sabe, sempre fui um fiel apoiante dos que sempre se opuseram ao antigo Primeiro-Ministro da República Portuguesa, o Sr. José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

Como é do conhecimento de todos, ele esteve detido em Évora, e como sabemos por alegados empréstimos do seu amigo. Até aqui, o que lamento é não ter amigos como o Sr. José Sócrates, isto é, que me possam financiar uns estudos quaisquer, por exemplo em Paris, financiar uma casita e coisinhas assim do género. Oh meus amigos… Está na altura de serem mais generosos, ou então terei que escolher melhor os meus amigos!

Mas voltemos ao cerne da questão, nós, contribuintes sustentamo-lo durante 2 292 dias no cargo de Primeiro-Ministro, mas há mais, pois se contabilizarmos os cargos: Ministro do Equipamento Social, Ambiente, Ministro-Adjunto e ainda Secretário de Estado, somam 2 423 dias. E agora se contabilizarmos o período em que esteve detido são mais 329 dias. Se somarmos todos estes dias, já sustentamos a vida do designado engenheiro Sr. Sócrates em 5 044 dias mais coisa menos coisa, se tivermos em conta que ele tem 21 708 dias de vida, isto é, perto de um terço da vida que andamos a sustenta-lo.

Por estes motivos e o elevado valor das nossas correntes despesas, mas também para ajudar a Gerigonça a cumprir as suas metas orçamentais e também ajudar o Dr. António Costa a ter menos preocupações com conferências de imprensa, venho por este meio solicitar a Sua Alteza Sereníssimo D. Renato Barros II para dar asilo ao Sr. Sócrates, pois ele não poderá ser detido, porque, perante esta contabilidade, já se torna abusivo todos os luxos que tem usufruído por meio do Povo Português, veja-se o exemplo de Évora, teve direito a ser designado por 44, tinha roupa lavada, comida, horas de ginásio, televisão e outros luxos principescos e trabalhinho que é bom, era nadinha. E como desejo que o Sr. Sócrates continue a usufruir de uma vida principesca, só posso pedir ao Monarca do Principado da Pontinha para dar asilo, pois só um Estado como o Principado da Pontinha terá toda a disponibilidade para dar estes luxos ao nosso amigo Sr. Sócrates. Tenho a certeza que D. Renato Barros II irá providenciar um quartinho de 12 metros quadrados com vista para o Oceano Atlântico. Aguardo ansiosamente que o Principado da Pontinha aceite esta sugestão de pedido de asilo.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Revista Cristina a não perder

A Revista da Cristina Ferreira, apresenta como capa o antigo Presidente do Governo Regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim. É uma edição a não perder.

Revitalizar o empreendedorismo


Este mês não há como fugir, e há que falar de Donald Trump, isto é, das suas políticas e nomeações. Destaco a de Linda Edwards-McMahon, fundadora daquele grande espetáculo que é o World Wrestling Entertainment Inc., mais conhecido como WWE, aquele desporto ou show que vemos semanalmente entrar pelas nossas televisões.

Linda McMahon foi nomeada pelo Presidente dos EUA para liderar o “Small Business Administration”, quase uma Ministra de Economia para as pequenas empresas, isto se fosse em Portugal. Uma das frases li, aquando da audiência no Senado da McMahon, foi: “Even entrepreneurs with the best ideas sometimes need a little wind beneath their wings.”, sem dúvida, qualquer boa ideia não consegue “voar” ou até levantar voo se não houver vento.

A nomeação de Linda mostra diversos pontos, nesta nova administração, que tem a ver com igualdade de género, e demonstra que qualquer um nos EUA deverá acreditar nas suas potencialidades. McMahon além de fundadora da WWE, foi também quem fundou uma empresa que promovia a liderança feminina, a Women’s Leadership LIVE, aqui demonstra um claro conhecimento do mundo empresarial, mas também que acredita que as mulheres podem liderar não só um pequeno negócio, mas também um grande negócio.

Acredita-se que McMahon será capaz de conseguir capitalizar mais energia, mas também mais apoios que os seus antecessores que normalmente estavam do lado dos derrotados. Ela tem experiência e os conhecimentos necessários para ajudar os pequenos empresários e ela destacou a sua experiência, quando ela e o marido fizeram um mau investimento e tiveram que declarar falência, ela afirmou que o importante não é como se cai, mas como se levanta é o que importa, basta verificar que ela voltou a ficar novamente multimilionária.

Confesso que muitas vezes é difícil acreditar nas pessoas, mais difícil ainda acreditar em políticos, mas, num cargo como este, é necessário ter coragem de fazer frente e, como disse a McMahon, é ser o advogado de defesa dos pequenos empresário, mas não só, também alguém que saiba como crescer estas empresas. Um dos grandes objetivos deste gabinete é fazer com que as pequenas empresas continuem a ter 23% dos contratos com o governo, isto foi cerca de 400 bilhões de dólares e que 5% sejam empresas de mulheres. Esta nomeação pode ser o combustível que falta para voltar a fazer com que os EUA voltem a liderar a lista de países mais empreendedores do Mundo, mas também um exemplo para o resto do Mundo a nível de acreditar que é possível fazer crescer. Estas medidas de um Estado tão liberal como os EUA, mas que valoriza as suas pequenas empresas e startups, demonstra uma clara valorização e políticas que deviam ser possíveis adotar. Por exemplo, já pensaram se os nosso governos e autarquias pudessem que, pelo menos, 1/3 não só de fornecedores, mas de gastos fossem com pequenas empresas dos seus locais de origem? Acredito que a nossa economia poderia crescer, porque são estas as empresas que criam cerca de metade dos trabalhadores do privado.

Será que McMahon fará um “the tombstone” (um golpe do lutador Undertaker da empresa que dirigiu a McMahon) contra a estagnação da economia e assim ser uma inspiração para o Mundo?

Madeira first Island with 4Litro - America Great again with Donald Trump

domingo, 22 de janeiro de 2017

EU QUERO É PÃO E CIRCO!

Hoje escrevo sobre um problema que afeta uma data de pais, nomeadamente a falta de vontade das crianças quererem comer. Uma das coisas que me acontece é fazer de espelho quando se leva uma colherada à boca do bebé, o que já explico. É natural, o meu bebé faz um trinta e um para comer, mas é só em casa, porque na creche come maravilhosamente bem. Então enquanto eu faço o circo em casa e com animação audiovisual, com malabarismos e outras coisas todas, tento fazer com que ele abra a boca e coma. Mas, para isso, quando levanto a colher e essa colher faz de avião para aterrar no «aeroporto» que é a sua boca, eu abro a boca para ver se ele abre, ou então não sei porque faço isso. Apesar de resultar unicamente uma ou duas vezes, é verdade que eu abro sempre a boca. A questão aqui é que minha casa se transforma no Cirque Du Soleil. Muitas vezes me questiono como é que alguém tão pequeno tem uma personalidade tão forte a ponto de cerrar a boca, abanar a cabeça de forma a recusar terminantemente estas tentativas de manipulação da minha parte para o levar a engolir o que ele não quer. E nem vos falo das sirenes que parecem os seus gritos.

Logo a teoria dos romanos “pão e circo” para enganar o Povo, eu tenho dificuldade, o circo está presente, mas aquele pestinha, com todo o carinho, do miúdo só come se estiver na creche. Já dei comigo a pensar se será que tenho que trazer a educadora ou as auxiliares a casa para lhe dar as restantes refeições! Outrossim já fiz a experiência com outras pessoas a dar-lhe a comida e a tragédia é igual, então o que pode ser? Acredito que só há uma explicação, tem a ver com a questão social. Sim, apesar de não ser psicólogo, nem sociólogo, está mais que visto que a questão social é a principal caraterística. Ele, apesar de adorar o circo em casa, ao ver os outros bebés comerem como um adulto, faz-lhe comer também, não obstante ele é quem decide!

Às vezes, penso que todos nós não passamos de bebés, grandes, porque o nosso comportamento é igual. Gostamos da diversão criada pelos políticos, gostamos de todo o ambiente criado, mas ainda gostamos mais de ser enganados para comer as políticas pouco agradáveis. Mas se estivermos todos unidos comemos de forma mais fácil. A questão será: estaremos mesmos unidos? Ou estaremos à espera de chegar a casa para mostrar aos nossos pais que estamos revoltados e nem gostamos do que estamos a comer?

Será que a política do pão e circo, panem et circenses, tem os dias contados? A crer pelo meu querido bebé, sim!

Artigo publicado no JM-Madeira

sábado, 14 de janeiro de 2017

Mas se tudo o mundo é composto de mudança… inauguremos o Futuro!


Escrever um artigo deste mês torna-se uma antítese, pois há que fazer o balanço de 2016 e perspetivar 2017. Do balanço de 2016, sem dúvida que é o o evento da Web Summit se evidencia como o evento master, pelo sucesso do mesmo e a projeção a nível de empreendedorismo que trouxe para o nosso país, em especial para Lisboa.
Já quando se procura perspetivar um ano, é sempre muito complexo, basta verificar que, neste momento, vivemos uma nova revolução industrial, acredito que desde a revolução industrial XVIII e XIX, nunca tivemos uma evolução tão rápida e mais, é uma evolução sem uma guerra mundial ou uma guerra fria a pressionar os acontecimentos.

Verifica-se que, neste momento, no mundo, temos uma revolução tecnológica, em que as empresas como a Uber, Facebook, AirBnb, Google e outras tantas mudaram os conceitos, por exemplo a Kodak foi uma das empresas que inventou a máquina digital, mas, no momento, achou que não valeria a pena, por isso deixou o projeto de lado e não percebeu a sua evolução. Hoje a Kodak é uma mera recordação, mas a velocidade da evolução continua a ser exponencial em novas tecnologias. A saúde, o social, a educação, até as aplicações estatais e impostos têm evoluído na forma e feitio, têm de se adaptar, apesar destes dois últimos terem mais inércia.

O ponto principal é que hoje em dia os conceitos de empreendedorismo são muito claros, porque será que aquilo que vou fazer será o que quero no futuro? Quando, por exemplo, se tenta replicar um cérebro humano, quando se tenta criar computadores com capacidade de aprendizagem, estamos na verdade a fazer evoluir o Mundo de uma determinada forma e esta revolução dificilmente pode ser travada.

É claro que é nos tempos de dificuldades que mais se cria e são as dificuldades da nossa economia que fazem com todos procurem alternativas ao tradicional, quando me refiro ao tradicional, não é o tradicional em termos culturais, mas ao modo de fazer as coisas. Por esse motivo, acredito que 2017 terá que haver legislação específica para Uber, porque alguns os taxistas, não todos, pois há-os abertos à evolução, não vão conseguir parar a evolução. Tal como os hotéis não vão conseguir parar a AirBnb, como os dicionários e enciclopédias não vão conseguir parar o Google, e é claro que todas estas comparações não fazem qualquer sentido em si, se não forem enquadradas na ideia de que tudo evolui. É claro que vamos continuar a usar táxis, como hotéis e, claro, dicionários e enciclopédias…

Por esse motivo só posso achar que em 2017, estará de volta aquele cliché, de 365 oportunidades, mas, acima de tudo, haverá 365, não direi para empreender, mas, pelo menos, para viver este tempo novo. Eu sempre tive o sentimento que viveria um tempo especial, com descobertas, com invenções, um tempo que, daqui a algumas gerações, será o móbil de estudo dessas mesmas gerações, que o estudarão como uma espécie de revolução industrial. Mas, se tudo o mundo é composto de mudança…, como dizia o Poeta, troquemos-lhe as voltas, como também dizia, e inauguremos, de novo, o Futuro!

Publicado na revista Madeira Digital

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Não se pode ir a pé até ao Natal?

Corria o ano de 2004, quando embarquei rumo à Capital do Império, e experimentei o habitual de quem chega a uma cidade nova, além das “coisas, coisinhas e coisitas”, ditas normais, de qualquer caloiro que ingressa na Universidade, desde procurar casa, começar a conhecer a cidade, as festas e tudo o resto que todos deduzimos ou imaginamos… Eis que chega ao fim de semana, quando a maioria dos meus colegas, com exceção dos outros insulares e alguns de Trás-os-Montes, Beira Alta e Baixo Alentejo, todos os restantes iam para casa. E esses outros regressavam à Universidade na segunda-feira, com a mala cheia de roupa lavada e engomada e vários tupperwares com comida suficiente para um mês num deserto em Marrocos. Destaco o privilégio de ter roupa engomada, porque na Faculdade, confesso que muito raramente passava roupa e deixei de usar roupa que necessitasse de ser engomada. Já nós, os que passamos o fim de semana na cidade que nos acolheu, fazíamos a vida diária, sem essas mordomias, é claro que isso obrigou-nos a crescer mais e mais depressa, não tão depressa como antigamente, mas depressa para o ritmo de tartaruga atual.

Uma das coisas que sempre me revoltou foram as viagens aéreas, pois não podia ter o privilégio de ir a casa todos os fins de semana como os meus colegas… Quem não se recorda daquela folhinha da TAP que se tinha que pedir ao balcão e levar à secretária da Faculdade e carimbar? Eu, normalmente, levava umas 20 folhas para que carimbassem todas, (pois eu esquecia-me de algumas em Lisboa e depois não tinha na Madeira e era sempre uma chatice quando não possuía nenhuma, penso que ainda devo ter alguma guardada por aí) e então depois colocava a data de quando viajava. Nesta altura, não me parecia correto que uma viagem custasse quase 180€ para um estudante universitário. Então ainda não havia liberalização e existia o monopólio da TAP. Depois veio a liberalização… Só posso dizer que a liberalização foi muito positiva, pois abrimos a Madeira, via aérea, ao Mundo, mas esta liberalização trouxe diversos problemas. O principal problema foi que, nas épocas altas, como era o Natal, estávamos lixados, as viagens atingiam, como atingem, os 500 € e só recebíamos 60 € e a viagem ficava a 440 €. Mas nas épocas baixas e marcando com alguma antecedência conseguia-se ir a Madeira com um preço acessível. Eu, que após a liberalização, era presidente do Núcleo de Estudantes Social-Democratas de Lisboa, junto com os meus companheiros, promovemos várias iniciativas e uma delas foi entregar uma réplica de um bilhete com 500€ marcado e a explicar as nossas preocupações a todos os deputados da Assembleia da República, surpreendente ou não, poucos foram aqueles que responderam, sendo que eles foram António José Seguro, que penso que entendia as preocupações dos jovens estudantes, pois já tinha sido secretário de estado da juventude, e o outro foi Mota Amaral, que, como insular, sentiu as nossas preocupações. Mas a verdade é que ninguém se atreveu a fazer nada, e continuo a acreditar que só pode ter sido por falta de vontade política de todos os atores políticos.

A verdade é que, há poucos meses, este modelo de devolver 60€ na viagem foi alterado, e agora o atual modelo faz com que a viagem fique a 86€ para residentes e a 65€ para os estudantes. É claro que este modelo não é o melhor do Mundo, pois só abrange viagens até 400€, para viagens ficam os 86€ + o remanescente dos 400€. É claro que, neste modelo, é necessário adiantar o dinheiro total da viagem e só depois conseguir o reembolso após horas intermináveis num balcão dos CTT. Este modelo não abrange viagens corridas, esqueceu-se que muitas vezes para viajarmos para o resto do Mundo, temos que passar pelo continente e essas viagens não contam para o subsídio. Mas consegue-se recuperar grande parte do custo para os voos que terminam no continente. Mas agora os estudantes podem fazer como eu, quando havia o “modelo das folhinhas da TAP” e marcava a viagem de regresso à Madeira 5 minutos depois do exame ter-me corrido bem e sentir que não tinha que ir a recurso.

A questão que falta resolver é que os nossos estudantes não possuem muito dinheiro e adiantar quase 500 € numa viagem é um esforço exagerado para qualquer família madeirense, mesmo da classe média. Não quero orientar ninguém, mas sinto um dever, enquanto madeirense, que seria importante nesta revisão talvez introduzir um método em que o Governo não pagava diretamente ao cidadão, mas sim à companhia aérea. Assim o cidadão já não teria que adiantar o total da viagem. E também acabar com o teto máximo de 400 €, pelo menos, para os estudantes.

A verdade é que a Madeira aproximou-se do restante país, contudo, é claro que se deve reivindicar, faz parte, mas é importante entendermos de onde partimos e não foi de uma viagem de 180 €, foi sim de muito antes…

A questão que gostaria de colocar, é esta: será que no Natal e nas restantes épocas não dá para vir à Madeira a pé? Saía mais barato e até era uma preparação para um Trail qualquer na nossa ilha.

Eu, felizmente, tive oportunidade de vir todos os Natais à minha terra, mas tive colegas que não. Será que esse Natal em que estiveram tão longe fisicamente da família foi infeliz e solitário? Eu optei por poupar e não vir nas Páscoas à Região, e apesar de estar longe da família, tive com pessoas fantásticas, amigos fantásticos, família dos meus amigos e não vejo isso como um tempo triste, antes pelo contrário como dos melhores momentos que tive enquanto estudante… Ser madeirense é isso mesmo, adaptar-se às situações adversas, integrar-se nas comunidades, fazer amigos e sermos um dos povos mais amistosos do Mundo, mas também o mais maldizente e ávido que se possa conhecer… E um dia, talvez seja possível vir a pé à Madeira e aí acabaremos com a polémica do subsídio, ou então todos ganharemos tanto dinheiro que já nem o subsídio será necessário. Viajaremos na metáfora da nossa imaginação ou, quem sabe, do progresso, que evolui em dimensão geométrica. Vamos ver o que nos traz o tempo, como diz aquele provérbio oriental!

Publicado no JM-Madeira

Retrato de Natal


Há umas semanas fui a um fotógrafo imprimir umas fotos de que necessitava. Situa-se ali na Rua Fernão Ornelas e, enquanto entrava, olhava como a rua está diferente. Continua, é claro, no sítio como quando eu era criança, mas muita coisa mudou, as lojas mudaram, a rua mingou e o passeio cresceu, mas a verdade é que este fotografo resistiu a muitas mudanças em seu redor, até à diferença das luzes de Natal, desde as incandescentes, que tanto iluminavam, às led que tanto poupam. Ao subir as escadas para o fotógrafo, olhei em redor, muita coisa mudou ao longo dos anos, as poses, as cores das fotos, mas as fotos ao longo dos anos serão a repetição das ocasiões em tempos diferentes, desde fazer as capas, os batizados e casamentos e alguns eventos públicos.

Ao chegar ao balcão, pedi as fotos, e, enquanto esperava, olhei em redor, ouvi que os sons das máquinas e a lentidão mudou e muito, senti que os cheiros mudaram, mas a loja em si mantinha-se com molduras, agora com um computador virado para os clientes para ver as fotos, sem necessidade de revelar aqueles positivos. Mas o que me despertou a atenção foi uma moldura de uma folha de um livro, em que referia: “O cliente” e assinado pelo Sun Tzu. É claro que Sun Tzu não podia escrever algo sobre os clientes, pois ele falava sobre guerra, mas muitos gestores, economistas e gestores pegaram nessas asssinados e aplicaram.

Confesso que não decorei todas as palavras escritas naquela folha emoldurada, mas refleti sobre cada letra acerca dos clientes. Aquele fotógrafo só pode ter sobrevivido a toda a alteração do ecossistema da Rua Fernão Ornelas, porque soube aplicar aqueles ensinamentos, isto é, dedicou-se inteiramente ao cliente. O cliente é razão de qualquer empresa existir e valorizar é essencial para sobreviver num mundo cada vez mais a utilizar a lei da seleção natural, em que cada empresa que não se adapta ao seu ecossistema só pode deixar de existir.

Se pensarmos no quanto o conceito de fotografia mudou, pois neste momento qualquer um é um fotografo, mas as lojas que sobreviveram tiveram que se revolucionar.

Em época natalícia ou de consumismo, dependendo do credo que cada um pratica, pergunto quantos de nós será dedicado, não ao cliente, mas ao outro? Pois qualquer empresa só terá sucesso, não só pelo cliente, mas em função do outro, o outro é o fornecedor, o amigo, o cliente, o investidor, mas, acima de tudo, os seus colaboradores, os trabalhadores, mais classicamente, pois serão esses que farão o elo com todos esses stakeholders da organização.

Por isso, este Natal, só posso desejar-vos a todos um Feliz e Santo Natal próximo dos vossos stakeholders, que é a nossa família! E que tudo fique gravado naquele retrato que retém o momento e o volve eterno! Até sempre!

Publicado na revista Madeira Digital

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Aconteceu na América... E mais aonde?

Desde que começou este processo das eleições americanas, sempre afirmei aos que me eram próximos que Donald Trump seria o vencedor. Ainda estávamos nas primárias e afirmaram-me que ele nem passaria daí, pois ganharia o Jeb Bush no lado dos Republicanos. Depois da desistência deste, já diziam que o candidato dos republicanos seria Ted Cruz. A verdade é que Donald Trump ganhou as primárias, mas, posteriormente, todos diziam que a Hillary Clinton ganharia sem problema. O resultado foi o que se sabe: Donald Trump ganhou.

Caros leitores, eu gostaria de fazer algumas perguntas retóricas, para aqueles que tanto se indignam com as “principais” propostas de Donald Trump. Ora vejamos:

- Expulsar imigrantes ilegais – o que é que os europeus querem fazer com os refugiados? O que é que o Reino Unido diz sobre os refugiados? Se um imigrante estiver legal, não tem qualquer razão de ser expulso, está legitimamente num país que o acolheu. Já pensaram que esses imigrantes podem estar a viver situações de exploração pessoal e laboral, pois não possuem qualquer direito, já se estiver legal poderá proteger-se. Ou seja, a expulsão como ato em si pode parecer negativo, mas se ela funcionar como forma de pressão que pode conduzir à legalização dos imigrantes pode ser positivo para todos.

- Obrigar as empresas americanas a voltarem a ter as suas fábricas nos Estados Unidos – imaginemos que a Empresa de Cerveja da Madeira fosse para a China, mas mantinha o “selo” a dizer que era madeirense e nada tinha de madeirense, pois os impostos nem pagaria cá, nem criaria emprego. O que achariam disso?

- Não estar refém de empresas, é claro que ele é empresário – suponhamos que ele receberia apoio da Goldman Sachs ou de Wall Street, como recebeu Hillary Clinton, como poderia tomar uma decisão contrária a essas empresas? Ou imaginemos uma Tecnoforma…

- Construção de um muro entre os Estados Unidos da América e o México – o que está a ser feito em Calais ou o que é que países do centro e Europa de leste querem fazer? E os europeus sabem que já existe uma vedação? Claro que a política do muro, que tanto serviu para condenar os países da antiga cortina de ferro, não é a solução, mas não sejamos hipócritas, ao condenar uns e silenciar outros. Ah… e sabiam que esse muro foi iniciado pelo Bill Clinton?

- Opõe-se à legalização do aborto – é uma corrente de um partido conservador, como é o republicano, se bem me recordo, o nosso atual Presidente da República também era contra. Uns concordam, outros discordam, não pode ser uma imposição de um dos lados!

- Redução de impostos a quem tem rendimentos abaixo dos 25.000,00 3£ anuais, e isenção de pagar qualquer imposto abaixo de um determinado nível – esta proposta só gostaria que fosse aplicada em Portugal com mais intensidade, sendo que já se aplica aos mais baixos escalões.

- Dos únicos candidatos, ao contrário dos outros republicanos que defendiam a privatização, ele pretende manter igual a Segurança Social – privatizar a segurança social era prejudicar a vida a milhares de americanos. Aliás, a segurança social pública é a principal característica do Estado Social Europeu que tanto defendemos.

- Reduzir os custos com a NATO e ajudar menos financeiramente a Arábia Saudita – sustentar uma organização que nada tem feito pelo Mundo é dramático, recordo que os partidos de extrema-esquerda em Portugal são contra a pertença do nosso País à Nato, mas claro que esses partidos são democráticos!

Mas o que eu gostei mesmo na vitória do Donald Trump foi ter visto que o maior derrotado foi a comunicação social!

Quero deixar uma nota. Para nós, europeus, Obama terá sido um excelente líder, mas não sentem um vazio de líderes europeus?

Já agora sabem o que me agradou nesta panóplia de comentários de portugueses e em especial dos madeirenses: é a indignação deles por alguém eleito nos Estados Unidos da América com estas características, mas, e por cá?! Ai a nossa memória!

Contudo, façamos um faz-de-conta, tudo em faz-de-conta, é claro:

- Faz-de-conta que haveria políticos que, para manter-se no poder, demitiam os seus “ministros” e entravam os suplentes, que os partidos que os apoiam deixavam de apoiar, mas ele mantinha-se.

- Faz-de-conta que haveria políticos que faziam promessas e outros que pagassem ou concretizassem.

- Faz-de-conta que haveria políticos que passassem mais tempo fora do seu país do que nele.

- Faz-de-conta que haveria políticos que pagavam balúrdios à comunicação social para fazer lavagens cerebrais ao povo;

- Faz-de-conta que haveria políticos que diziam ser licenciados e nem a 4ª classe conseguiram tirar, sem uma cunha;

- Faz-de-conta que haveria políticos que enriqueceram à custa de negociatas quando lá estiveram;

- Faz-de-conta que haveria políticos que pediam a amigos para custear as suas despesas.

- Faz-de-conta que haveria políticos que não passam disso… Fazem de conta, fazem de conta que não existem para não se notar e passarem entre os pingos da chuva, faz-de-conta que se toma decisões.

Neste faz-de-conta, até o Povo faz-de-conta que está tudo bem, mas será que está?

Para finalizar e em defesa pessoal, não sou defensor de Donald Trump, mas digam-me aquelas declarações que tanto indignaram, mas quantos homens em conversas privadas e até mulheres em conversas entre amigas não dizem: “comia aquela gaja/o”, mas claro se forem colocadas pública parecem mal.

Eu acredito que Donald Trump trará um novo ar político para o Mundo, irá retirar o poder, os financeiros e os tecnocratas mandam no Mundo e façam experiências com os povos, tal como fez o FMI com Portugal.

Os relatos de fim do mundo são verdadeiramente exagerados, por isso, a única coisa que posso dizer é que os EUA estão melhor que nós, Portugal. Por isso, só posso deixar a seguinte frase que tradicionalmente os presidentes americanos afirmam nos seus discursos de tomada de posse em relação aos EUA:

God bless Portugal!

Artigo publicado no JM Madeira.