sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Não se pode ir a pé até ao Natal?

Corria o ano de 2004, quando embarquei rumo à Capital do Império, e experimentei o habitual de quem chega a uma cidade nova, além das “coisas, coisinhas e coisitas”, ditas normais, de qualquer caloiro que ingressa na Universidade, desde procurar casa, começar a conhecer a cidade, as festas e tudo o resto que todos deduzimos ou imaginamos… Eis que chega ao fim de semana, quando a maioria dos meus colegas, com exceção dos outros insulares e alguns de Trás-os-Montes, Beira Alta e Baixo Alentejo, todos os restantes iam para casa. E esses outros regressavam à Universidade na segunda-feira, com a mala cheia de roupa lavada e engomada e vários tupperwares com comida suficiente para um mês num deserto em Marrocos. Destaco o privilégio de ter roupa engomada, porque na Faculdade, confesso que muito raramente passava roupa e deixei de usar roupa que necessitasse de ser engomada. Já nós, os que passamos o fim de semana na cidade que nos acolheu, fazíamos a vida diária, sem essas mordomias, é claro que isso obrigou-nos a crescer mais e mais depressa, não tão depressa como antigamente, mas depressa para o ritmo de tartaruga atual.

Uma das coisas que sempre me revoltou foram as viagens aéreas, pois não podia ter o privilégio de ir a casa todos os fins de semana como os meus colegas… Quem não se recorda daquela folhinha da TAP que se tinha que pedir ao balcão e levar à secretária da Faculdade e carimbar? Eu, normalmente, levava umas 20 folhas para que carimbassem todas, (pois eu esquecia-me de algumas em Lisboa e depois não tinha na Madeira e era sempre uma chatice quando não possuía nenhuma, penso que ainda devo ter alguma guardada por aí) e então depois colocava a data de quando viajava. Nesta altura, não me parecia correto que uma viagem custasse quase 180€ para um estudante universitário. Então ainda não havia liberalização e existia o monopólio da TAP. Depois veio a liberalização… Só posso dizer que a liberalização foi muito positiva, pois abrimos a Madeira, via aérea, ao Mundo, mas esta liberalização trouxe diversos problemas. O principal problema foi que, nas épocas altas, como era o Natal, estávamos lixados, as viagens atingiam, como atingem, os 500 € e só recebíamos 60 € e a viagem ficava a 440 €. Mas nas épocas baixas e marcando com alguma antecedência conseguia-se ir a Madeira com um preço acessível. Eu, que após a liberalização, era presidente do Núcleo de Estudantes Social-Democratas de Lisboa, junto com os meus companheiros, promovemos várias iniciativas e uma delas foi entregar uma réplica de um bilhete com 500€ marcado e a explicar as nossas preocupações a todos os deputados da Assembleia da República, surpreendente ou não, poucos foram aqueles que responderam, sendo que eles foram António José Seguro, que penso que entendia as preocupações dos jovens estudantes, pois já tinha sido secretário de estado da juventude, e o outro foi Mota Amaral, que, como insular, sentiu as nossas preocupações. Mas a verdade é que ninguém se atreveu a fazer nada, e continuo a acreditar que só pode ter sido por falta de vontade política de todos os atores políticos.

A verdade é que, há poucos meses, este modelo de devolver 60€ na viagem foi alterado, e agora o atual modelo faz com que a viagem fique a 86€ para residentes e a 65€ para os estudantes. É claro que este modelo não é o melhor do Mundo, pois só abrange viagens até 400€, para viagens ficam os 86€ + o remanescente dos 400€. É claro que, neste modelo, é necessário adiantar o dinheiro total da viagem e só depois conseguir o reembolso após horas intermináveis num balcão dos CTT. Este modelo não abrange viagens corridas, esqueceu-se que muitas vezes para viajarmos para o resto do Mundo, temos que passar pelo continente e essas viagens não contam para o subsídio. Mas consegue-se recuperar grande parte do custo para os voos que terminam no continente. Mas agora os estudantes podem fazer como eu, quando havia o “modelo das folhinhas da TAP” e marcava a viagem de regresso à Madeira 5 minutos depois do exame ter-me corrido bem e sentir que não tinha que ir a recurso.

A questão que falta resolver é que os nossos estudantes não possuem muito dinheiro e adiantar quase 500 € numa viagem é um esforço exagerado para qualquer família madeirense, mesmo da classe média. Não quero orientar ninguém, mas sinto um dever, enquanto madeirense, que seria importante nesta revisão talvez introduzir um método em que o Governo não pagava diretamente ao cidadão, mas sim à companhia aérea. Assim o cidadão já não teria que adiantar o total da viagem. E também acabar com o teto máximo de 400 €, pelo menos, para os estudantes.

A verdade é que a Madeira aproximou-se do restante país, contudo, é claro que se deve reivindicar, faz parte, mas é importante entendermos de onde partimos e não foi de uma viagem de 180 €, foi sim de muito antes…

A questão que gostaria de colocar, é esta: será que no Natal e nas restantes épocas não dá para vir à Madeira a pé? Saía mais barato e até era uma preparação para um Trail qualquer na nossa ilha.

Eu, felizmente, tive oportunidade de vir todos os Natais à minha terra, mas tive colegas que não. Será que esse Natal em que estiveram tão longe fisicamente da família foi infeliz e solitário? Eu optei por poupar e não vir nas Páscoas à Região, e apesar de estar longe da família, tive com pessoas fantásticas, amigos fantásticos, família dos meus amigos e não vejo isso como um tempo triste, antes pelo contrário como dos melhores momentos que tive enquanto estudante… Ser madeirense é isso mesmo, adaptar-se às situações adversas, integrar-se nas comunidades, fazer amigos e sermos um dos povos mais amistosos do Mundo, mas também o mais maldizente e ávido que se possa conhecer… E um dia, talvez seja possível vir a pé à Madeira e aí acabaremos com a polémica do subsídio, ou então todos ganharemos tanto dinheiro que já nem o subsídio será necessário. Viajaremos na metáfora da nossa imaginação ou, quem sabe, do progresso, que evolui em dimensão geométrica. Vamos ver o que nos traz o tempo, como diz aquele provérbio oriental!

Publicado no JM-Madeira

Retrato de Natal


Há umas semanas fui a um fotógrafo imprimir umas fotos de que necessitava. Situa-se ali na Rua Fernão Ornelas e, enquanto entrava, olhava como a rua está diferente. Continua, é claro, no sítio como quando eu era criança, mas muita coisa mudou, as lojas mudaram, a rua mingou e o passeio cresceu, mas a verdade é que este fotografo resistiu a muitas mudanças em seu redor, até à diferença das luzes de Natal, desde as incandescentes, que tanto iluminavam, às led que tanto poupam. Ao subir as escadas para o fotógrafo, olhei em redor, muita coisa mudou ao longo dos anos, as poses, as cores das fotos, mas as fotos ao longo dos anos serão a repetição das ocasiões em tempos diferentes, desde fazer as capas, os batizados e casamentos e alguns eventos públicos.

Ao chegar ao balcão, pedi as fotos, e, enquanto esperava, olhei em redor, ouvi que os sons das máquinas e a lentidão mudou e muito, senti que os cheiros mudaram, mas a loja em si mantinha-se com molduras, agora com um computador virado para os clientes para ver as fotos, sem necessidade de revelar aqueles positivos. Mas o que me despertou a atenção foi uma moldura de uma folha de um livro, em que referia: “O cliente” e assinado pelo Sun Tzu. É claro que Sun Tzu não podia escrever algo sobre os clientes, pois ele falava sobre guerra, mas muitos gestores, economistas e gestores pegaram nessas asssinados e aplicaram.

Confesso que não decorei todas as palavras escritas naquela folha emoldurada, mas refleti sobre cada letra acerca dos clientes. Aquele fotógrafo só pode ter sobrevivido a toda a alteração do ecossistema da Rua Fernão Ornelas, porque soube aplicar aqueles ensinamentos, isto é, dedicou-se inteiramente ao cliente. O cliente é razão de qualquer empresa existir e valorizar é essencial para sobreviver num mundo cada vez mais a utilizar a lei da seleção natural, em que cada empresa que não se adapta ao seu ecossistema só pode deixar de existir.

Se pensarmos no quanto o conceito de fotografia mudou, pois neste momento qualquer um é um fotografo, mas as lojas que sobreviveram tiveram que se revolucionar.

Em época natalícia ou de consumismo, dependendo do credo que cada um pratica, pergunto quantos de nós será dedicado, não ao cliente, mas ao outro? Pois qualquer empresa só terá sucesso, não só pelo cliente, mas em função do outro, o outro é o fornecedor, o amigo, o cliente, o investidor, mas, acima de tudo, os seus colaboradores, os trabalhadores, mais classicamente, pois serão esses que farão o elo com todos esses stakeholders da organização.

Por isso, este Natal, só posso desejar-vos a todos um Feliz e Santo Natal próximo dos vossos stakeholders, que é a nossa família! E que tudo fique gravado naquele retrato que retém o momento e o volve eterno! Até sempre!

Publicado na revista Madeira Digital

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Aconteceu na América... E mais aonde?

Desde que começou este processo das eleições americanas, sempre afirmei aos que me eram próximos que Donald Trump seria o vencedor. Ainda estávamos nas primárias e afirmaram-me que ele nem passaria daí, pois ganharia o Jeb Bush no lado dos Republicanos. Depois da desistência deste, já diziam que o candidato dos republicanos seria Ted Cruz. A verdade é que Donald Trump ganhou as primárias, mas, posteriormente, todos diziam que a Hillary Clinton ganharia sem problema. O resultado foi o que se sabe: Donald Trump ganhou.

Caros leitores, eu gostaria de fazer algumas perguntas retóricas, para aqueles que tanto se indignam com as “principais” propostas de Donald Trump. Ora vejamos:

- Expulsar imigrantes ilegais – o que é que os europeus querem fazer com os refugiados? O que é que o Reino Unido diz sobre os refugiados? Se um imigrante estiver legal, não tem qualquer razão de ser expulso, está legitimamente num país que o acolheu. Já pensaram que esses imigrantes podem estar a viver situações de exploração pessoal e laboral, pois não possuem qualquer direito, já se estiver legal poderá proteger-se. Ou seja, a expulsão como ato em si pode parecer negativo, mas se ela funcionar como forma de pressão que pode conduzir à legalização dos imigrantes pode ser positivo para todos.

- Obrigar as empresas americanas a voltarem a ter as suas fábricas nos Estados Unidos – imaginemos que a Empresa de Cerveja da Madeira fosse para a China, mas mantinha o “selo” a dizer que era madeirense e nada tinha de madeirense, pois os impostos nem pagaria cá, nem criaria emprego. O que achariam disso?

- Não estar refém de empresas, é claro que ele é empresário – suponhamos que ele receberia apoio da Goldman Sachs ou de Wall Street, como recebeu Hillary Clinton, como poderia tomar uma decisão contrária a essas empresas? Ou imaginemos uma Tecnoforma…

- Construção de um muro entre os Estados Unidos da América e o México – o que está a ser feito em Calais ou o que é que países do centro e Europa de leste querem fazer? E os europeus sabem que já existe uma vedação? Claro que a política do muro, que tanto serviu para condenar os países da antiga cortina de ferro, não é a solução, mas não sejamos hipócritas, ao condenar uns e silenciar outros. Ah… e sabiam que esse muro foi iniciado pelo Bill Clinton?

- Opõe-se à legalização do aborto – é uma corrente de um partido conservador, como é o republicano, se bem me recordo, o nosso atual Presidente da República também era contra. Uns concordam, outros discordam, não pode ser uma imposição de um dos lados!

- Redução de impostos a quem tem rendimentos abaixo dos 25.000,00 3£ anuais, e isenção de pagar qualquer imposto abaixo de um determinado nível – esta proposta só gostaria que fosse aplicada em Portugal com mais intensidade, sendo que já se aplica aos mais baixos escalões.

- Dos únicos candidatos, ao contrário dos outros republicanos que defendiam a privatização, ele pretende manter igual a Segurança Social – privatizar a segurança social era prejudicar a vida a milhares de americanos. Aliás, a segurança social pública é a principal característica do Estado Social Europeu que tanto defendemos.

- Reduzir os custos com a NATO e ajudar menos financeiramente a Arábia Saudita – sustentar uma organização que nada tem feito pelo Mundo é dramático, recordo que os partidos de extrema-esquerda em Portugal são contra a pertença do nosso País à Nato, mas claro que esses partidos são democráticos!

Mas o que eu gostei mesmo na vitória do Donald Trump foi ter visto que o maior derrotado foi a comunicação social!

Quero deixar uma nota. Para nós, europeus, Obama terá sido um excelente líder, mas não sentem um vazio de líderes europeus?

Já agora sabem o que me agradou nesta panóplia de comentários de portugueses e em especial dos madeirenses: é a indignação deles por alguém eleito nos Estados Unidos da América com estas características, mas, e por cá?! Ai a nossa memória!

Contudo, façamos um faz-de-conta, tudo em faz-de-conta, é claro:

- Faz-de-conta que haveria políticos que, para manter-se no poder, demitiam os seus “ministros” e entravam os suplentes, que os partidos que os apoiam deixavam de apoiar, mas ele mantinha-se.

- Faz-de-conta que haveria políticos que faziam promessas e outros que pagassem ou concretizassem.

- Faz-de-conta que haveria políticos que passassem mais tempo fora do seu país do que nele.

- Faz-de-conta que haveria políticos que pagavam balúrdios à comunicação social para fazer lavagens cerebrais ao povo;

- Faz-de-conta que haveria políticos que diziam ser licenciados e nem a 4ª classe conseguiram tirar, sem uma cunha;

- Faz-de-conta que haveria políticos que enriqueceram à custa de negociatas quando lá estiveram;

- Faz-de-conta que haveria políticos que pediam a amigos para custear as suas despesas.

- Faz-de-conta que haveria políticos que não passam disso… Fazem de conta, fazem de conta que não existem para não se notar e passarem entre os pingos da chuva, faz-de-conta que se toma decisões.

Neste faz-de-conta, até o Povo faz-de-conta que está tudo bem, mas será que está?

Para finalizar e em defesa pessoal, não sou defensor de Donald Trump, mas digam-me aquelas declarações que tanto indignaram, mas quantos homens em conversas privadas e até mulheres em conversas entre amigas não dizem: “comia aquela gaja/o”, mas claro se forem colocadas pública parecem mal.

Eu acredito que Donald Trump trará um novo ar político para o Mundo, irá retirar o poder, os financeiros e os tecnocratas mandam no Mundo e façam experiências com os povos, tal como fez o FMI com Portugal.

Os relatos de fim do mundo são verdadeiramente exagerados, por isso, a única coisa que posso dizer é que os EUA estão melhor que nós, Portugal. Por isso, só posso deixar a seguinte frase que tradicionalmente os presidentes americanos afirmam nos seus discursos de tomada de posse em relação aos EUA:

God bless Portugal!

Artigo publicado no JM Madeira.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"Sou mulher, muçulmana e imigrante. Votei em Donald Trump"


«Esta é a minha confissão e explicação. Sou uma mulher de 51 anos, muçulmana, imigrante e “de cor”. Sou uma das eleitoras silenciosas que votaram em Donald Trump. Não sou “intolerante”, “racista”, “chauvinista” ou “supremacista branca”, como os que votaram em Donald Trump estão a ser apelidados, nem faço parte da “reacção negativa dos brancos”.

Em Junho, após o trágico tiroteio no Pulse, Trump escreveu uma mensagem no Twitter com o seu estilo característico e subtil: “Será que o Presidente Barack Obama irá finalmente mencionar o terrorismo islâmico radical? Se não o fizer deve imediatamente sair do cargo que ocupa!”

Por volta da mesma altura, no programa New Day da CNN, Hillary Clinton parecia estar em sintonia com Barack Obama, afirmando: “Da minha perspectiva, importa mais o que fazemos do que o que dizemos. E importa que tenhamos capturado Bin Laden, não o nome que lhe demos. Já afirmei explicitamente que não interessa se lhe chamamos jihadismo radical ou islamismo radical, é-me indiferente. Na minha opinião, ambas as expressões têm o mesmo significado.”

Em Outubro, foi um e-mail de 17 de Agosto de 2014, divulgado pela WikiLeaks, que me fez virar as costas a Hillary Clinton. Nesse e-mail, Hillary Clinton dizia ao seu assistente John Podesta: “Temos de usar os nossos activos diplomáticos e mais tradicionais para pressionar os governos do Qatar e da Arábia Saudita, que estão a providenciar apoio financeiro e logístico ilegais ao Estados Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL),” – o nome politicamente correcto do Estado Islâmico – “e a outros grupos sunitas radicais da região.”

As revelações de contribuições multimilionárias do Qatar e da Arábia Saudita para a Fundação Clinton ditaram o fim do meu apoio a Hillary Clinton. Sim, quero igualdade de remuneração para as mulheres. Não, rejeito a “conversa de balneário” de Donald Trump, a ideia de um “muro” entre os Estados Unidos e o México e um plano para “banir” todos os muçulmanos. Mas tenho confiança de que os Estados Unidos não se convencem com esta hipérbole política – uma política identitária com uma agenda – que demonizou Donald Trump e os seus apoiantes.»
Artigo completo em publico.pt

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A natação e o empreendedorismo


O que têm em comum a natação e o empreendedorismo? A resposta pode parecer complexa, mas, na verdade, é muito simples. Eu, há muitos anos, fui um desportista nadador, e confesso que, nunca tendo chegado ser um grande nadador, empenhei-me o máximo que pude, chegando inclusive a ter algumas lesões. Mas a natação é, sem sombra de dúvida, o desporto que mais pode demonstrar o que sofre um atleta e um empreendedor. Se um atleta sabe muito bem o que vai sofrer para atingir todos os seus objetivos, porque será que nem sempre há o livro que alerte para as dificuldades e todos os obstáculos que tem que ultrapassar? Acima de tudo, há algo que todos deviam saber, que é a vida em solidão que quase sempre caracteriza os grandes competidores, não apenas no desporto mas em todos os campos da atividade humana.

Há uma questão que sempre me intrigou em todas as conferências e debates em que participei: será assim tão natural chegar ao palco e ouvir todos aqueles sucessos? Porque é que ninguém fala da realidade?

Um exemplo fantástico do sucesso é traduzido pelo vídeo da marca Under Armour sobre os atletas olímpicos americanos, nomeadamente o vídeo do Michael Phelps que descreve todo o trabalho, treinos, exercícios, recuperação física e se traduz uma frase muito simples: “It’s what you do in the dark that puts you in the light.”, há algo em comum neste vídeo com todos os empreendedores que é a solidão, mas também a constante luta e as derrotas que se sofre para atingir a vitória. A natação é dos desportos em que solidão está mais presente e na derrota é muito raro poder responsabilizar-se o “juiz”, a relva ou outra coisa qualquer, mas somente a nós mesmos, pois entramos dentro de água e tudo se resume a isso, a um mergulho, diversas braçadas, umas viragens e um simples toque na parede. Somos literalmente lançados à agua e à nossa capacidade individual. No sucesso do empreendedorismo podemos atirar as culpas para os clientes, para o ambiente, para uma data de variáveis, mas, na verdade, tudo se resume a nós mesmos. Ao empenho que colocamos naquilo que desejamos, à nossa análise do que se está a construir. Podemos ter ajuda de outros e até ter colaboradores, mas só o nosso empenho poderá nos fazer brilhar, tal como um Michael Phelps quando chega a um pódio em que tudo pode ser resumido em menos de um minuto. Todavia, e na realidade dos factos, são anos e anos de trabalho. É claro que o Michael Phelps teve insucessos, teve problemas emocionais e psicológicos, tal como muitos empreendedores, passou por várias fases, mas teve que ter força para regressar ao sucesso, voltar a estar na escuridão do insucesso, do trabalho e da dedicação até voltar a brilhar com o esforço insano desenvolvido. Uma das coisas que mais me deixava frustrado era treinar e treinar cumprir todos os objetivos propostos, mas não atingir as metas desejadas: estaria a fazer algo mal? Olhando para trás direi que não, direi que fiz tudo e que se tratou de uma aprendizagem que irei transmitir ao meu filho, e que será importante ele viver para que possa crescer.

Ninguém pode achar que algum empreendedor, seja ele de menor ou maior sucesso, como o Steve Jobs, o Bill Gates, o Larry Page, o Sergey Brin ou outros, quaisquer que sejam, se baseou unicamente numa mera empresa de garagem e que foi sempre a crescer, sempre a ganhar dinheiro? Esse pode ser o filme que se vê, mas a realidade é bem diferente, eles tiveram que viver para o seu trabalho e dedicar-se a tudo, respirar, controlar tudo e até muitas vezes falhar.

Nunca ninguém saberá as vezes que fracassamos, mas bastará uma vez para todos se recordarem do sucesso que se atingiu e aí brilhar ao sol, porque o esforço e os nossos fracassos hão de ficar na sombra!

Artigo publicado na Revista Madeira Digital

Mês de Web Summit em Lisboa


Este evento pode ser considerado o expoente máximo do empreendedorismo no Mundo, em especial para os “geeks”. O principal tema deste evento é a tecnologia e a Internet. O Web Summit foi criado por três empreendedores, em que se destaca o CEO que é Paddy Cosgrave. E o que é que tem de tão especial este evento para merecer tão grande destaque? Além de ter centenas de empreendedores de todo o Mundo, terá vários CEO e CTO de grandes empresas mundiais, desde a Microsoft, Cisco, Facebook, Amazon, Renault-Nissan e muitos mais… Mas há outras razões para tão grande evidência. Este evento acontece desde 2009 na República da Irlanda e pela primeira vez da sua história será fora de Dublin exatamente no nosso país, mais precisamente na nossa capital, em Lisboa.

O Web Summit realiza-se entre os dias 7 e 10 de novembro no Meo Arena e na FIL, e quem tiver oportunidade e possibilidade de a ele comparecer aconselho a ir a este evento, um evento fora de série e que valerá a pena.

Para este evento se concretizar, houve 66 startups que venceram o concurso Road2WebSummit http://www.road2websummit.com/, lançado pelo Governo no programa Startup Portugal. Há diversas temas interessantes desde áreas de mecânica, redes sociais, saúde, biologia, entretenimento e outras mais áreas.

Por diversas vezes tenho dito que o empreendedorismo não é a solução, mas é sem sombra de dúvida uma maneira de criar experiência e conhecimento, não só aos empreendedores, mas também aos políticos e decisores, como grandes empresários.

A exemplo disso, no dia 4 de outubro o Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, e o Primeiro Ministro António Costa ouvirão todos as startups selecionadas para representar Portugal no Web Summit, um evento que poderia ter sido de promoção destas empresas. E não é só isso, foi uma maneira de os políticos portugueses compreenderem através do brainstorming, pouco habitual, ouvirem todas as propostas e soluções para um pequeno ou médio país europeu como o nosso, das políticas em todas as áreas, não só na área da economia e tecnologia, mas também justiça, finanças, saúde e educação. Um dos assuntos verdadeiramente importantes conversados foi a questão das competências, pois as universidades criam teóricos e passam uma licença, que nos confere capacidade para aprender, contudo o politécnico deveria ter outra missão, algo que tem sido constantemente quase esquecido por quem gere as políticas do ensino superior e dos próprios reitores dos politécnicos, que esperam que seja uma universidade. Os politécnicos poderiam ter um papel fundamental na criação de competências mais adequados ao ecossistema das startups. Mas neste encontro uma grande questão que se colocou foi a fiscal, como poderia ser, a mais citada. Não é por acaso que somos dos países do mundo com a maior carga fiscal, dizem alguns, e aqui as startups reclamam para si um discriminação positiva, e até a criação de zonas francas não em regiões físicas, mas sim em áreas de negócio. O que poderá fazer algum sentido…

A verdade é que o Web Summit já está a ter os seus frutos, não só por causa deste evento em Portugal, mas porque os nossos governantes estão a ouvir os nossos empreendedores, pessoas que têm passado por enormes dificuldades e adversidades para conseguir conquistar um pequeno espaço neste mercado cada vez mais global. Esperemos é que aqueles que praticam o comércio “tradicional” saibam adaptar-se às mudanças, mantendo, todavia, as características de proximidade e tratamento personalizado que são a sua marca.

Artigo publicado na Revista Madeira Digital

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

2015 e Brexit

Nestas últimas semanas, foi revelado pelo Diário Económico, através dos dados da Informa D&B, que, em 2015, nasceram em 37 924 empresas e outras organizações. Considerando apenas empresas, serão 35 555. Neste estudo da Informa D&B, destaca-se ainda que a “iniciativa é maioritariamente individual e origina entidades de menor dimensão, mas com preponderância na criação de emprego e clara vocação exportadora”. Outro destaque neste estudo é o facto de as exportações terem atingido 63% do volume de negócios. Finalmente outro destaque deste estudo é a revolução e renovação do tecido empresarial português que estas start-ups estão a provocar, inclusive a sua capacidade em captar capital estrangeiro.

Falando em estrangeiro, volto a um tema de que já falei anteriormente, para referir o estudo também feito pela Seedrs, uma plataforma de crowdfunding, que é presidida por um português Carlos Silva. Esta plataforma fez um inquérito para saber se Londres se vai manter-se como o principal hub do empreendedorismo no período pós Brexi”. Neste inquérito, revelou-se que 52% acredita que Londres irá continuar como o centro mundial para os novos negócios inovadores e apenas 16% está preocupado com o facto de que a capital inglesa perca esse estatuto, enquanto os restantes 32% não sabem. Ainda este questionário da Seedrs, fica-se a saber que apenas 15% afirma estar preocupado com a possibilidade de falta de acesso a financiamento após a saída do Reino Unido da União Europeia.

Aparentemente parece que os investidores não estão tão preocupados, como se chegou inicialmente a temer após o referendo. Já agora gostaria de falar da plataforma Seedrs, em que aconselho qualquer pessoa a registar-se e experimentar, seja como investidor, seja como start-up à procura de investimento. A Seedrs permite que se invista ou atraia investimento de uma forma muito simples e online.

Publicado na Revista Madeira Digital no mês de Setembro

domingo, 4 de setembro de 2016

UMA ISENÇÃOZINHA!

Venho por este meio solicitar ao Senhor Ministro das Finanças a isenção do IMI do local onde passo a noite e passo a explicar. Este local, apesar de nele pernoitar e parecer que descanso, e onde vive a minha família é, na verdade, um local de reunião e de culto. Ora veja-se, à terça-feira ou quarta-feira às 19 horas e 45 minutos é hora de culto, sempre vejo o FC Porto na Liga dos Campeões, logo garante a caraterística de local de culto. Este acontecimento repete-se religiosamente para o campeonato nacional aos fins-de-semana, com hora a fixar-se posteriormente. Veja-se que muitas vezes há gritos e cânticos de alegria, contudo, nos últimos três anos, tem sido claramente mais choros, parece que vivo um jejum ou será uma espécie de quaresma.

Ao ser um local de culto já garante isenção, todavia, apesar de tudo sempre fiz política em casa, vejamos se não é política discutir que fraldas comprar, quais aquelas que garantem maior absorção para o bebé. Ou até saber que a sopa do bebé deve ou não levar peixe ou carne. E as “birras de fome”, entenda-se a recusa a comer por parte do meu ditadorzinho que tudo domina e que eu adoro. E até as discussões e muitas vezes parece que vivo uma ditadura em que o bebé manda e desmanda, mesmo sem dizer uma única palavra. Isto é mesmo uma grande liderança, qualquer manual de liderança devia aprender com ele. Toda a minha vida é política, pode não ser democrata, mas é política, eu, neste caso, só faço parte do proletariado a sustentar um pequeno ditador que ainda nem diz uma palavra, mas garante-me que o futuro será maravilhoso. Neste caso tenho a certeza que sim, pois acho que já fui esse ditador noutro tempo para os meus pais.

Caro Ministro, como verifica, fazemos política partidária em casa, que é também e sempre um local de culto, atendendo à sua compreensão à minha situação vivida cá em casa, peço deferimento para isenção do IMI deste local em que, na verdade, só venho cá prestar culto e também fazer política partidária.

Atenção: Eu sou favorável a que todos estejamos isentos de IMI.

Publicado no JM-Madeira no dia 2 de Setembro de 2016

sábado, 3 de setembro de 2016

A descrença!


Fernando Santos é, sem dúvida, o grande empreendedor, ele mostrou ter aquela caraterística que todos os empreendedores necessitam ter, isto é, acreditou que era possível, quando todos nós, ou pelo menos, a maioria onde eu me incluo, não acreditava que Portugal podia ser campeão europeu.

A persistência e a resiliência, apesar de todas as críticas, as críticas dos próprios portugueses que desacreditavam, podiam ser transpostas para outras situações, como quando a nossa família não acredita nos nossos projetos ou sonhos. Depois, quando começamos a ter algum sucesso, eis que a família começa a acreditar em nós e nas nossas capacidades, mas aí são os nossos adversários, no futebol e concorrentes nas empresas, que dizem que não somos capazes nem vamos conseguir. E eis que o sucesso começa a surgir, passo a passo.

O resultado da seleção não foi unicamente dos jogadores, mas de uma equipa técnica que preparou tudo ao ínfimo pormenor. Viu as nossas fragilidades, verificou que, apesar de termos o melhor jogador do Mundo, o Cristiano Ronaldo, muitos dos jogadores que temos não estão ao mesmo nível de Cristiano. Ao ver essas falhas, viu as oportunidades de trabalharmos como equipa. Desde a escolha do centro de estágio, onde a seleção de rugby tem o seu centro de estágio. É claro que todo o planeamento, a escolha dos jogadores, que se criticou, foi minucioso. E quando todos se riam quando o Engenheiro Fernando Santos afirmava que só regressava dia 11 a Portugal e com a taça, ninguém acreditou, mas ele foi lá e conseguiu.

Só pessoas com estas capacidades, claramente empreendedoras de grande sucesso conseguem ter esta visão, Fernando Santos, em síntese, demonstrou bem as palavras de Nelson Mandela: “Tudo parece impossível até que seja feito!”