terça-feira, 23 de abril de 2019

O CENTRALISMO DA CAPITAL, “ALFACINHA” OU “LANCHA”

Estas semanas, o Porto Canal tem feito serviço público, tem discutido de forma séria o centralismo. A verdade é que os portugueses são centralistas por sua natureza, está-nos na massa do sangue, mais do que qualquer outro país da Europa e até quiçá do Mundo.

Recordo-me numa formação em Castelo de Vide em que estive presente e uma assessora dum ex-Presidente da República, que começou a conferência “quando sai de Portugal…”, ela queria dizer Lisboa, mas para ela estar ali na “Sintra do Alentejo”, mais um demonstração do centralismo, era estar “fora de Portugal”.

A verdade é que o sentimento que os madeirenses, os portuenses, os alentejanos, os bragantinos, os algarvios, egitanianos ou de outra qualquer região do país sente em relação em Lisboa é também um sentimento que qualquer habitante de um concelho, vila ou freguesia fora do Funchal sente em relação ao Funchal.

Posta esta introdução, há vários pontos a colocar de forma séria: se eu perguntar quais são as capitais da Suíça, Austrália, Estados Unidos da América, Brasil, somos capazes de errar nas suas capitais, pois o desenvolvimento económico de várias cidades destes países que mencionei não está centralizado numa única cidade, muito menos na capital política desse país.

Quando verificamos que todo o centralismo é Lisboa pode-se colocar o mesmo paralelismo que os portugueses do Brasil colonial sentiam em relação a Portugal, ou até mesmo que os europeus sentem em relação ao domínio do eixo franco-germânico.

Tal como no século XIX, em que o Brasil conquistou a independência de Portugal, dois séculos depois caminhamos para um Portugal que poderá vir a pedir a independência de uma Lisboa que vive dependente do resto do país. O investimento no país é centrado na capital, desde eventos culturais, desportivos, económicos, centros de decisão e outros são todos ali. Repare-se, até no futebol a seleção é capaz de fazer toda a qualificação para o Europeu centrada em Lisboa, sem ir a qualquer outra região.

A melhor personificação do centralismo são aquelas pessoas, que todos nós conhecemos, que têm um grande carro, um daqueles mesmos bons, que os filhos estudam nos melhores colégios do país ou até no estrangeiro, que têm as roupas de estilistas famosos, com nome tão difícil de pronunciar que, quando se acaba a roupa, já está na altura de ir para o lixo. Perante tudo, isto… Essas pessoas, sem falar na dívida enorme que possuem, vivem numa barraca, mas não é numa barraca qualquer, é numa com uma antena parabólica e possui milhares de canais estrangeiros… Resumidamente, isto é, Lisboa, vive num país na miséria, mas aparenta ser melhor que todos os outros. No meio de tudo… Como Lisboa não tem capacidade para pagar esta vida de luxo, precisa da ajuda dos familiares que possuem casas humildes, têm uma vida humilde e fartam-se de trabalhar para sustentar, muitas vezes estes familiares…

Lisboa é isto! Mas o sentimento dos portugueses em relação a Lisboa é muitas vezes o mesmo que as pessoas na Madeira têm em relação aos “lanchas”, epíteto que a costa de baixo da ilha dá aos funchalenses.

O centralismo dos “lanchas”, ou até do “Funchal de baixo”, pois acima do Campo da Barca, acima da Penteada e atualmente muito acima da estrada monumental, o Funchal acaba. Muitos conhecem a doença do centralismo, mas poucos sabem sugerir as soluções.

Por exemplo, tal como acontece no Funchal, acontece em Lisboa, a rede de transportes está desenhada para o centralismo, tudo termina no “Centro”, daí a expressão. As escolas com todas as áreas e agrupamentos estão no Funchal. Por exemplo, até a gestão de infraestruturas fora do Funchal são geridas a partir do Funchal, sem que os locais tenham uma palavra a dizer, é o Parque Temático, são as Grutas, infraestruturas desportivas e outras… Como se pode então descentralizar? A descentralização é desburocratizar, é dar mais autonomia e gestão às instituições existentes nessas freguesias, mas isso só poderá ser possível com um quadro de governança que incentive a contratação baseada no mérito. É necessário os locais terem uma palavra a dizer sobre o que querem. Mas isto acontece em todo o país, é em Lisboa que se decide se um comboio pode passar por Évora e seguir para Elvas ou então nem existir, que é o que aconteceu. É mesmo em Lisboa que se decide que um professor de Freixo de Espada a Cinta deverá ir para Lagos dar aulas. O centralismo é isto!

Regionalização urge, não para amanhã, mas sim para ontem. Portugal precisa da independência de Lisboa, por via de ficar eternamente centrado numa cidade sem que o país conte.

domingo, 7 de abril de 2019

Mais inovação na Europa?


No mês passado começou a ser discutido o novo programa para o financiamento da inovação na União Europeia, neste caso será o Horizonte Europa, sucedendo ao Horizonte 2020.

Este novo programa será aplicado durante 7 anos, entre 2021 e 2027 e será o mais alto de sempre, isto é, 120 mil milhões de euros.

A verdade é que a UE deseja criar gigantes da inovação, pois quando se fala em Samsung, Apples, Googles, Alibabas e Amazons, nenhuma destas está na Europa, mas sim noutros continentes. Daí que a União procure e incentive a inovação. A ideia começou com a constatação de um paradoxo: se os países da União são tão fortes na área científica, qual a razão para produzir tão pouca inovação?

Essa questão, os políticos europeus ainda não encontraram uma resposta, mas procuram com o novo financiamento melhorar a forma como encorajar a inovação. Apesar da ausência da resposta, existem mais medidas a serem implementadas, nomeadamente a simbiose entre a ciência e as empresas de alto nível, isto quer dizer que não será só através do apoio a startups, porque a chave do sucesso é a cooperação com grandes empresas para que possa dar escala.

A comissão europeia reconhece que algumas startups irão falhar, mas esperam conseguir superar-se. Também há interesse em existir ligação entre o setor público e o setor privado, associará investigadores com empresários e finalmente será aberto aos melhores de cada país e assim ligará empreendedores de todo o continente, até a Europa atingir uma escala mundial em relação à inovação.

Assim, também a prioridade da comissão europeia será garantir que os países com baixos desempenhos nas áreas de investigação e inovação possam participar mais.

O comissário Carlos Moedas acredita que estas medidas poderão vir a criar uma Liga dos Campeões para os empreendedores europeus e assim criar uma dimensão às empresas, que por sua vez criaram emprego e prosperidade para os Europeus.

Logo, a criação outputs científicos deverá traduzir-se em mais inovação e mais e melhor empreendedorismo na Europa.

Madeira Digital - Abril

quarta-feira, 27 de março de 2019

“Um governo com 19+1: 19 amigos e mais 1 para trabalhar!”*

 
Nunca poderei criticar este Governo socialista pela sua excelente medida de convidar familiares, amigos e afins para o Governo. Não me digam que iam querer convidar para os cargos desconhecidos, com base em algum concurso público. Mesmo quando for amigo, é preciso verificar se não é amigo da onça, a esses não há nada como colocar os parceiros da esquerda a escrutinar numa comissão qualquer e posteriormente deixar ser achincalhado e assim acabar com: “se calhar eu não vou aí e fico como deputado...”

Mas vamos ao cerne da questão: eu também faria o mesmo. Por exemplo, convidaria o meu pai para Ministro das Finanças, pelo longo período em que geriu e muito bem as minhas contas e as contas familiares. É sem dúvida a pasta mais importante.

Já para Ministro da Infraestruturas convidaria o meu primo que é um excelente pintor.

Para Ministro dos Negócios Estrangeiros só podia ser o meu tio que vive na Venezuela.

Para Ministro dos Presos e afins seria um amigo meu que é guarda.

Para Ministro da Economia, o meu padrinho da crisma, pois é contabilista e podia sempre gastar o dinheiro.

Para Ministra da Inovação e Ensino Superior seria a minha melhor amiga, já que é formada em Física Aplicada, dá logo um toque de tecnologia.

Ministro da Escola convidaria um amigo socialista só porque assim mostrava que era democrata e até era capaz de ir buscar gente à oposição.

Já para Ministra da Família, Mulher e Igualdade seria a minha esposa, quem mais poderia ser?!

Para Ministro do Turismo seria um amigo meu que esteve na Austrália a viajar durante um ano, pois está sempre a viajar e melhor que ele?!...

Para os Transportes seria um casal de amigos que tenho que também estão sempre a viajar e percebem mais de aviões que qualquer outra pessoa.

Agricultura e Pescas nomearia os meus sogros, pois eles têm um poio com algumas árvores de frutos e dariam conta do recado.

Ministra da Justiça só poderia ser a minha prima, pois é jurista e aquilo é uma coisa para juristas.

Para Ministro do Desenvolvimento Regional e do Interior seria o meu compadre, percebe mais do que ninguém dessas área, uma área complexa e sempre com grandes medidas.

Cultura é fundamental e teria que ser um artista irreverente que teria como caraterística desenhar orelhas de um jumento.

Para o Ministério da Energia teria que convidar o meu amigo eletricista, pois é sempre preciso dar à luz.

Já para Ministro da Juventude só podia ser o meu primo, pois é um estudante do ensino superior e é jovem e sabe o que é que os jovens querem e precisam.

Para Ministro da Comunicação Social só podia ser entregue ao JM e a toda a sua equipa seria o meu melhor ministério, será que alguém têm dúvidas?

No Desporto só podia ser entregue a um antigo jogador madeirense de futebol do Marítimo, pois é um dos meus clubes e é da minha terra, ora essa... Quem mais poderia ser?

Para o Ministério do Petróleo convidaria o meu colega do lado, pois é engenheiro mecânico e está acostumado a esses produtos para usar nos carros e na mecânica.

Ministro dos Assuntos Parlamentares e Defesas dos Tachos e Chefes de Gabinete tenho um amigo que tem um restaurante na zona velha e só podia ser ele, pois já está costumado a estar entre tachos e panelas e aí no parlamento poderia fazer um grande cozinhados com aquelas coisas requentadas que a Oposição já repete há que anos!

Já para os secretários de estados, assessores e chefes de gabinetes teriam que ser familiares destes mesmos, não seriam admitidos outros sem ser familiares destes.

Ah... é verdade... Já estão os 20 amigos, é certo que no título prometia 19, mas é preciso sempre encaixar mais um amigo. Mas, mesmo assim, falta o “mais 1”, como todos os governos fazem o “mais 1” para trabalhar... Esse só poderia ser o Mário Centeno ou o Miguel Silva Gouveia!

Ah... é verdade... A minha principal medida será: “Acabar com o desemprego!”

E como? “TACHOS PARA TODOS!”*

*Estes slogans não são meus são de uma marca de uma bebida alcoólica portuguesa que tinha o Paulo Futre como protagonista.

quarta-feira, 13 de março de 2019

O Governo é bilhardeiro


Ponto prévio: O estudo que o Governo Regional encomendou sobre a realidade madeirense deveria ser mais regular para sabermos como está a Madeira e os madeirenses. Parece-me fundamental para entendermo-nos, mas também de alerta a todos os políticos. Ontem, acredito que o diálogo de muitas famílias em casa foi assim:

- Oh José! Sabias que o Governo encomendou um estudo sobre a gente? – interroga a esposa em casa, enquanto passa os olhos pelo JM.

- Ah sim… Li qualquer coisa… - responde o João, assim sem muito interesse, já que são todos assim…

- Afinal, eu sempre tinha razão, estou a ler o estudo na Internet e diz que há a perceção de existir muita droga e vem de barco, mas não nos arranjam o ferry. Já me viste isto!

- A sério? – incrédulo questiona o João, enquanto se encosta à Maria – Deixa-me cá ver isso!

- Eu bem te dizia que os “horários” estão uma desgraça, por isso peço-te sempre para apanhares-me. Eu saio de casa, aqui na nossa casinha, em São Gonçalo e para ir para o trabalho ali em São Martinho demoro quase uma hora, e tenho que apanhar duas camionetas, afinal não sou a única a dizer mal – argumenta a Maria.

- Eu bem sabia, eu digo-te, tantas e tantas vezes, que ir ao Porto Santo é caro, em especial a viagem, mais valia irmos à Calheta de férias - repara o José.

- Para isso, era preciso existirem unidades hotelarias suficientes. Olha e isto aqui da educação, eu cá quero que os nossos filhos cheguem à universidade, mas repara que depois não há emprego para eles. Vão ter que ficar no continente, pois não haverá emprego para eles, nem formação para evoluírem. Que tristeza, meu José…

- Tens toda a razão – abana a cabeça, afirmativamente, o José.

- Mas olha, tantas vezes digo que os venezuelanos são os protegidos deste governo, e tanta gente concorda comigo – desabafa Maria.

- Oh Maria, deixa-te dessas coisas, não estás a ver o que passaram esses nossos conterrâneos que tiveram que fugir.

- E mais, sabes o vizinho, o Manel, a mulher e as filhas a viverem de subsídios, de facto é uma pouca vergonha, não querem trabalhar e vivem à nossa custa, mas esses cá são madeirenses – lá começa a bilhardice da Maria.

- Já chega dessas bilhardices, quero lá saber dos vizinhos! – José coloca um ponto final nas bilhardice. - Aprecia-me isto, eu há que tempos que digo no Governo que se ganha mal e estamos abaixo da média nacional, temos produtos mais caros que no continente e estamos a pagar demasiado pela casa, temos que ir negociar com o banco - observa o José.

- Ai meu José, já me viste que não sou a única a gostar do Tony Carreira, nem do nosso presidente, que é um querido.

- Deixa-te de coisas, Maria, não vês que os madeirenses sentem é orgulho no homem que mudou a Madeira, esse sim, é um grande ídolo, o nosso Presidente Alberto João Jardim – conclui o José.

- Olha José, já se faz tarde, vai mas é fazer o jantar que já estou com fome e está quase na hora da novela da TVI.

- Já vou, Maria. Mas tu já me viste que esta malta do governo é mais bilhardeira que tu… - satiriza o José, com aquele seu sorrisinho característico.

Este podia ser o diálogo de qualquer família madeirense, tentei acabar com os estereótipos, tudo o que tem de “estereótipo” são dados do estudo da Aximage.

Quero deixar outros dois destaques:

Primeiro: o Cristiano Ronaldo é a personalidade mais idolatrada pelos madeirenses.

Segundo: os políticos e seus líderes são os menos confiáveis para os madeirenses, bem como os deputados.

Post Scriptum: Quero só fazer um reparo ao estudo e aos técnicos da Aximage: já não existe “presidente da Assembleia Nacional”, pois não acredito que os madeirenses ainda confiem ou não nele, pois esse deixou de existir em 1974, o que existe atualmente é Presidente da Assembleia da República.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Princípio de Peter


Este princípio foi originalmente publicado em 1969 nos Estados Unidos da América por Laurence Johnston Peter e Raymond Hull. Este princípio de uma forma muito simples indica: “Num sistema hierárquico, todo o funcionário é promovido até ao seu nível de incompetência.”

E existem dois corolários:

1. Com o tempo, cada posto tende a ser ocupado por um funcionário que é incompetente para realizar suas funções;
2. O trabalho é realizado pelos funcionários que ainda não atingiram o seu nível de incompetência.
Peter cita vários exemplos: como é o caso de Macbeth (uma figura fictícia de Shakespeare) que foi um excelente chefe militar, mas um rei incompetente; Hitler que foi um político competente, mas conseguiu encontrar o seu nível de incompetência como general; e por aí adiante… Acredito que ao ler este artigo consegue identificar em seu redor diversos exemplos. Exemplos de pessoas que foram promovidas e que atingem o seu nível de incompetência.

Uma das considerações desta teoria é que a “super-competência” é combatida ainda mais do que a competência. Um dos exemplos enunciados, neste caso citado pelo professor Bob Sutton: “Os melhores professores em universidades de prestígio são pressionados por seus pares e líderes para fazerem um trabalho menos bom de ensino porque “estão a fazer todos os outros a ficarem mal”.
Assim, o sucesso torna-se “prejudicial”, porque ameaça a hierarquia; a conclusão disto é que “nada tem tanto sucesso quanto o insucesso.”. Enquanto a incompetência prejudica, apesar do objetivo das corporações é obter a máxima eficiência, a verdade é que não há como evitar e acabarem estagnados nos seus postos. Logo, toda a estrutura da organização é colocada em causa e minando. E logo surge outro obstáculo secundário é que nas burocracias as regras para destituição de alguém que foi promovido são mais difíceis de lidar do que aquelas que levam à promoção.

Já Rodney Crawford aplicou este princípio à administração pública, o que torna a situação bem mais complexa, pois no serviço público poderá continuar a cometer erros até que se reforme, pois a demissão não é uma opção para os funcionários públicos.

Como é óbvio nas pequenas organizações e startups, tal não acontece, já que as mesmas só sobrevivem quando superam vários erros, mudam, transformam-se até focarem-se no que são competentes a realizar, e muitas vezes acabam quando chegam ao ponto de incompetência. Já nas grandes empresas é quase semelhante às organizações públicas.

Já existe sugestões e ideias para evitar que este princípio afete a organização e que deixarei para outro artigo…

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

RECONHECER GUAIDÓ: BOM CENSO OU CENSO ELEITORAL?

Ponto prévio: Não sou apoiante de Maduro, nem de Guaidó e acredito que a Venezuela vai mudar muito brevemente, esperemos que democraticamente.

Portugal tem mais de meio milhão de emigrantes e ou lusodescendentes na Venezuela. Portugal reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela. Agora, todavia, chegou-se a uma situação de impasse, com a atitude intransigente de Maduro. Isso é problemático para um país com uma imensa comunidade naquele país. Ao contrário de Itália, que, tal como Portugal e Espanha, possui milhares de cidadãos lá, mas que alega o princípio da não interferência que foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas.

Se para os Estados Unidos da América e outras grandes potências o interesse é financeiro e económico, para Portugal o interesse, além de humanitário, poderá, segundo alguns, ser também eleitoralista, pois é do conhecimento geral, que, mesmo sem haver qualquer estudo de opinião, aqueles que fugiram da Venezuela para a Madeira não apoiam, nem estarão com Maduro. Daí apoiar Guaidó poder rende votos em maio, setembro e outubro, mas a que custo?

Qual é o custo que isso trará? Isto preocupa-me e deveria preocupar todos os madeirenses e até os emigrantes que regressaram da Venezuela, pois têm lá família. Uma coisa é manifestarmo-nos contra o regime lá vigente, outra é o cuidado diplomático com que a questão deve ser tratada. A razão é simples: existem lá meio milhão de emigrantes e agora com quem é o governo português falará, sabendo-se da obstinação do regime chavista? Reconheceu Guaidó, mas quer ter uma política de diálogo com o governo de Maduro. Pelo menos, foi isto que foi entendido. Mas alguém acha que Maduro irá tolerar isto? Se houver um conflito, isso pode colocar em causa a segurança de familiares, amigos e concidadãos na Venezuela. Repare-se que a retaliação do regime de Maduro já se revelou. As forças especiais portuguesas foram impedidas de entrar em Caracas para proteger a nossa embaixada. Entre as vantagens político-eleitorais e a vida de muitos portugueses e madeirenses é aconselhável prudência.

Recordo que Alberto João Jardim recebeu Pieter Botha, que, na altura era presidente da África do Sul, num período em que se adivinhava o fim do “apartheid”, contudo teve que receber por uma causa maior, que eram os madeirenses. Aliás, houve então uma certa dialética, dando-se à Madeira uma certa liberdade nessa questão, um pouco diversa da política nacional. Na altura, o Governo Francês recebeu a comitiva sul-africana como visita de Estado. A Madeira ter recebido a comitiva sul-africana permitiu garantir a continuidade de pontes diplomáticas com um país com tantos madeirenses. A verdade e que isso não impediu, após a transição de regime, a Madeira e Alberto João de conseguirem manter e garantir pontes com Nelson Mandela e o Governo Sul-Africano.

Temos que aprender com a história! É certo que não ter recebido Botha teria sido mais confortável para a Madeira, mas poderíamos ter colocado em causa empresas, empregos e mais do que tudo a vida de muitos madeirenses na África do Sul.

Talvez o interesse dos lusodescendentes originários deste território aconselhe a uma estratégia dialética combinada entre a Região e a República, até porque a dicotomia entre anjos e demónios não se aconselha na diplomacia, quando há variegados interesses que, de um lado e outro, se movimentam, incluindo questões geoestratégicas. Preconiza-se pragmatismo sem perder a noção dos grandes princípios. A diplomacia é a gestão prudente dos dados em presença. Ainda vamos a tempo de compreender isso.

Neste momento, só nos resta rezar e aguardar que a Venezuela não caia numa guerra civil e que Portugal consiga proteger os seus filhos.

​Post Scriptum 1: Não posso deixar de prestar a minha homenagem às crianças que morreram no Ninho Urubu (Centro de Treinamento George Helal) do Flamengo, e que perseguiam o sonho de serem futebolistas profissionais e morreram precocemente, um sonho que, infelizmente, terminou. Como diz o ditado grego: “morre jovem quem os Deuses amam”.

Post scriptum 2: Era importante ler os estatutos dos partidos antes de fazer notícia, pois não existe a “modalidade” “militante suspenso a seu pedido pela “moral” e os “bons costumes” e já agora era bom existir também a modalidade: “militante suspenso a seu pedido, pois não ganhou o candidato que eu queria.

Publicado no JM-Madeira em Siga Freitas

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Planear é colaborar


No final de cada ano, é sempre importante fazermos um balanço, todos os empreendedores o fazem, mas mais importante que isso é planear o futuro.

Por isso, é importante voltar a seguir um novo ciclo de planeamento. Para 2019, todos os empreendedores deverão começar a reler Arte de Guerra de Sun Tzu.

Assim, há que começar pelo primeiro passo: compreender o terreno, neste caso em que cenário em que está a empresa.

Será importante relembrar e refletir sobre o passado, em especial sobre o conquistado, porque esse passado traz enormes ensinamentos. Novas visões ou até aprimorar a visão para a startup ou empresa.

Elaborar estratégias de novas conquistas, mas acima de tudo usar o Pentágono Estratégico como base para elaborar a estratégia da empresa.

Todos os anos deverão existir novos objetivos, novas metas, todas realizáveis, não ao ponto de conseguir-se atingir no primeiro mês ou semana, mas durante um ano. Assim, os objetivos estarão validados.

Sem dúvida que o caminho a percorrer é um enorme desafio para atingir esses objetivos, esse caminho e alternativas irão condicionar a ação, mas mais que isso deve-se cuidar e saber que é esse mesmo o trajeto que se pretende para a empesa.

Conhecer a concorrência, este ponto é importante, mas não o mais importante, porque é mais importante conhecer o alvo e quais os clientes que se procura e onde se pretende estar. Mas ainda existe um ponto mais importante que o anterior, consegue saber qual o que se deve mais valorizar? Os colaboradores! Sem colaboradores que se sintam envolvidos nas decisões, nas visões e parte da estratégia da empresa, só assim se irão sentir parte da família, só com os colaboradores é que os clientes serão elevados ao nível que devem estar.

Por isso, para 2019 há que colocar no cerne do planeamento: os colaboradores.

APARIÇÕES DE FÁTIMA E DA JUSTIÇA


A semana passada, Joana Amaral Dias divulgou o relatório da Auditoria à Caixa Geral Depósitos (CGD), algo que os deputados impediram em votação de ser divulgado. Ainda bem que foi divulgado.

Ficamos a saber negócios ruinosos, negócios que colocam a CGD como um dos bancos que mais ajuda precisa. Há diversas questões que temos fazer, aquelas que habitualmente fazem a quem quer contrair um empréstimo para ter um local onde viver:

- Tem maneira de dar 10% de entrada?

- O que pode dar como garantia?

- E fiadores? Que tal os seus pais?

Já que quem aprovou, não necessitou de fazer essas questões, vamos passar à frente. E vamos ao segundo lote de questões:

- Qual a razão de ninguém ter sido executado?

- Qual a razão de muito dessa gente ainda viver à grande e à francesa?

- Qual a razão dos administradores terem recebido prémios, quando o banco estava a dar prejuízo?

Finalmente vamos ao terceiro e último lote de questões:

- Ninguém vai preso?

De facto, o que a Joana Amaral Dias fez, foi serviço público, é de interesse público e tem a máxima relevância nacional, pois muitos daqueles casos estão a prescrever.

Contudo, casos de 10, 20 ou 30 mil euros em créditos habitação, a CGD não deixa prescrever. Qual a razão? Há uns clientes que são filhos e outros enteados?

Ainda há umas semanas, ouvia no Levanta-te e Ri, um humorista a ter uma consideração que me levou a pensar:

“De vez em quando era bom a Justiça e Nossa Senhora de Fátima aparecerem, só para continuarmos a acreditar que existem.”

Post Scriptum 1: Em novembro o INE divulgou que os ordenados dos políticos e dos gestores executivos aumentaram em 7,1%. Também soube-se que os presidentes executivos das empresas do PSI-20 aumentaram na ordem dos 40%, já os salários dos funcionários dessas empresas mantiveram-se iguais. Está na altura de regular os ordenados máximos, nomeadamente ordenados e regalias que não poderão exceder 10 ou 20 vezes o valor do ordenado e regalias que o trabalhador mais mal pago dessa respetiva empresa.

Post Scriptum 2: Ontem, ficou-se a saber que Portugal em 2018 desceu uma posição no Índice de Perceções de Corrupção, obtendo 64 pontos e ocupa 30.ª abaixo da média europeia. Dá que pensar…