quarta-feira, 26 de maio de 2021

ESTUDEI NA MELHOR ESCOLA DA MADEIRA



Eu fui estudante, desde o 7º ano até ao 12º ano, da Escola Secundária Francisco Franco, isto é, foi o local até hoje onde passei a maior parte da minha vida de estudante. Logo, os rankings das escolas deviam deixar-me feliz. É isso? Como é óbvio, não.

Estes rankings são demasiado redutores e, simplesmente, são uma estratégia de marketing e de venda do ensino particular aos pais que procuram o melhor para os seus filhos.

Eu quero, desejo e procuro que o mérito seja recompensado, que as desigualdades diminutas e, por sua vez, exista equidade no acesso aos graus de ensino mais elevado. Mas será isso que acontece?

A Madeira aparece com a melhor escola em 168º lugar, o que significa que existem 167 escolas à frente das escolas madeirenses. Mas será que os alunos madeirenses serão piores do que o resto do território português, em especial das 40 melhores escolas, que, inexoravelmente, tendo em conta estes rankings, são privadas.

No Ensino Superior Público, aí sim, existe uma maior democratização do ensino, apesar do mesmo ser pago, pois é aí onde o aluno pobre senta-se ao lado do aluno rico, ambos têm acesso às mesmas ferramentas, caso não tenham, mesmo que o rico tenha acesso a mais ferramentas e estas deem um ligeiro avanço, o pobre, que sempre se esforçou mais, não achará grande dificuldade em igualá-lo. Nas desigualdades não se pode só falar da classe social, falámos também das regiões, do interior para o litoral, do continente para as regiões ultraperiféricas, dos alunos deslocados, dos que tiveram a sorte de não se deslocarem, dos que tiveram de abandonar os estudos para trabalhar ou até conciliar. Somos um país tão pequeno, mas cheio de assimetrias. Somos um país onde um pobre tem tantas facilidades como um rico, em que, solidariamente, a classe média paga os subsídios dos pobres e os impostos que os muito ricos não pagam.

No ranking das escolas, seria importante saber a relação entre os resultados e os rendimentos das famílias dos alunos. Será que as escolas mais bem classificadas eram de classes baixas, médias ou altas? Quantos destes alunos já trabalhavam? Quantos destes alunos possuíam alguma deficiência? Quantas destas escolas tiveram professores o ano inteiro? Estas são algumas das questões que se pode fazer e a que o ranking, simplesmente, não responde. O ranking é, indiretamente, a promoção das escolas privadas. Será que os alunos que praticam desporto não deviam ser discriminados positivamente? Falo de casos que conheço, será que uma escola que tem alunos a sair às 18 ou às 19 horas e depois esses mesmos alunos vão praticar um qualquer desporto, chegam a casa às 22 horas estão em igualdade com os outros? Mas nunca se pensa no desporto como parte integrante do ensino, simplesmente como algo complementar. Só os atletas de alto rendimento possuem acessos e benefícios em relação aos outros. Nos anos dos Olímpicos, os portugueses ficam chateados, pois não aparece medalhas nos rankings, olha outro ranking e aí se demonstra que ninguém quis saber de colocar o desporto como integrante no ensino, não se deu as melhores condições aos atletas que um dia foram alunos.

Os pais mais desatentos vão nesta lengalenga de quem são os melhores do ranking, mas podemos comparar o incomparável?

As desigualdades no nosso país vão além das escolas, isto é, um país tão pequeno e em Lisboa que não decide uma regionalização para combater estas assimetrias nacionais. É Lisboa, que possui o PIB mais alto e o mais alto investimento privado, tem sedes das maiores empresas, que decide se deve ou não existir CINM, se deve ou não existir o Infarmed no Porto, que decide que os grandes eventos nacionais são lá e não noutro qualquer lugar do país. O resto do país é simplesmente para passear e ir visitar os familiares à aldeia. É este o país que temos, nem para estudar serve, pois Lisboa não dá condições! Enfim, rankings onde se insiste em comparar o incomparável.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

OS SEM VERGONHA

As redes sociais criaram a opinião de muitas pessoas, que, sem as mesmas, nunca seriam ouvidas ou lidas. No entanto, trouxeram um novo modo de fazer as velhas campanhas eleitorais, modo, que, aliás, que sempre existiu, mas sob outra forma. Usando um termo regional ou um brasileirismo, era a bilhardice, a fofoca, que era à boca pequena, agora é feito à boca grande e para todos vermos, isto é, com as tais bilhardices, mentiras e boatos simplesmente para denegrir adversários políticos. Aquilo a que os americanos sempre souberam, as campanhas negras.

Quero com isto elogiar e agradecer a todas entidades políticas, empresas públicas, privadas, mas, acima de tudo, às pessoas, pois falamos de pessoas que contribuíram para que a tempestade do dia 27 para 28 de março não tenha ocorrido com uma tragédia com danos incalculáveis.

Porém, se estivéssemos atentos às redes sociais, éramos capazes de ver, alguns sem vergonha, a dizerem: “da adufa da rua A começou a sair água, a culpa é daquele…” O problema é que as adufas foram em vários concelhos e alguns da mesma cor política desses que acusavam os dirigentes dos concelhos onde o partido da sua preferência não era poder. Depois faltou a eletricidade, aqui já era uma situação anormal, um tempo anormal e tudo anormal. Mas isto era só para eles, agora estavam calados, pois ficaram sem luz. Temos que ter atenção que, quando fizeram esses comentários, não atacavam o Presidente de Câmara de Lobos, do Funchal, de Santa Cruz ou do Polo Norte, atacavam os cantoneiros, os homens da limpeza, os canalizadores, os bombeiros e tantos outros profissionais, esses homens que são nossos amigos, nossos familiares. É uma falta de vergonha desses “perfis falsos”!

Estes perfis falsos, estas pessoas que se cobrem sob o manto de anonimato, não passam de uns sem vergonha, pois, tal como muitas vezes eles ouvem, se é que percebem o que significa, a frase de Francisco Sá Carneiro: “A Política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha”.

Com isto quero agradecer às autarquias, aos seus funcionários que foram incansáveis, aos bombeiros municipais e voluntários, às proteções civis municipais e regional, aos presidentes de câmaras, ao presidente do Governo Regional, ao Secretário Regional da Saúde e Proteção Civil, aos eletricistas, técnicos e engenheiros da Empresa de Eletricidade da Madeira, à PSP, aos funcionários da ARM, à Segurança Social e restantes entidades que ajudaram a minimizar esta intempérie.

Como é óbvio, estes bravos homens e mulheres tiveram que abandonar as suas famílias para dedicarem-se a nos a proteger, estes homens e mulheres que foram resilientes em nosso prol. O meu muito obrigado!

Entretanto, há algo e alguém a quem e que devemos agradecer, que foram as obras, muitas vezes criticadas, do Dr. Alberto João Jardim e do seu Governo, para proteger a cidade do Funchal: Mostrou-se outra vez que as mesmas foram eficazes nesta proteção. É claro, há uns que dizem: “mas a chuva foi no centro do Funchal e da outra vez foi na serra…” Estes nunca terão capacidade para valorizar os outros, pior que isso, desvalorizam os outros - técnicos e engenheiros que fizeram cálculos. Só eles é que sabem! Os chamados treinadores de bancada.

Finalmente, gostaria de pedir aos sem vergonha que tenham dó do Povo, que não é idiota e não leva com idiotices, embora haja que reconhecer que as mesmas abrem feridas que jamais serão saradas. A política não é isso. Aos líderes partidários: deviam impedir isso e apelar, através da pedagogia democrática, para que não se continue no bota-abaixo que degrada a democracia. E não se façam de inocentes, dizendo que nada sabem!

É cliché, mas tem que ser, pois é um cliché deles: “A política sem risco é uma chatice e sem ética uma vergonha!”

quarta-feira, 10 de março de 2021

A BURGUESIA DO TELETRABALHO


A semana passada tivemos uma entrevista ao jornal i pela Professora Susana Peralta que defendeu: “Houve uma parte substancial das pessoas em Portugal que não perderam rendimentos, toda a burguesia do teletrabalho, todas as pessoas do setor dos serviços que, aliás, são as pessoas mais bem pagas, o que também me inclui a mim. Esta crise poupou muito as pessoas que trabalham neste setor e são as pessoas com mais escolaridade. Podia-se perfeitamente ter lançado um imposto extraordinário sobre essas pessoas para dividirmos o custo desta crise”.

Esta parte da “burguesia do teletrabalho” podia muito bem pagar a crise, basicamente a professora está a dizer: “os funcionários públicos (onde se inclui os professores), empreendedores, empresas privadas de serviços” devem pagar a crise. Mas já não foi na crise anterior? Como é ficou o país?

Ainda o teletrabalho, aqueles que ficaram com os filhos? Deverão também pagar mais impostos? Só quem não tem filhos é que pode dizer isso. O esforço que os pais têm com as crianças em casa, em trabalhar e em colocá-los a estudar. Esses deviam receber mais e não pagar mais impostos. Deviam receber um abono, a sério!

Devemos inventar um imposto para aqueles que diariamente vão trabalhar, pois a pegada ecológica é superior (CO2 é superior) e prejudica o Mundo. Certo? Então os médicos, enfermeiros, profissionais de saúde em geral devem pagar mais impostos, pois não perderam rendimentos? As pessoas com mais escolaridade devem pagar a crise, apesar da forte emigração destes profissionais para o estrangeiro! O mais engraçado é que se fala: Portugal não pode ter a sua indústria assente no turismo. Claro que não! Nem do serviçalismo… Portugal precisa investir nas indústrias em que fomos fortes e não se modernizou, precisamos ser parte de um motor da Europa, não se pode ser unicamente a praia e as paisagens da Europa.

Os meus filhos, os vossos filhos, os meus amigos e colegas têm de viver em Portugal têm de produzir em Portugal! Não podemos continuar num país miserabilista, num país de fado, num país sem rumo desde as descobertas! Num país que contínua a exportar os seus melhores para o estrangeiro e lá é que eles são bons!

Felizmente, temos mais uma oportunidade, possivelmente a última desta geração, para fazer algo pelos portugueses, por nós, com o Plano de Recuperação e Resiliência!

O imposto que deve ser criado, é o imposto da consciência dos meus concidadãos que após tudo isto irão à tasca da esquina, ao restaurante da porta do lado, à loja de calçado local e à modista local. Este é o melhor imposto que pode ter!

A crise far-se-á sentir, não existam ilusões! Caberá ao Governo não deixar acontecer o que aconteceu da outra vez. Desta vez, os bancos terão que ser solidários, tais como o Povo foi anteriormente.

Já a TAP gostaria de questionar: como é possível, nós todos injetarmos milhões e não efetuam serviço público para a Madeira? Temos neste momento 1 único voo diário. Isto não é admissível! Nem nas piores greves da TAP tal aconteceu! Eu não quero viajar, mas quem precise de ir ao continente, seja por qualquer motivo, necessita que esta ligação funcione com um mínimo de 2 voos diários.

Em relação ao confinamento, os números melhoram, se calhar está na altura de começar a criar o plano de desconfinamento para a Madeira, isto é, algumas escolas estão vazias e para não existir cruzamento de alunos, fazer um ano ter numa semana aula, outro ano ter noutra semana e por aí fora. Os professores, esses devem e podem ficar na escola a dar aulas online e as presenciais. A Madeira tem de continuar na vanguarda das medidas e nas medidas certas para conseguirmos ter a economia a funcionar.

O Covid-19 não vai passar, vamos ter de nos habituar a viver com ele.

Post Scriptum: A semana passada houve um buzinão por causa de futebol, estranho é nunca existir um desses buzinões para os políticos e continuarmos com níveis de abstenção assustadores!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A PRÓXIMA FESTA



O meu filho mais velho foi batizado pelos avós pelo “João das Festas”. O João das Festas é assim, pois ele vive o calendário de acordo com as festas. Mal acabou uma, fica à espera da próxima.

Nós, normalmente, seguimos o calendário solar, outros o lunar, o meu João das Festas regula-se pelo tempo do calendário das Festas. Assim, viveu o Natal, mas já na primeira oitava perguntava: “quando chega o Carnaval?”… Tive de travar essa loucura de festas e exclamar que ainda faltava o fogo do início de ano e depois o dia de Reis, se fosse espanhol, se calhar entenderia melhor o dia de reis, que é o dia de presentes, ou “regalos” de nuestros hermanos.

Depois pede-me para enumerar as festas todas… E eu lá digo eu: o dia de Reis, depois o Carnaval, depois a Páscoa, os anos do mano, o teu aniversário, o Verão (ah sim… o verão é uma festa), depois o Natal e depois os outros todos.

Aí ele retorquiu logo: E o dia da criança?... É verdade, esqueci-me desse dia. O dia da criança!

Acredito que este calendário das festas até é saudável, é a definição de felicidade da vida, de crescer com base na felicidade e na alegria, na expetativa de um manhã sempre ridente. E assim se constroem os sonhos, as utopias, os novos horizontes, os projetos de vida.

Mas, na verdade, se repararmos, quase ninguém segue o calendário solar, mas sim o calendário eleitoral, o calendário da nomeação, o calendário escolar, o calendário dos “impostos”, o calendário do futebol… Ora… Assim, pelos vistos, ninguém segue o calendário solar. Nós podemos não viver nenhum desses calendários, mas todos eles influenciam a nossa vida.

O do meu João das Festas é, sem dúvida, o melhor. Eu procuro sempre ler, ouvir, ver e, recentemente, vi uma palestra do artista brasileiro Eduardo Marinho, que contava a sua história de vida, e, numa das suas várias e fascinantes histórias, contava a vida de um velhote que conheceu que era rico e dizia: “sou um vitorioso, mas me sinto um derrotado”.

Nestes tempos, não é fácil encontrar a festa certa, o sentido da vida, mas só podemos ter medo é de viver sem sentido. Vivermos para encontrar satisfação na vida ou então viver à sua procura. Eu opto e optarei, sempre, para viver o calendário das festas do meu João das Festas. Mas vou acrescentar algumas festas, mesmo aquelas mais simples, aquelas que já vivi e agora vivem unicamente na nossa memória. Recordo que, em criança, lá no meu sítio, fazíamos fogueiras nos santos populares, eu adorava o São João, fazíamos aquelas fitas no corredor lá de casa, e a cola era aquela pasta de semilhas, a mesma de fazer as joeiras. Havia quem a fizesse do milho moído cozido, frio. A vida era mais simples, era mais genuína. Há que regressar a essa vida, a uma vida de simplicidade mas de satisfação e felicidade.

A próxima festa é o Carnaval e vamos celebrar com a maior de satisfação! Os nossos disfarces são os do homem aranha!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

E TUDO A PANDEMIA JUSTIFICOU!



Quem não se recorda da Diretora Geral de Saúde há 1 ano a dizer que o vírus nunca chegaria a Portugal?

Quem não se recorda do milagre português do combate à pandemia?

Quem não se recorda de “isto está tudo controlado”?

Quem não se recorda dos 500 ventiladores que vinham da China?

É verdade… Tudo isto nos lembrámos. Pura ilusão!

O que temos de nos recordar é o seguinte:

• Os Estados investiram cerca de 8 mil milhões euros nas vacinas para Covid-19. Portugal gastou 6 mil milhões no BPN e não se sabe qual o retorno que houve para os portugueses, se ao menos tivesse desenvolvido um antibiótico ou algo assim, mas nem uma aspirina fizeram.

• Portugal vai injetar quase 2 mil milhões na TAP ou como o Tino de Rans diria: TAL (Transportadora Aérea de Lisboa) e com mais de 750 trabalhadores despedidos e mais não sei quantos com cortes de ordenados. Logo o investimento do Estado será muito superior em subsídios de desemprego e etc...

• Portugal vai injetar cerca de 500 milhões de euros em Bancos falidos. Já as empresas que sofreram ou sofrem a nada terão direito.

Alguém já pensou o quanto Portugal podia e devia apoiar as famílias? O quanto de milhões são mal distribuídos? Onde são sempre os mesmos a receber? A banca, empresas dos regimes… Não se cria riqueza, não se cria postos de trabalhos, não se cria soluções para um Portugal e, acima de tudo, não se criam famílias!

Já as empresas, mesmo em layoff, têm impostos para pagar, bem como ordenados e fornecedores. Algumas que faturaram ao Estado têm o IVA para pagar de faturas que nunca foram pagas, outras têm taxas e mais taxas, IRS, IRC, Segurança Social... E o mais importante: sem capacidade para pagar ordenados dos seus fiéis colaboradores. O que faz o Governo? Tem dívidas às finanças? Não pode receber apoio. Tem dívidas à Segurança social? Não pode receber apoio. E se esse apoio fosse para pagar esses impostos? Se calhar resolvia alguns dos problemas.

Não se pode esperar muito de 2021, desenganem-se aqueles que pensam que em 2021 tudo vai melhorar. Não vai, caros leitores.

Em 2021 teremos uma das piores crises que o Mundo viverá. Para quem vive do turismo, a vida será mais complicada, pois é necessário recuperar a confiança das pessoas!

Não sou astrólogo, não consigo fazer uma previsão para este ano. E também não sendo astrónomo pergunto: o alinhamento de Júpiter com Saturno pode prejudicar a Terra? Como é óbvio nesta coisa dos astros nunca fiando, mas, com estes nossos políticos podemos ter a confiança que tudo irá correr mal, mas todos se irão autoelogiar a dizer que fizeram o melhor para Portugal e para os portugueses, tudo só não foi possível devido à conjuntura internacional… e à pandemia!

O habitual!

Deixo algumas sugestões de frases para os nossos políticos e que em ano de autárquicas pode servir:

• Fizemos o melhor que foi possível, a pandemia bloqueou-nos todos os projetos.

• Demos o nosso melhor pela saúde, conseguimos evitar que a tragédia fosse maior, precisamos do vosso voto para melhorar.

• As pessoas sabem o quanto nos esforçamos e fizemos por todos, a covid-19 não nos permitiu mais.

Resumindo, basta proclamar que fizeram tudo o que estava ao alcance e só não fizeram mais porque não deixaram. Podem também dizer que foi a oposição da esquerda ou da direita.

2020 foi mau, mas 2021 trará a descoberto toda a nossa fragilidade enquanto civilização e enquanto país e enquanto insulares.

sábado, 28 de novembro de 2020

O QUE SE PASSA LÁ FORA E SE PROLONGA POR CÁ

Lá fora: As eleições americanas mais parecem eleições portuguesas tanto é o interesse da comunicação social, tanto é o interesse da população portuguesa em quem ganha as eleições dos Estados Unidos da América. Se calhar, a vantagem dessa eleição, é que os portugueses não têm de ir votar, pois votar dá um bocado de trabalho.

É importante destacar, que em virtude da pandemia do Covid-19, alguns Estados permitiram o voto por carta. Em janeiro teremos eleições presidenciais cá dentro, mas, pelos vistos teremos de ir votar presencialmente, apesar da situação estar descontrolada. Fará sentido que não se alargue ainda mais aqui também o voto antecipado?

Mas voltemos às eleições americanas, confesso que o Trump sai, com diversas asneiras no seu mandato, embora economicamente tenho melhorado a América, pelo menos é o que dizem os americanos. Contudo, o grande destaque de Trump para o Mundo é que foi dos únicos Presidentes americanos que não criou uma guerra, o que tanto ser visto como positivo para o Mundo, mas também como sinónimo de uma política de isolamento e fechamento sobre si próprio, o que, aliás, se reflete com as diatribes que lançou sobre a União Europeia e de alguma turbulência com a própria NATO.

Biden, alguém que votou a favor da invasão do Iraque, importa destacar, é uma nova esperança para o Mundo, não terá uma nova visão, pois o mesmo está nas lides políticas, começando pelo Senado, há 48 anos. A diferença é que Joe Biden tem um ego normal, face à egolatria de Trump.

Passando para o lá fora cá dentro: ainda quanto aos Estados Unidos da América, há que destacar a nomeação do filho do compadre do Primeiro-Ministro, o Diogo Lacerda Machado, para o cargo de Adido Técnico Principal para a área Económica da Embaixada de Portugal nos Estados Unidos. Fará sentido? Não é diplomata, como se sabe, estes concursos são extremamente complexos e de difíceis acessos, no entanto conseguiu ultrapassar esse problema e irá negociar a “economia” entre Portugal e os Estados Unidos? Continuamos com os tachos!

A meio caminho: “Quem ferro fere, com ferro será ferido”, esta passagem Bíblica parece que se aplica a Costa nos Açores, o PPD/PSD, CDS/PP e PPM voltaram a fazer uma AD para derrotar o PS. O grande problema que se verifica é como ficará a família do Carlos César? Será que o desemprego irá aumentar?

Cá dentro: a pandemia tem sido dramática em todo o lado, nota-se as ruas do Funchal mais desertas e nota-se cada vez mais toxicodependência, mendicidade, alcoolismo e outras coisas negativas que são preocupantes socialmente. Estas situações não têm de ser escondidas, antes pelo contrário, têm é que ter uma solução. Alguns destes seres humanos necessitam de apoio psiquiátrico, outros de apoio social. Algo que não se vê em nenhum lugar. É preocupante, se queremos e somos uma região turística, só pode existir uma solução para esta problemática. É preciso coragem de dizer que existe uma falta de assistência social, uma ausência de patrulhamento a pé pela polícia. Não podemos chegar ao ponto de proibir a mendicidade, e não é isso que está em questão, mas ir à fonte dos problemas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A CRISE DEMONSTROU A IMPORTÂNCIA DO ESTADO SOCIAL



Estas semanas têm sido ricas em crises para um orçamento de Estado que deveria ser de salvação nacional e não o que é habitual.

Uma das discussões é o ordenado mínimo, que eu acho que deve aumentar, à parte a conversa dos patrões que todos os aumentos criam desemprego, quando não existem dados que o provem.

O ordenado mínimo em Portugal continental (na Madeira há uma majoração) em 2010 era de 475 € e este ano foi de 635 €, o que me parece um pequeno ordenado para sobreviver em Portugal.

Desde 2010, os funcionários públicos só tiveram, este ano, um aumento de 0,3%. É claro que é fácil bater nos funcionários públicos, esquecendo que eles são consumidores e parte deles é que fazem os privados funcionar. Algo que muitos privados não entendem. Se formos a analisar, quem suportou mais a crise de Passos Coelho e em especial na Madeira foram os funcionários públicos, pois citando: foi-lhes retirado do lombo!

Já Sócrates foi o responsável pela destruição das categorias existentes no Estado, quando se colocou dividiu unicamente em dois grandes bolos: assistentes operacionais e assistentes técnicos. O que é errado! Devia-se repor as categorias existentes, pois, ao não se fazer, degrada se toda a Administração Pública, onde se inclui escolas, hospitais, repartições, esquadras e etc… Sem funcionários públicos não existe escola pública, não existe saúde pública, não existe estado social, segurança pública… É isto, que querem?

Alguns setores afirmam que não existem pessoas capazes e competentes para desempenhar funções que qualquer um pode desempenhar, pois qualquer um é assistente operacional, qualquer um é um assistente técnico. Por exemplo: um assistente operacional é um eletricista, um faxineiro ou um cantoneiro, todos percebemos que as qualificações de todos são diferentes, logo deviam ter remunerações diferenciadas.

Pergunto: será que alguém pagará igual por um dia de trabalho em sua casa por uma faxina e por um eletricista a verificar a sua segurança elétrica? Claro que não, até porque não existe ninguém que faça pelo mesmo valor… No Estado, não existe essa distinção, são todos iguais.

O novo aumento do ordenado mínimo, em si uma medida justa, poderá, contudo, criar situações de injustiça ainda maior, porque, além de já existir injustiças dentro das mesmas categorias profissionais, ainda passará a existir outro problema, pois o assistente operacional passará a ter o mesmo vencimento que um assistente técnico. Porque não se volta ao antigamente? Quando todos os ordenados estavam indexados ao ordenado mínimo?

Aqueles que reclamam da administração pública, não devem saber que Portugal é dos países com menor taxa de funcionários públicos da Europa (cerca de 15% da população empregada) enquanto a Suécia, Noruega e Finlândia têm quase o dobro.

Há que desmistificar a ideia de regalias especiais dos funcionários públicos, quando um trabalhador no privado com as mesmas funções de um funcionário público ganharia o dobro ou o triplo, alegando outros que estes homens e mulheres na função pública tem garantida segurança no trabalho.


Post Scriptum: Infelizmente, a semana passada, a Susana, uma das auxiliares com quem o meu filho teve o privilégio de aprender a crescer transformou-se numa estrelinha e não podia deixar de escrever estas poucas linhas, pois sempre que chegava à quarta-feira para ir buscá-lo, ela dizia sempre: “gostei muito do seu artigo…” e completava com qualquer comentário sobre esse artigo. Não há muitas homenagens que possa fazer, por isso espero que a Susana, esteja onde estiver, consiga ler estas poucas linhas e o meu muito obrigado por estar nas nossas vidas...